ARTIGO | Cultura e colaboração

22 de Abril de 2021

por João Satt

 

Crises identificam o esgotamento dos modelos. O êxito no processo de adaptação ao novo excede às transformações operacionais. Começa por uma profunda consciência e consequente transformação cultural da organização. À medida que nós, como espécie, mudamos nossa forma de pensar sobre o mundo, acabamos criando tipos mais poderosos de organizações. 

Os modelos não evoluem como árvores de maneira previsível e linear, e sim como lagartas, que podem se transformar em uma borboleta, ou como girino, que no tempo se torna um sapo. O sucesso das organizações, assim como da sua, passa por esta encruzilhada: inovação de valor, escalabilidade, narrativa de marca, tecnologia e distribuição. Pensar sobre isso aflige a todos, ainda mais quando o elemento de conexão, construção e interação de tudo isso continua sendo as pessoas. 

Nos primórdios, os homens buscavam a união para se protegerem, posteriormente para produzir volume e competir; agora, a cultura sinaliza a coopetição: a colaboração para sustentar vantagens competitivas. Me responda: se as plataformas (ecossistemas) que vão sustentar as propostas de valor, qual o critério para selecionar as pessoas e os agentes com os quais a sua empresa vai se relacionar? 

Na era das estratégias adaptativas, o RH assume a condição de agente estratégico. Os Conselhos de Administração, em breve, terão que considerar esse tema na pauta estratégica. Caberá ao CEO, apoiado pelo RH, definir critérios de seleção e manutenção de pessoas que comunguem com a cultura das teias (e não mais pirâmides de poder), que sejam incansavelmente curiosas e extremamente aderentes. O primeiro desafio passa a ser o convívio democrático, e não mais autocrático: aceitando que o poder nasce da soma de competências. 

Frederic Laloux, autor do brilhante livro Reinventando as organizações, traz a ideia do pertencimento social. “Ou você é parte do grupo, ou você não é – a disputa do ‘somos nós’ versus ‘eles’ sinaliza claramente um eminente desastre no horizonte de médio prazo”.  

A metáfora da caixa-preta deve ser substituída pela da caixa de vidro, transparente, translúcida, integrativa, colaborativa. O conceito de alianças estratégicas deverá ser revisitado visando distinguir fornecedores de parceiros estratégicos. Trago esse tema porque todos, sem exceção, precisam resetar as organizações, onde prevalecem as incertezas do para onde ir, o que fazer, com quem, e qual caminho escolher. Lembre-se, a borboleta chega aonde deseja porque tem menos ego, sabe praticar a paciência e não enfrenta as intempéries do tempo. Já o sapo fica gritando, como se isso fosse afugentar o inimigo. O medo e a rejeição silenciosa nunca construíram nada. Já a colaboração estratégica sempre fez e fará cada vez mais a diferença.
 

*João Satt – estrategista, CEO do G5

 

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