2021: Cenários, Tendências, Insights | por Fábio Veiga, Neovox Comunicação

23 de Dezembro de 2020

Em 2021, muitas marcas vão precisar, mais do que nunca, de comunicação,

 

Sobre 2020, não há muito o que dizer que já não tenha sido dito. 

E nem esse é o objetivo desse desafio que nosso querido amigo Jailson nos propõe, que é tentar entender as tendências, cenários e desafios para 2021. 

Pra mim, a resposta a esse questionamento é: não sei. E acredito que muito pouca gente saiba. 

O que está claro é: dá pra trabalhar em home office, mas é muito chato. Nosso ramo é o da comunicação, e isso pede interação, olho no olho, micro gestos frente a frente, um conjunto de códigos verbais e não verbais que vão abrindo os caminhos para as grandes ideias. Trabalhando apenas virtualmente, as ideias empobrecem. 

Imaginem Roberto e Erasmo compondo via zoom, ou Vinicius de Moraes e Tom Jobim compondo Garota de Ipanema numa live. Não dá. 

Claro que também há ganhos. Ampliamos infinitamente o número de profissionais com quem podemos trabalhar, estejam onde estiverem; desperdiçamos menos tempo no trânsito, o que é uma baita vantagem pra quem mora num grande centro; teremos cada vez menos viagens desnecessárias a trabalho, etc. Mesmo assim, eu acho muito anormal esse novo normal, e sinto muita falta da convivência e do ambiente que uma agência física proporciona.

Em 2021, muitas marcas vão precisar, mais do que nunca, de comunicação, seja para se reerguer, seja pra ocupar espaços que ficaram vagos por conta de tropeços de seus concorrentes. 

Muitos dizem que, daqui pra frente, o consumo será mais consciente. Tenho dúvidas. A vacina e tudo o mais vão liberar uma demanda reprimida por tudo que é serviço, bens de consumo, viagens, lazer. E quem souber se posicionar vai levar muita vantagem. 

Acredito que 2021 ainda será um ano muito duro, porém menos que 2020. Mais do que um cansaço, há no ar uma carência, de afeto, de carinho, de contato, de passear, de comprar, de tudo. Esse sentimento vai nos fazer dar muito mais valor às coisas simples da vida, mas também vai liberar uma corrida desenfreada aos bares, restaurantes, lojas, aeroportos, à vida e ao tempo perdido. 

Tenho amigos que repetem o tempo todo: “eu era feliz e não sabia”, e dizem isso inclusive para os perrengues de “antigamente”.

Talvez demore um pouco pra retomar a plenitude da cadeia produtiva, o ciclo virtuoso que envolve produção, consumo, renda. Mas isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Por isso, aposto que o Natal do ano que vem será muito melhor que este. 

Mas, é só uma crença, uma torcida e uma prece. Pois, como eu disse acima, só sei que nada sei.

Fábio Veiga é publicitário, fundador e presidente da agência Neovox Comunicação, de Florianópolis

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