Ideação ao alcance de todos

08 de Outubro de 2013

Fotografia: Ligia Fascioni

 

Há alguns meses fiz um curso online de Design Thinking na Universidade de Stanford e foi uma experiência muito rica. A maior parte do conteúdo já era conhecida, mas a conexão com gente inteligente nos faz ver o mundo de um outro jeito e aprender bastante com isso. E uma das coisas mais bacanas foi aprender um método para gerar ideias em quantidade, pois, é consenso em toda a bibliografia que o jeito mais eficiente de se ter uma grande ideia é gerar um montão delas (quanto mais, melhor). Quando a gente consegue pensar em apenas uma maneira de resolver um problema, a probabilidade que ela não seja a mais adequada é muito grande. Além disso, quando a gente só tem uma ideia, a tendência é agarrar-se a ela com unhas e dentes e defendê-la como à própria vida. Mas se a gente é rico de ideias, testa uma e não funciona, é só pegar a próxima. O processo pode ser repetido até achar a solução, sem nenhum trauma ou resistência. A questão é que está cheio de livros e artigos por aí falando sobre os hábitos que a gente deve ter para gerar ideias, mas poucos que falam sobre o processo de criação propriamente dito. É claro que há alguns bem conhecidos, como o brainstorming, mas é tudo muito vago porque não se fala sobre COMO a gente pode gerar ideias. Por isso gostei tanto quando, no curso, junto com a tarefa de gerar no mínimo 50 ideias para um problema, vieram instruções utilíssimas para iniciar o processo. Vou compartilhar com vocês aqui as dicas da Leticia Cavagnaro, coordenadora do curso. Veja como fica mais fácil se você começar respondendo a essas perguntas. A maioria foi acrescentada por minha própria conta, já que o questionário original era orientativo e tinha apenas meia dúzia de questões; portanto, fique livre para criar suas próprias. Vamos lá: Qual são as soluções mais óbvias para esse problema, ou seja, o que já existe? O que você poderia adicionar, remover ou modificar nessas soluções iniciais? Como uma criança de 5 anos resolveria o problema? Como um cachorro (ou um elefante) resolveria o problema? Como uma pessoa de 110 anos resolveria o problema? Como alguém que estivesse enclausurado num convento (ou numa prisão) resolveria o problema? Como o problema poderia ser resolvido se o orçamento fosse ilimitado e você pudesse dispor de todo o dinheiro que quisesse? Como o problema poderia ser resolvido se você não pudesse gastar nenhum centavo? Como o problema poderia ser resolvido se você tivesse controle sobre as leis da natureza (pense em invisibilidade, teletransporte, telepatia, controle de chuvas, etc)? Como o problema poderia ser resolvido se você pudesse mudar as leis do país (ou do mundo)? Como o problema poderia ser resolvido usando tecnologia de ponta? Como o problema poderia ser resolvido sem nenhuma tecnologia? Como o problema poderia ser resolvido se você tivesse que necessariamente usar uma bola na solução? Como o problema poderia ser resolvido se você tivesse que explicá-lo usando poesia? Como o problema poderia ser resolvido se a solução não pudesse gerar nenhum tipo de som ou ruído? Como o problema poderia ser resolvido usando necessariamente pedra e barbante? Como o problema poderia ser resolvido se o ambiente mudasse (por exemplo, o cenário fosse debaixo d'água ou na atmosfera de marte)? Como o problema poderia ser resolvido se a solução tivesse que ter um gosto (doce, salgado, etc)? Como o problema poderia ser resolvido se você tivesse que usar animais para realizar tarefas? Como o problema poderia ser resolvido se você tivesse que fazer tudo de olhos vendados? Como o problema poderia ser resolvido se as proporções fossem mudadas (por exemplo, as pessoas ficassem do tamanho de um prédio e o prédio fosse do tamanho de um tijolo)? Como o problema poderia ser resolvido se você tivesse que usar uma música como parte da solução?   E tem mais...   Olhando sua lista de ideias, qual é a pior delas? O que você teria que mudar para que ela ficasse aceitável? Qual a ideia mais ridícula? O que teria que ser feito para que ela fosse viabilizada? Qual a ideia mais prática? Qual a sua ideia favorita? Qual a ideia mais original e disruptiva?   Esse post aqui fala sobre a definição do problema; em um próximo, exploraremos melhor a questão da prototipagem. Por hora, fiquem aí se divertindo bastante com a brincadeira!

Ligia Fascioni

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    Ligia Fascioni é consultora e palestrante nas áreas de marketing, identidade corporativa, liderança, inovação e atitude profissional. É engenheira eletricista, mestre em automação e controle industrial, especialista em marketing e doutora em engenharia de produção e sistemas com foco em gestão integrada do design. Autora de vários livros, incluindo “DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica” (Integrare, 2010) e "GPS para curiosos" (e-book, 2013). Seu blog (www.ligiafascioni.com.br) foi selecionado como um dos 10 melhores em língua portuguesa pela Deutsche Welle em 2013. Desde 2011, mora em Berlin, Alemanha, onde é sócia de uma start-up de tecnologia.