Tráfego em sites de jornalismo cai até 20% na Austrália após reação do Facebook

24 de Fevereiro de 2021

Plataforma proibiu cancelamento de links em reação à lei de mídia, insuflando ainda mais a revolta contra a plataforma e alimentando o #DeleteFacebook

Do MediaTalks by J&Cia

 

Legislação foi aprovada Câmara dos Representantes na noite de quarta-feira e será debatida pelo Senado 

Interrupção de serviços essenciais causou fúria no país, e isolou Facebook das demais plataformas no diálogo com o Governo australiano 

Canadá entra na briga e promete seguir os passos da Austrália 
 

A decisão do Facebook de proibir compartilhamento de links de notícias na Austrália por ser opor à regulamentação do pagamento por conteúdo jornalístico, decretada pela plataforma nesta quinta-feira (18/2), foi recebida como declaração de guerra, causando reações em todo o mundo. No sábado, o Primeiro-Ministro australiano, Scott Morrison, deu uma entrevista coletiva e informou que a empresa havia voltado à mesa de negociações.

E logo no primeiro dia da suspensão dos links, os resultados apareceram. Segundo a empresa de análises Chartbeat, o tráfego para sites de notícias caiu 13% nas primeiras horas após a proibição, e em alguns momentos chegou a 20%:

Infelizmente, o desaparecimento do Facebook resultou em um impacto nos números de tráfego de sites de notícias. Quando o tráfego do Facebook caiu, o tráfego geral da Austrália não mudou para outras plataformas.

Essa queda foi observada de forma mais dramática no tráfego para sites australianos de leitores de fora da Austrália. Como esse número de leitores era tão impulsionado pelo Facebook, no geral esse tráfego fora da Austrália caiu ao longo do dia em mais de 20% (e um pouco mais nas últimas horas).

Também observamos uma grande queda no tráfego de leitores dentro da Austrália: às 13h, horário do leste dos EUA, na quarta-feira [pouco antes de o Facebook fazer a mudança], mais de 15% das visitas de dentro da Austrália eram direcionadas pelo Facebook. O tráfego caiu continuamente a partir daí e, por volta das 20h, menos de 5% das visitas eram direcionadas pelo Facebook.

 

Logo após a decisão do Facebook ser anunciada, o Primeiro-Ministro Scott Morrison reagiu com dureza, chamando a empresa de “arrogante”. E  anunciou planos de engajar outros líderes globais na luta contra o gigante digital.

O Canadá pode ser o primeiro. O ministro da Economia, Steven Guilbeault, disse na quinta-feira que seu país seria o próximo a garantir que o Facebook pagasse pelo conteúdo de notícias.

Guilbeault, encarregado de redigir uma legislação de mídia semelhante à da Austrália, condenou a ação do Facebook na Austrália e disse que ela não deteria Ottawa.

“O Canadá está na vanguarda desta batalha. Estamos entre os primeiros países  decididos a seguir em frente “, disse ele a repórteres.

 


No Reino Unido e em vários países, ganharam força os movimentos incentivando o público a deixar a plataforma, com as hashtags ‘Delete Facebook’, ‘Boycott Zuckerberg’ e ‘Facebook We Need To Talk’ no Twitter. O movimento ganhou destaque em vários jornais britânicos nesta sexta-feira (19), e foi capa do popular Metro. A proibição enfureceu o país porque envolveu também os serviços de saúde e emergência, e não apenas conteúdo de empresas jornalísticas.

Segundo o Sydney Morning Herald, Scott Morrison, que desfruta de altos índices de popularidade, disse já ter conversado com o líder indiano Narendra Modi, em um primeiro movimento para impedir o Facebook de “intimidar governos eleitos”.

Morrison usou o próprio Facebook para se manifestar sobre a proibição, com uma postagem que não deixa dúvidas sobre as intenções de encarar a briga.

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