Shopping Centers pós pandemia. Tendências no Setor. por Elizeu Lima

18 de Setembro de 2020

O Brasil possui uma vigorosa indústria de shoppings centers nascidas na década de 60 com seu primeiro shopping o Iguatemi São Paulo.

 

Imagem: Marcin Kempa no Unsplash

 

Hoje o Iguatemi é o melhor shopping do Brasil numa indústria, segundo a Abrasce, Associação de Shoppings Centers que em 2019 contava com mais de 657 empreendimentos, sendo mais de 200 só em São Paulo, área bruta locavel de 16 milhões de M2, mais de 105.000 Lojas, mais de 2.900 salas de cinema, 1 milhão de vagas para carros e um faturamento na ordem de R$ 193 bilhões. Uma indústria de respeito.

Mas como estão os Shoppings hoje, setembro/2020, depois de uma devastadora pandemia ainda em curso que afetou praticamente 100% de seus negócios por mais de 5 meses?
Os shoppings centers foram dos primeiros a ser fechados, presumindo-se que por ser área de alta circulação de pessoas poderia ser ampla fonte de contaminação de seus usuários, o que, após a tímida e parcial reabertura em meados de julho não se mostrou verdadeira.

Quando os Governos começaram a decretar as quarentenas e lockdowns a partir de meados de março, os shoppings foram fechados trazendo as nefastas consequências a toda estrutura varejista que operava.

Hoje já sabemos que muitas das redes de varejo operadoras em shoppings não voltarão a operar. Quando os shoppings reabriram parcialmente por 4 horas diárias em meados de julho, numa visita de trabalho e observação em um deles em São Paulo, padrão A/B, apenas em 2 pisos de 5 pisos verifiquei 9 lojas fechadas e já tapumadas e 2 outras sendo desmontadas. Por essa observação se prenunciava o cataclismo sobre o setor varejista e por consequência nos seus parceiros shoppings centers.

Essa reabertura, mesmo parcial foi amplamente criticada, especialmente por áreas medicas indicando que mesmo com as medidas protetivas adotadas, como obrigatoriedade de uso de mascaras, criação de áreas de higienização das mãos, sanitização de ambientes, medição de temperatura dos usuários, ainda assim seriam fontes de contaminação. Isso não está se confirmando passados 1 mês de sua abertura; tanto que o tempo de abertura está se expandindo. Mas como ficara essa indústria após esse nosso ano fatídico?

Em 2015 por ocasião da ReCon em Las Vegas, mais importante encontro da indústria de shopping Centers, meu amigo Luís Marinho da Gouvêa de Souza em brilhante palestra preconizava que os Shoppings se direcionavam ao futuro com movimentos importantes, dentre eles a convergência do varejo físico e online, ambientes flexíveis para atrair jovens, maior intimidade e interação com consumidores, ambiente mais colaborativo entre shoppings e lojistas, formatos flexíveis incorporando novas atividades, como distribuição por exemplo. Vemos que várias daquelas premissas há 5 anos estavam acertadas. Mas isso tudo tem menos valia num momento desse em que sequer se tem a operação.

Investidores do mercado imobiliário, grandes fundos que detém o poder de capital e investimentos no setor sentiram o baque em função da perda integral ou parcial de sua receita nesses 5 meses e que deve prolongar-se pelo menos até final do ano porque, mesmo reabertos, o consumo terá queda significativa com reflexos nas receitas e despesas dos empreendimentos.

Mas, como fica essa relação entre lojistas e empreendedores? Muitos, a grande maioria deles entenderam as dificuldades por que estão passando os varejistas, grande maioria de pequenos e médios sem lastro de capital para suportar custos por 5 meses e mais, sem receitas de vendas o que forçou entendimentos e flexibilizações de parte a parte.

Da parte dos lojistas mudanças importantes estão acontecendo, onde a loja física passa a ser também uma importante base de apoio para suas vendas de E-commerce que deve crescer geometricamente; e da parte dos shoppings também estão ocorrendo mudanças importantes, deixando de ser um centro de compras tradicional e incorporando novas atividades para atender um novo padrão de consumo, implementando novas opções de serviços com foco no entretenimento, convívio social, áreas qualificadas de alimentação além da praça de alimentação, integração entre as pessoas e suporte e serviços de apoio ao Ecommerce como parte da integração omnichannel já presente em nosso varejo.

Os Shopping Centers, mesmo com todas as perdas verificadas, até pelas características brasileiras, continuarão a ter a preferência de consumidores de lojas físicas porque oferecem qualidade, segurança, conforto, dentre outros benefícios.


*Elizeu Lima -
Larga experiência em gestão, reestruturação de empresas e M&A.
Ocupou funções de CEO em grandes empresas, varejo e indústria.
Conferencista internacional e Conselheiro de Empresas.

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