SÉRIE "Os desafios e o legado da pandemia", com Mario Cezar de Aguiar, presidente da FIESC

13 de Outubro de 2020

Pandemia, reinvenção e oportunidades

 

A pandemia da Covid-19 é um daqueles acontecimentos que provocam rupturas históricas. Ainda não conhecemos a exata dimensão das transformações geradas, mas já é possível vislumbrar impactos na vida das pessoas e na economia. A pandemia está acelerando mudanças que já estavam em curso, tanto no plano dos hábitos pessoais e das práticas empresariais, quanto da tecnologia. Isso não é diferente no mundo da comunicação.
 
Muitas das mudanças são facilmente perceptíveis. É muito provável que novos protocolos de trabalho e convivência das pessoas no dia a dia, com mais atenção a questões sanitárias, se consolidem. Também surgirão novos produtos, serviços e formas de interação com os públicos de relacionamento. É o caso das reuniões e dos eventos on-line, que tiveram um crescimento exponencial e tendem a se consolidar ou se transformar em encontros híbridos. A pandemia provou que não faz muito sentido pegar um avião e perder um ou dois dias para uma conversa rápida, que pode ser resolvida por videoconferência.

Para auxiliar o setor industrial na jornada rumo a esse novo e ainda desconhecido ambiente, a FIESC lançou o Programa Travessia, inicialmente inspirado no New Deal, o esforço americano para superar a Grande Depressão, de 1929. O programa da FIESC propõe a reinvenção da economia, o acesso ao crédito, o desenvolvimento da infraestrutura e um amplo pacto institucional, que fomenta os demais pilares. Essas necessidades não vieram com a pandemia, eram anteriores, mas agora se tornaram ainda mais urgentes. Tomar as medidas para fazer frente a essas demandas, mais do que necessário, passa a ser também uma grande oportunidade. Para a indústria catarinense isso significa sair na frente no provável redesenho da produção mundial que virá, uma vez que os países se deram conta do risco representado pela concentração da manufatura na Ásia.

Temos, portanto, uma oportunidade para reindustrializar o País, aproveitando a pressão por mudança que só as grandes crises geram. É hora de o Brasil colocar as grandes reformas em prática. É também hora de as empresas ampliarem a integração ao mercado internacional, tema para o qual a FIESC tem chamado atenção.

A pandemia é terreno fértil para fake news. Também ganharam força novas modalidades de comunicação on-line, baseadas na internet, serviços de streaming de áudio e vídeo e lives, que se fortaleceram como alternativas de atividades profissionais ou entretenimento nas residências durante o isolamento social. O setor de comunicação certamente também saberá avaliar as ameaças e oportunidades deste novo momento. E já iniciou seu processo de reinvenção. O mais importante é que a sociedade não pode prescindir do importante papel dos veículos de comunicação, que devem, cada vez mais, cumprir sua missão de informar com isenção e ajudar a apontar os caminhos da reconstrução social e da economia. Desta forma, poderemos construir um otimismo fundamentado em boas notícias e boas oportunidades, ajudando a animar a retomada.

Mario Cezar de Aguiar, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC)

 

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