Indústria pós pandemia. Tendências no Setor Têxtil

05 de Agosto de 2020

96% das indústrias têxteis tiveram queda na carteira de pedidos, 55% delas com redução de mais de 50%

 

por Elizeu Lima*

 

A Pandemia Corona vírus, especialmente pelas ações de quarentena e lockdown em algumas regiões afetaram significativamente vários setores, especialmente o setor varejista, e dentre essas atividades varejistas o de roupas, afetando, por conseguinte a cadeia produtiva com a indústria têxtil, confecções, tecelagens etc. 

A Abit, Associação Brasileira de Indústria Têxtil em levantamento feito em junho/20 apurou que 96% das indústrias têxteis tiveram queda na carteira de pedidos, 55% delas com redução de mais de 50% o que resultou em fortes demissões que chegaram a 20% do quadro funcional e graves dificuldades a essas empresas, quase sempre descapitalizadas e que, indo ao mercado financeiro nem sempre conseguiram sucesso dado a altas taxas de juros, exigências de garantias adicionais e toda sorte de dificuldades de acesso aos capitais, inclusive capitais de apoio disponibilizados pelo Governo Federal. 

Neste contexto as empresas mais ágeis buscaram diversificar sua linha de produtos, direcionando a fabricação para itens de atendimento as necessidades da pandemia. 

Muitas delas, de acordo com constatação pela FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo usaram o tempo de inatividade para de alguma forma e dentro de sua capacidade de investimento, já que o acesso ao credito ficou de certa forma prejudicado, atualizar seus parques industriais com a implantação de novas tecnologias 4.0 que fará diferença na retomada com menos custos, maior agilidade, nova forma de fazer e processar seus produtos, etc. 

De acordo com pesquisa feita pelo Instituto Senai de Inovação e tecnologia 20% das empresas ainda estão avaliando qual rumo tomar, mas a grande maioria acredita na valorização dos produtos nacionais e nos mercados locais, o que alguma forma fortalecera nossa Industria.

É de se considerar que haverá por certo um fortalecimento nas relações entre indústria e varejo, umbilicalmente ligados e interdependentes de tal forma que novas opções de atuação sinérgica serão buscadas. 

O Brasil já não tem em seu cenário as importantes grifes de roupas; na realidade há algum tempo essas grifes já se adaptaram a um novo padrão de “grife” mais, digamos, popular, mas mesmo assim procuradas porque, dentro dos padrões de comportamento ainda existente em nossa sociedade, antes de Ser, é preciso, para uma grande parcela de consumidores, Ter, através do reconhecimento desse seu comportamento exposto através do que usa, logo, o mercado de grifes ainda terá vida longa. Haverá consolidação, aliás já ocorrendo na área de moda. 

O grupo Soma, um dos 20 maiores grupos de moda do País saiu na frente com importantes consolidações. Hoje composto com Farm, Animale, Cris Barros, Foxton dentre outras. Grupo Soma, conforme já expuseram publicamente, estão de olho em importantes redes que há pouco tempo eram consolidadoras, mas no momento, sem pique e folego, poderão ser alvos, alavancando as novas aquisições do Grupo; aliás capital não faltará, pois o Soma, que também tem fundo de investimento em sua retaguarda, terminou de fazer seu IPO no início desse mês levantando R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 1,35 bilhão para fortalecer seu caixa para novas aquisições.
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*Elizeu Lima
- Larga experiência em gestão, reestruturação de empresas e M&A. Ocupou funções de CEO em grandes empresas, varejo e indústria. Conferencista internacional e Conselheiro de Empresas.

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