Entre pessoas com curso superior, renda de brancos é 29% maior que a de negros, diz pesquisa

10 de Janeiro de 2018

Presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles comenta a pesquisa

O Brasil é um país conhecido por sua mistura de raças, mas ainda sim o preconceito é bastante presente na sociedade. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 93% da população concorda que existe racismo no país. Porém, poucos reconhecem o seu próprio preconceito, já que apenas 3% dos entrevistados declaram abertamente que preferem evitar conviver com negros.

O estudo faz ainda uma radiografia do mercado de trabalho brasileiro, envolvendo temas como disparidade salarial entre negros e brancos, diferenças de status profissional, consumo e representação na mídia.

Com relação à questão salarial, a renda média de homens brancos com ensino superior, de R$ R$ 6.702, é 29% maior que a de homens negros com ensino superior, de R$ 4.810. Já a renda média de mulheres brancas com ensino superior, de R$ 3.981, é 27% superior a de mulheres negras com ensino superior, de R$ R$ 2.918.

Quando analisamos aqueles que ganham salários acima de R$ 10 mil, a disparidade persiste. A pesquisa aponta que entre aqueles que ganham mais de R$ 10 mil por mês, 81% são “não negros”, e apenas 19% são “negros”.

Outro dado da pesquisa revela que, atualmente, no Brasil, 55% da população se declara negra e 86% deles dizem ter orgulho disso. “Vejam, não estamos falando de nicho ou segmento, mas da maioria da população brasileira. A disparidade salarial entre brancos e negros causa uma perda de R$ 808 bilhões por ano ao mercado. O objetivo do Instituto Locomotiva é propor caminhos possíveis para a inclusão e a desnaturalização do racismo no país”, afirmou o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

Um campo onde as práticas racistas são mais frequentes é o ambiente online. A pesquisa mostra que 73% da população negra no Brasil já viu manifestações racistas em sua própria rede social.

A representatividade nas propagandas também foi um ponto destacado pelo estudo. Para 72% dos negros, as pessoas que aparecem nas propagandas costumam ser muito diferentes deles e apenas 6% dos negros se sentem adequadamente representados pelas propagandas de TV.

Apesar de dados negativos quanto à questão racial, a pesquisa mostra que a população negra no Brasil representará um consumo da ordem de R$ 1,6 trilhão em 2017, o que a coloca na 17ª posição mundial nesse quesito e a insere no G20 do consumo global.

Já em termos populacionais, a pesquisa aponta que população negra do Brasil ocuparia a 11ª posição mundial.

Ainda em relação ao consumo, em 2018, a população negra brasileira vai responder pela aquisição de 12 milhões de aparelhos televisores, 11 milhões de smartphones, 10 milhões de geladeiras e 28 milhões de móveis.

O universo de pesquisa abrange 2.020 pessoas, que foram ouvidas na primeira quinzena de setembro, nas cinco regiões brasileiras. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de certeza de 95%.