E-commerce já conta lucros por conta de novo coronavírus

26 de Junho de 2020

Com medidas restritivas, brasileiros intensificam consumo pela internet

 

Em meio ao isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, muitas empresas estão tendo dificuldades em manter o ritmo pré-crise. São aquelas de setores que ainda não tinham atuação no e-commerce, como as do setor elétrico, por exemplo. No entanto, há outros que – nativas digitais –, estão contando mais lucros em meio às medidas de restrição.

Além disso, muitas empresas estão lucrando não com vendas, mas sendo citadas por páginas que listam os melhores locais de consumo na internet: além dos famosos BuzzFeed e do Pinterest, que atuam de diferentes maneiras nesse sentido, o 365Dicas é um desses sites.

Empresários também estão fazendo campanhas massivas pelo Instagram, colocando funcionários para vender pelo WhatsApp e, no caso dos grandes varejistas, acelerando processos estratégicos que demorariam meses para sair do papel.

A receita do e-commerce cresceu 42% durante a pandemia, considerando o período de 17 de março a 14 de abril na comparação com o mesmo intervalo de 2019. O que puxou o índice foi o aumento de pedidos, não o valor gasto.

Só o consumo de autosserviço em varejistas online cresceu 96% de 19 a 25 de março, 13% acima da média total do e-commerce, segundo a Ebit Nielsen, que faz mensuração e análise de dados. Na páscoa, por exemplo, houve aumento de 1.090% em faturamento neste ano.

Para as grandes varejistas, como Magazine Luiza, cujo faturamento hoje depende 100% do online, a principal estratégia foi acelerar o processo de abertura da plataforma para que lojistas pequenos, muitos deles analógicos, pudessem vender sem gastar com frete e infraestrutura.

A companhia, que hoje conta com 1.100 lojas fechadas, cobra uma comissão por venda. Desde que anunciou o programa, em 31 de março, 16 mil empresas entraram. 

Já a ViaVarejo, dona da Casas Bahia, Extra.com e Ponto Frio, que depois de uma operação positiva na Black Friday tentava erguer a casa para ganhar mais relevância digital, colocou cerca de 20 mil vendedores, impedidos de ir às lojas, a vender no WhatsApp.

A C&A, cuja operação sempre foi baseada na interação física entre o cliente e a peça de roupa, optou por uma ação que só companhia de caixa robusto pode fazer: anunciar no Big Brother. “Antes da pandemia, crescíamos, em média, dois dígitos no e-commerce. Agora, já estamos em três”, diz Paulo Correa, presidente da rede no país.

Plataformas estão trabalhando unidas. O combo Instagram e WhatsApp virou estratégia até para montadoras de carro, que sentem a queda nas vendas desde março, segundo cálculo da Fenabrave (associação que representa os distribuidores de veículos). Em algumas marcas, ao clicar em anúncios de carros no Instagram, o interessado cai no chat da concessionária.

Também há exemplos no setor alimentício de restaurantes que têm criado cestas com produtos selecionados para enviar à clientela. Já os clubes de assinatura mais consolidados registraram aumento de novos clientes durante o confinamento.

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