Como artistas sertanejos exploram o marketing digital

29 de Junho de 2020

Grandes estúdios e empresas de mídia não conseguem competir com a iniciativa individual de alguns grandes artistas

Imagem: Instagram

A pandemia trouxe novas possibilidades para alguns artistas.
Os sertanejos, por exemplo, se deram bem com as lives

 

A essa altura do confinamento do coronavírus, você já deve ter se deparado com o vídeo do cantor Flávio Brasil numa charrete desgovernada. Se não, talvez tenha dados risadas com Marrone fuzilando Bruno com o olhar na live da dupla no Instagram.

Goste ou não dela, a música sertaneja é assunto popular em muitas rodas sociais, e não à toa: segue hoje como um dos principais gêneros de música popular no Brasil. As estatísticas do Kantar IBOPE são claras: o estilo conta com 29% das músicas tocadas nos rádios ou nas plataformas digitais sonoras – Deezer, YouTube, Spotify e Apple Music.

A novidade é que a profusão de plataformas digitais para ouvir música e a adesão dos ouvintes a elas permitem levantamentos muito mais precisos sobre o consumo do gênero no país. As paradas semanais em cada um desses programas permitem ver hits sertanejos sempre bem-posicionados, por exemplo.

Mais detalhado é o infográfico que compila dados de diferentes fontes, publicado pela Betway Cassino: os dados demográficos colhidos dos ouvintes revela fatos básicos como o sexo da audiência (38% masculino, 62% feminino), faixa etária (adultos de 25 a 34 anos são 37% do público) até o estado afetivo – 48% vivenciam a “sofrência”, de fato. 

Dados como esses, do pequeno relatório do site de roleta online Betway Cassino, não passam batido por marcas de diversos portes, que têm recorrido às lives dessa classe artística no atual momento como vitrine promissora para impulsionar negócios. 

 

Palco doméstico com interesses corporativos

Sertanejo raiz, sertanejo romântico, universitário, meloso, feminejo... Esses são rótulos comerciais, definidos por tendências e hábitos de cada época. A questão é: essas canções preservam alguma essência do que algum dia se convencionou chamar de sertanejo? Há alguma herança cultural nesses artistas além de camisas xadrez e cacoetes?

As respostas são altamente pessoais, mas o fato inegável é que as plateias cada vez mais segmentadas têm sido “alimentadas” rotineiramente com transmissões ao vivo de seus artistas como nunca.

As lives do Instagram não são o único, mas são o grande canal comum do momento para sintonizar as apresentações. A rede social registrou um aumento de 70% no uso dessa ferramenta ao vivo em março e, embora os artistas sertanejos não sejam os únicos a usá-la, certamente são os mais célebres. 

Hoje, não se produz novela em estúdio, mas muitos artistas se adaptam para produzir entretenimento. Consolidou-se um formato: palco e banda compactos, estrutura de filmagem de qualidade, interação virtual com o público, anúncios de permuta e geladeiras de bebida patrocinadas. 

Na prática, grandes estúdios e empresas de mídia não conseguem competir com a iniciativa individual de alguns grandes artistas. Os frutos e a viabilidade dessa produção durante e após a pandemia faz pensar sobre as mudanças de eixo na indústria da produção cultural e dos espetáculos. 
 

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