Coluna Economia | Apesar de todos os pesares o Governo e o Brasil avançam

05 de Abril de 2021

por Elizeu Lima

 

Penso que as análises de situações e eventos precisam estar absolutamente livres de qualquer ideologização, sob pena de deturpar seu resultado.

Ao comentar o título deste artigo com um amigo recebi de pronto uma resposta: O Brasil está no fundo do poço, está indo cada vez pior, o Governo não vai se sustentar etc. Comentários eivados de uma ideologização critica tendentes a esquerda. Poderia ser o contrário, caso a esquerda fosse o Governo.

Na verdade, o Brasil tem problemas, como de resto todo o mundo, uns mais outros menos, mas numa análise fria e aprofundada podemos afirmar que apesar de todos os pesares o Governo e o Brasil avançam, senão vejamos: 

 

O Mundo está total e economicamente interconectado, de modo que o que acontece em qualquer parte do mundo que tenha alguma relevância interfere em todo o planeta, então, não podemos dissociar o Brasil do resto do mundo, em nenhuma área, em nenhum momento.

Para melhor entendimento vamos abordar os fundamentos que suportam o titulo deste artigo em 3 abrangências:

Abrangências macroeconômicas mundiais e locais
Abrangências econômicas locais
Abrangências políticas locais

Nas abrangências macroeconômicas mundiais podemos dividir o mundo em Países economicamente fortes e economicamente fracos.

No primeiro grupo temos principalmente os Países componentes do G8, onde temos Países cujas economias influenciam a agenda global. Qualquer decisão minimamente relevante, econômica ou política, afetam as bolsas de valores de todo o mundo e interferem em preços de ativos, disponibilidades de capital. etc.

Por outro lado, temos um grupo de Países que compõem o G20 como Brasil, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia onde, ocorrendo decisões de impacto em suas economias emergentes e em crescimento, podem também afetar a economia mundial, claro que com menos intensidade que decisões tomadas pelo componentes do G8.

Infelizmente a pandemia afetou sobremaneira a economia de todos os Países e as respostas foram tão mais fortes no sentido da recuperação quanto a capacidade econômica dos Países citados.

Os Países mais fortes componentes do G8 aplicaram trilhões em suas economias no sentido de resguardar suas empresas e seus mercados de turbulências maiores, mas mesmo assim alguns desses Países tiveram solavancos importantes em suas economias, como por exemplo a Turquia, motivados por problemas políticos internos, conflitos com outras economias, embargos, altíssima divida acima de 170% de seu PIB, isso tudo agravado pela pandemia.

Por outro lado, tivemos os USA que disponibilizaram só neste último mês 1,86 trilhões de dólares para sustentar um padrão mínimo de ações econômicas de tal forma que pudessem manter sua economia rodando; até porque uma derrocada em sua economia levaria junto todo o mundo. Essas ações mantiveram o desemprego em níveis toleráveis, a sociedade, principalmente aquelas pessoas que mais foram afetadas continuaram a consumir pois receberam recursos a fundo perdido, uma espécie de auxilio emergencial na ordem de até 3.000 dólares por pessoa.

Assim, o mundo sofreu forte solavanco com a pandemia, mas continua com suas bases econômicas, salvo algumas exceções, e em pleno funcionamento suportando a retomada.

No aspecto macroeconômico local, Brasil, temos alguns senões, mas no geral a retomada está relativamente garantida se não houver sobressaltos e principalmente rupturas com envolvimentos políticos, senão vejamos.

O Brasil possui reservas internacionais na ordem de 360 bilhões de dólares, em torno de 2 trilhões de reais ou 30% do PIB de 2020, o que configura um importante ancora de sustentação e um seguro contra qualquer crise.

A economia o Brasil, apesar dos pesares, e estamos falando macroeconomicamente, continua a funcionar, especialmente suportado por um sistema financeiro forte e saudável, por um agronegócio que só cresce fruto de melhorias de produtividade e um mercado sedento de commodities, aumento de área de plantio e de aumento de demanda e dos preços,

Alguém poderia contra argumentar: Ah, mas o dólar está muito alto! Sim, está realmente além do preço saudável preconizado por agentes econômicos, mas são reflexos internos, basicamente expectativas quanto a situação fiscal do Brasil, deterioração das contas públicas, baixa taxa de juros, o que resulta em saída de recursos do País.
O Real foi a pior moeda em termos de desvalorização entre as 30 moedas mais negociadas no mundo. E isso traz outras preocupações, como por exemplo inflação pois se os preços de commodities nas quais estamos ancorados sobem sem efeitos de baixa no cambio o resultado e um aumento na inflação, alias já detectado pelo Bacen que já subiu a taxa básica para 2,75% a.a. e deve fechar 2021 na casa pelo menos dos 5% a.a.

Mas as perspectivas são boas para a economia. A indústria está bastante melhor do que os melhores prognósticos evidenciando confiança na retomada, crescimento previsto para 2021 continua acima de 3,6%, o emprego está crescente tendo gerado mais de 400.000 vagas formais apenas em fev./21, crédito cresceu em 2020 mais de 15% x 2019, aliás melhor entre todos os emergentes, e sob controle sem inadimplências preocupantes, financiamento imobiliário saudável e crescente.

A área de infraestrutura, principalmente, vem trabalhando a todo vapor com finalizações de importantes obras pesadas que estavam paradas a 10, 20, 30 anos, leiloes e concessões importantes sendo feitas como energia, portos, rodovias, aeroportos etc.

Com a retirada do auxilio emergencial em jan. e fev./21 esperava-se um baque no consumo que surpreendentemente não ocorreu; e ainda temos a perspectiva de crescimento geométrico da vacinação o que tiraria do horizonte maiores efeitos negativos da pandemia. Então podemos dizer que o Brasil avança.

No aspecto das reformas, depois de 2 anos de uma letargia inexplicável, exceto pelos interesses políticos, com o rearranjo do Congresso, novos presidentes da Câmara e do Senado, mais alinhados com o Governo que agora detém maioria de 2/3 dos parlamentares, as perspectivas são de que as medidas estruturantes serão votadas e daremos mais um passo adiante. O Governo não parou, apesar do barulho feito nas mídias sociais, motivado muito mais por uma politização de tudo e de todos do que propriamente calcado em problemas concretos e/ou deteriorações econômicas.

O que pode nos tirar o sono? Basicamente 2 coisas: O aprofundamento do déficit fiscal e a ruptura política.

No primeiro caso espera-se que o orçamento 2021 votado recentemente e que, mais uma vez se viu ações nefastas de políticos que aumentaram o valor de suas verbas parlamentares para mais de 50 bilhões, espera-se que seja ajustado pacificamente no Congresso ao invés de ser vetado pelo Presidente, de modo a se adequar e refletir a real capacidade fiscal do País, e isso só o Congresso pode fazer.

No segundo caso, espera-se que as forcas políticas e principalmente as instituições se preocupem em manter o equilíbrio de suas ações dentro de suas respectivas áreas de poder sem interferências de uma instituição/poder em outro de modo a manter uma relação harmônica entre si, focando os esforços no resultado e não nos problemas.

Então podemos afirmar sem medo de errar, o Governo e o Brasil avançam e vamos superar nossas dificuldades momentâneas e, quando isso ocorrer, o crescimento não será de apenas 3,6% como previsto para 2021, mas será com certeza acima de 5% ao ano, retomada dos empregos etc.


Elizeu Lima

Graduado em Administração, Contábeis e Direito, MBA em administração e
finanças, atuante no mercado internacional de M&A, palestrante nacional e
internacional nas áreas de economia, finanças e investimentos no Brasil.

Notícias Relacionadas