ARTIGO | Propósito sim, mas com dinheiro no bolso

14 de Fevereiro de 2018

O que faz o jovem “milennial” feliz?

 

por Carla Virmond Mello*

 

Pesquisa divulgada pela PUC do Rio Grande do Sul põe abaixo o discurso até então disseminado sobre o que faz o jovem “milennial” feliz. O levantamento, realizado em 2017 com 1.640 jovens entre 18 e 34 anos, mostra que a geração “Nem-Nem” (nem trabalha, nem estuda) parece estar mudando de ideia. Até pouco tempo atrás, raros eram os jovens que, quando questionados sobre suas expectativas, declaravam estar dispostos a suportar um emprego desagradável em favor do salário. Evidente que todos queriam (e querem) ficar ricos, porém, o esforço necessário para tornar esse desejo realidade não era considerado. A questão do propósito, ou seja, o sentido do trabalho, era mais valorizada do que o retorno financeiro, dando a ideia de que trabalhar somente por prazer seria sempre possível. 

No entanto, os resultados da pesquisa indicam que os jovens, ao entrar no mercado de trabalho e se defrontar com a vida como ela é, estão dispostos a dar duro para ganhar dinheiro. Valores se invertem, o dinheiro passa a ter maior importância. Vários fatores, comuns a todas as gerações, interferem nessa mudança de comportamento. Por um lado, a dificuldade dos pais ou provedores em manter a tutela financeira de filhos adultos por longo tempo. Por outro, a busca por autonomia, independência e identidade por parte dos jovens. Isso tudo agravado por uma crise financeira sem precedentes e com impacto direto nos empregos e na estabilidade das famílias.

Esses jovens, hoje dispostos a trabalhar duro e começar como em todo começo, viram seus pais perdendo emprego e negócios, as economias se acabando e o nível de vida decaindo. Perceberam a importância de ganhar dinheiro para manter seu padrão. Essa geração também, como as anteriores, vai procurar satisfazer suas necessidades de acordo com o grau de importância dos seus desejos – a hierarquia das necessidades humanas continua existindo, parece não ser uma questão de gerações, mas uma condição humana natural.

Convém repensar conceitos e o papel como pais e educadores, pois o excesso de paternalismo, condescendência, disponibilidade de recursos a qualquer tempo e a qualquer hora, a procrastinação de entrega de responsabilidades e a infantilização de jovens adultos criará baixa maturidade – e a demora para levar a vida a sério . Afinal, são as regras que determinam o comportamento das pessoas e comportamentos, fundamentais para moldar um futuro melhor.

 

*Carla Virmond Mello é consultora de carreira e diretora da Lee Hecht Harrison (LHH) para o Sul do Brasil