Coluna Economia | Como exercer seu real direito à privacidade

11 de Julho de 2021

por Eduardo Erlo

“Ninguém será sujeito à interferência na sua privacidade, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.” Esse trecho da Declaração Universal dos Direitos Humanos se torna cada vez mais fundamental à medida que o mundo virtual e o real se fundem, dando um novo significado à privacidade. Marcas e empresas que identificam essa questão estão buscando soluções para proporcionar mais segurança para clientes e usuários.

Recentemente, discussões sobre privacidade e segurança de dados vêm sendo mais corriqueiras. Tomando o devido espaço nas decisões das pessoas sobre, por exemplo, a escolha ou não de empresas para a realização de serviços (de qualquer tipo) de acordo com a maneira como as mesmas utilizam, armazenam e manipulam os dados de seus clientes.

Outro fator que definitivamente exerce grande influência para a adoção de medidas de reforço da privacidade por parte das empresas é a Lei Geral de Proteção de Dados. Em 2020, mais precisamente no dia 18 de setembro, a LGPD entrou em vigor no Brasil. A lei foi inspirada na General Data Protection Regulation (GDPR), a Regulamentação Geral de Proteção de Dados, criada pela União Europeia (UE) e vigente desde maio de 2018.

Esta lei estabelece como coletar, armazenar e compartilhar os dados pessoais e sensíveis de clientes e consumidores, tanto por meios físicos quanto digitais. Estão sujeitas às normas da LGPD empresas públicas e privadas, independentemente de tamanho e segmento da economia, que atuam no país e usam dados pessoais em suas operações.

Com isso em mente e procurando não perder a fatia em constante crescimento de clientes mais cientes da relevância da privacidade em suas vidas, diversas empresas vêm buscando demonstrar publicamente que respeitam dados pessoais e que possuem formas de evitar o vazamento dos mesmos.

A consequência disso é que algumas empresas têm dedicado orçamento de marketing para exibir propagandas em canais de televisão passando a ideia de privacidade e segurança nos dados de seus clientes. 

E qual o problema? Bem, o problema é que isso é vendido como um diferencial sobre os concorrentes, quando deveria ser uma obrigação básica de qualquer empresa com seus clientes e parceiros.

Elas dizem: "Nós cuidamos da sua privacidade”. Mas, será que a “privacidade” fornecida por empresas tradicionais, entre elas instituições financeiras, pode realmente ser chamada de privacidade? Utilizar verba de marketing para afirmar que preservam a privacidade de seus clientes não é tão importante quanto mostrar como realmente o fazem.

Blockchain e Criptomoedas

A melhor forma de realmente respeitar a privacidade de alguém, é simplesmente não possuir dados pessoais dos clientes. Afinal, se o dinheiro é seu, porque você não é livre para utilizá-lo quando quiser e da forma que quiser?

Por motivos óbvios, como fornecimento de crédito e controle contábil, ainda precisamos fornecer alguns dados privados para as empresas. Apesar de sempre solicitarem mais dados que o necessário.

A boa notícia é que, gradativamente, a tecnologia da blockchain e consequentemente das criptomoedas está mudando esse cenário.

Com essa poderosa tecnologia, cada pessoa é livre para criar e utilizar quantas carteiras diferentes quiser para armazenar e transacionar seus ativos digitais, sem precisar fornecer nenhuma informação pessoal ou pedir autorização à nenhuma instituição para que tenha uma conta bancária aberta, com a posse da chave privada, que dá acesso à sua carteira de ativos na Blockchain, apenas a pessoa tem acesso a movimentar seu dinheiro, e é livre para fazê-lo quando bem entender.

E como isso por si só já não fosse uma excelente notícia, ainda falta mencionar que as Blockchains mais famosas, como o Ethereum, são completamente descentralizadas, ou seja, os dados são compartilhados por milhões de computadores ao redor do globo, tornando toda a informação confiável, facilmente auditável, e resistente à censura.

Você entende, agora, porque há resistências às criptomoedas e muitos setores são tímidos ao falar de suas vantagens, focando apenas nas partes que consideram negativas?


Eduardo Erlo é Gerente de Marketing da América latina na Status.im, empresa cujo objetivo é garantir os direitos individuais através da descentralização e criptomoedas . Graduado em Ciência da Computação pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), exerce funções há mais de 10 anos na área de tecnologia, passando por cargos em empresas do Brasil, Europa e Estados Unidos. Especialista em criptomoedas, estuda e atua com tecnologias relacionadas à blockchain há pelo menos três anos. Através da internet, a partir de Florianópolis, onde reside, trabalha conectando profissionais do setor financeiro e de comunicações para garantir a evolução do conhecimento tecnológico para um número cada vez maior de pessoas.

 

Coluna Economia

  • imagem de economia
    Espaço colaborativo destinado à divulgação de conteúdo e notícias relacionadas à macroeconomia. Os autores dos artigos são profissionais e empresários que atuam em Santa Catarina e vivenciam as movimentações do mercado. Eles foram selecionados com base na qualidade do que entregam em suas empresas, a facilidade de entender o que publicam e o conhecimento da ciência econômica.

Notícias Relacionadas