Millenials no comando, teletrabalho, modelos escaláveis: Conheça as tendências que estão moldando o futuro dos negócios

16 de Setembro de 2020

Em meio aos desafios impostos pela pandemia de Covid-19, executivos de quatro empresas de tecnologia enumeram as mudanças com maior impacto daqui por diante

Fazer reuniões online, trabalhar em casa e resolver tudo por aplicativos já são rotina para os profissionais brasileiros. Há seis meses, empresas e seus funcionários ampliaram o uso de ferramentas tecnológicas no dia a dia, para garantir que os negócios continuarem funcionando.

Nesse cenário, é possível identificar as tendências que estão moldando o futuro dos negócios? Especialistas afirmam que sim. Algumas, vieram em função da pandemia. Outras, apenas foram aceleradas pela Covid-19, mas já eram um caminho certo. Quatro executivos de empresas de tecnologia apontam as que consideram ser as principais mudanças. Confira:

 

       1.Trabalho remoto (e não apenas nas emergências)

Algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo já anunciaram a extensão do home office iniciado com a pandemia de coronavírus. Em Florianópolis, a HostGator - multinacional de hospedagem de sites - é uma das que optaram por esse caminho. Os colaboradores, que trabalham de casa desde meados de março,  permanecerão nesse sistema até junho de 2021. "Foi uma decisão global, pautada nas percepções dos líderes da empresa em todos os países em que opera", diz Giulianna Boscardin, head de Pessoas da HostGator na América Latina.

A percepção na HostGator é de que prorrogar o home office de pouco em pouco estava gerando mais ansiedade nos colaboradores. Como a produtividade se manteve, a manutenção do sistema foi possível. “Com a nova data, nossa intenção foi trazer segurança e estabilidade, além de dar a oportunidade de as pessoas se conectarem com suas famílias, decidirem o que fazer com aluguéis ou até mesmo escolher investir ou não em estações de trabalho mais confortáveis em suas casas”, diz Giulianna. Segundo ela, mesmo que os escritórios comecem a reabrir, a intenção é manter a decisão. “Caso alguém, por motivos pessoais, deseje voltar ao escritório antes de junho de 2021, vamos analisar os casos individualmente".

 

     2. Transformação digital em todas as áreas

A transformação digital é um exemplo de algo que, inevitavelmente, já aconteceria, independentemente do coronavírus. Porém, a necessidade do processo se tornou ainda mais clara com o momento atual. Muitas empresas e organizações precisaram buscar soluções que dessem a possibilidade de continuarem seus negócios apesar da pandemia. É essa a percepção de César Schmitzhaus, diretor de Tecnologia e Inovação da Teltec Solutions. A empresa, com sede em Florianópolis (SC) e filiais em São Paulo (SP) e Brasília (DF), é uma integradora de tecnologias e implementa serviços digitais em empresas, como Cloud as a Service, tanto no setor privado quanto público.  "Nesse período em que todos precisaram ir para casa, ajudamos vários governos estaduais, órgãos públicos e empresas a se organizarem ao momento, quando estava mais crítico", conta.

Schmitzhaus aconselha ainda que, para a transformação digital, "uma das principais questões é que a alta gestão da empresa consiga ver que a TI precisa ser estratégica e não apenas como um setor operacional ou para apagar incêndios". Com o surgimento de novas tecnologias, os profissionais precisam estar atentos às inovações que podem significar a sobrevivência dos negócios. "É a principal questão, na minha visão", compartilha César.

     

       3. Os millennials no comando

Ninguém conhece a tecnologia como os millennials, e o futuro do trabalho já é fortemente influenciado por eles. Embora muitas sejam as opiniões sobre essa geração, o fato é que eles já ocupam posições de liderança. Com essa nova configuração, novos valores também vêm sendo enfatizados, como inovação e aprendizagem constante. “Essa geração, da qual eu também faço parte, cresceu em uma época em que a tecnologia estava evoluindo rapidamente e essa tendência foi incorporada na nossa forma de trabalhar. Com metodologias ágeis, liderança horizontal e grande adaptabilidade”, explica Guilherme Verdasca, CEO da fintech open banking Transfeera. Os millennials entendem a importância de otimizar processos e o quanto a tecnologia pode impactar diretamente no aumento da produtividade.

“Outro valor importante dessa geração é a capacidade de trabalhar remotamente e ter um horário flexível. A tecnologia nos permitiu conexão em qualquer lugar e a qualquer hora. O líder pode estar na sede da empresa na Alemanha e o liderado no Brasil, e o trabalho vai acontecer. Para o mundo moderno, globalizado e sem fronteiras, isso é um ganho extremamente importante”, completa Verdasca. À medida que essa nova geração assume os postos mais altos, a tecnologia e adaptabilidade se tornam marcas registradas do trabalho. 

 

       4.  A busca por modelos de negócio escaláveis

A transformação digital impulsionou a chegada de startups com modelos de negócio facilmente implementáveis e que se adaptam com mais agilidade. Mas nem todas as startups alcançam o sucesso de maneira rápida, e é aqui que entram as scale-ups, empresas que crescem, ao menos, 20% ao ano por três anos consecutivos. “Esse tipo de empresa tem um desenvolvimento escalonável, independente do porte ou do setor de atuação”, explica Jonatan da Costa, CEO da Área Central, que é uma scale-up especialista em tecnologia para gestão de centrais de negócios. Os modelos escaláveis são uma tendência para o futuro dos negócios. No caso da Área Central, a empresa cresceu nos últimos três anos mais de 40%. Somente em 2019, o crescimento foi de 76%.

“Tornar um negócio escalável não é tarefa fácil. É preciso sonhar grande e ter foco, além de traçar uma estratégia que gere desenvolvimento sustentável. As empresas que escalam com base em um modelo de negócios inovador podem gerar empregos e renda, assim como buscam eficiência”, diz Costa. Mesmo que as scale-ups representam apenas 1,3% do total de empresas brasileiras, elas já são responsáveis pela geração de 46% dos novos postos de trabalho, segundo o estudo Estatísticas do Empreendedorismo, publicado pelo IBGE.

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