Indústria criativa de Santa Catarina uni-se para buscar novos modelos de negócios

29 de Novembro de 2017

Empresas de mídia e entretenimento realizam planejamento estratégico do setor, com foco no conceito de transmídia.

foto: Filipe Scotti

A indústria criativa de Santa Catarina, com foco em mídia e entretenimento, está construindo o planejamento estratégico do setor para encontrar novos modelos de negócios. Oito tendências orientam o plano. Entre elas, destaca-se a transmídia, que significa criar negócios baseados numa determinada propriedade intelectual autoral que dê origem a diferentes tipos de produtos e receitas. Um exemplo disso é a Turma da Mônica, que começou com histórias em quadrinhos, mas ganhou outras mídias (desenho em TV, filme, produtos licenciados, etc.). A iniciativa faz parte do Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC), da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O encontro para a elaboração do planejamento foi realizado nesta quarta-feira (29), em Florianópolis, com a participação de representantes dos segmentos audiovisual, games, TV, rádio, eventos de entretenimento, música, mercado editorial, publicidade, expressões culturais, patrimônio, artes e instituições de ensino.

A indústria criativa passa por forte expansão e transformação no mundo. Santa Catarina tem vocação para esse setor, mas o Estado tem atraído uma parcela pequena dos investimentos disponibilizados por meio de mecanismos federais de fomento para os segmentos criativos. O volume de investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) alcançou R$ 622 milhões em 2016. Os estados que apresentam maior utilização dos recursos do FSA são Rio de Janeiro e São Paulo (71% do total). Santa Catarina encontra-se na 16ª colocação, com a utilização de R$ 1,79 milhão dos recursos disponíveis.

Além disso, a convergência digital tem mudado a forma e os meios pelos quais a informação chega ao consumidor final. Os serviços Over-The-Top (OTT), que são as transmissões de conteúdo audiovisual e música por meio de plataformas IP diretamente ao consumidor final, sem o controle dos distribuidores tradicionais desse conteúdo, estão ganhando relevância. O Netflix é um exemplo. Ele alcança o consumidor sem precisar de uma operadora de TV por assinatura. Em 2017, o Netflix, que tem 50 milhões de assinantes, superou o número total de assinantes de TV por assinatura nos Estados Unidos (48 milhões). Nos últimos cinco anos, a TV por assinatura perdeu quase 10% dos assinantes (4 milhões). Pesquisa da CVA Solutions revela que mais de dois terços dos consumidores brasileiros assistem a filmes on-line; 36,2% utilizam Netflix e 24,5% o YouTube. O número de pessoas com smart TVs aumentou de 27,8% em 2016 para 35% em 2017. Veja abaixo outras tendências.

O diretor de desenvolvimento institucional e industrial da FIESC, Carlos Henrique Ramos Fonseca, disse que por meio do PDIC a entidade monitora as tendências com o objetivo de antecipar aos setores as tecnologias disruptivas ou não que podem afetar diretamente os negócios. “Um dos objetivos do monitoramento é identificar tecnologia emergente. A indústria criativa tem suas particularidades, mas é transversal a vários setores, como turismo, cultura e tecnologia da informação e comunicação. Por isso, decidimos construir uma rota estratégica específica, até pela potencialidade do Estado, que é reconhecido como um ecossistema de inovação ímpar em nível nacional. Então temos potencial de ser líder nesse setor”, explicou.

No período de 2011 a 2016 percebe-se crescimento de aproximadamente 13% no número de estabelecimentos para o setor criativo em Santa Catarina, que tem 1.545 empresas, sendo 83% microempresas. Do total das companhias do setor, 44% pertencem ao segmento de publicidade e pesquisa de mercado, seguido de rádio e TV 17,4%. No quesito emprego, as companhias que mais empregam são as de pequeno porte, com 49% das vagas. Do total de empregos da indústria criativa, 43,7% pertencem as atividades de rádio e televisão, seguido por publicidade, com 28,3%.

Fundo Social: é uma iniciativa da FIESC, por meio do SESI, que oferece gestão de projetos sociais beneficiados por legislações de renúncia fiscal. Em Santa Catarina mais de duas mil empresas atuam no regime de lucro real e representam um volume de R$ 200 milhões que podem ser aplicados em projetos sociais dentro do Estado. Muitos destes recursos não são utilizados ou acabam sendo pulverizados para outras regiões do País pela ausência de projetos bem elaborados. Podem fazer uso dos incentivos fiscais federais as empresas de lucro real, destinando até 9% do Imposto sobre a renda das pessoas jurídicas (IRPJ) para projetos nas áreas de saúde, esporte, cultura, idoso, infância e adolescência, por meio das leis federais PRONAS – Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência, PRONON – Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica, Lei de Incentivo ao Esporte, Lei Rouanet e Lei do Audiovisual, Fundo do Idoso e Fundo da Infância e da Adolescência.

Na abertura do encontro, o presidente da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), Rodolfo Pinto da Luz, destacou a importância do Fundo Social e disse que há uma série de incentivos no País, mas que não são aproveitados de forma significativa. “A lei Rouanet, muitas vezes questionada, tem tido uma importância fundamental para todo o desenvolvimento do setor cultural. E temos que batalhar para que ela continue existindo”, afirmou, lembrando que precisa de aperfeiçoamento. “No Brasil está disponível cerca de R$ 1,2 bilhão para aplicar, mas apenas 30% desse valor é captado e aplicado dentro da lei Rouanet”, completou, lembrando que esse percentual também vale para Santa Catarina.

PDIC: o Programa tem o propósito de identificar oportunidades de crescimento para Santa Catarina nos diversos setores industriais e fortalecer o protagonismo do setor no cenário nacional e internacional. Até o momento, o Programa envolveu 16 setores e foi dividido em três grandes etapas: setores portadores de futuro para a indústria do Estado, rotas estratégicas setoriais e masterplan.

Outras Tendências:

OTT Content: Os serviços Over-The-Top (OTT) são as transmissões de conteúdo audiovisual e música por meio de plataformas IP diretamente ao consumidor final, sem o controle dos distribuidores tradicionais desse conteúdo (como as empresas de radiodifusão, operadores de TV por assinatura e empresas de telefonia).

Mídia programática: é a compra e venda de anúncios publicitários de forma automatizada. Os dados sobre o comportamento do consumidor orientam o processo de comercialização dos anúncios, realizada em tempo real ou quase real. Um exemplo é a oferta em tempo real (Real Time Bidding, RTB) – a compra e venda de impressões de anúncios on-line, usando dados para segmentar melhor a audiência. Projeções do instituto Magna Global apontam que nos Estados Unidos a compra programática da TV linear atingirá, em 2019, cerca de 20% do total de investimentos publicitários da TV norte-americana. O percentual deverá atingir os 50% em menos de cinco anos.

Content commerce: Empresas de mídia podem ir além do modelo de negócio de venda de espaço publicitário, avançando para a criação de “marketplaces”. Modelo em que o veículo de mídia passa a fazer a curadoria e venda on-line de produtos associados ao seu conteúdo.

Turismo criativo: oferece aos turistas a participação ativa em experiências de lazer e aprendizado, baseadas em histórias e emoção, que sejam características do destino. A indústria criativa de SC pode fabricar novas atrações turísticas baseadas em conteúdos, eventos e estabelecimentos de entretenimento que fortaleçam ainda mais o setor em SC.

Internet das Coisas (IoT): A “Internet das Coisas” propõe conectar à Internet os dispositivos eletrônicos utilizados no dia a dia, permitindo que eles se comuniquem de forma automatizada. A Internet das Coisas cria possibilidades completamente novas para a elaboração de produtos e serviços de mídia e entretenimento, com alto grau de personalização revolucionário.

Realidade Virtual Massificada: Alguns fatores estão contribuindo para tornar os dispositivos e conteúdos de realidade virtual um produto de massa: aumento do poder de processamento dos smartphones, aumento da velocidade da internet móvel e barateamento dos óculos e capacetes de realidade virtual.

Oriundo da FIESC.