Diretora de escola de idiomas em Joinville faz imersão no Vale do Silício

26 de Novembro de 2018

Nesta entrevista, Luiza conta um pouco do que tem visto no Vale do Silício, como a surpresa com a enorme facilidade encontrada em regulamentar um empreendimento por lá

Foto: Divulgação

A empreendedora Luiza Meneghim, proprietária da MyTarget Idiomas, em Joinville, conclui até o final do ano um ciclo de cinco meses de imersão no mais célebre polo de inovação e tecnologia dos Estados Unidos, situado na região próxima a São Francisco, Califórnia. Por lá, tem visitado empresas como Google e Tesla, além de marcar presença em inúmeros eventos, em busca das últimas tendências em educação, inovação e tecnologia – um de seus objetivos é, a partir do próximo ano, promover pontes entre empresas brasileiras e o mercado norte-americano. Para março, ela já programa uma turma de intercâmbio em São Francisco, que irá mesclar a prática do idioma com networking e visitas na área da inovação. Leia a entrevista que Luíza concedeu ao portal com apoio da Mercado Comunicação.
 

Como você está avaliando a importância dos contatos e visitas?    

Eu me encontro em uma fase de bastante aprendizado. Vim para conferir de perto o que está acontecendo de mais moderno, tecnológico e disruptivo em São Francisco, onde nasce todo esse movimento. Tenho visitado escolas, aceleradoras e empresas inovadoras, participando de meetups, conferências e workshops, para conhecer as tendências em inovação.

 

Quais os locais mais interessantes que você conheceu?    

Com certeza, um deles é a sede da Google. É um ambiente inovador em si. Achei interessante observar como todas as “distrações” no ambiente de trabalho podem ajudar na criatividade e na produtividade. Sala de música, de videogame, vários refeitórios, academia, sala de massagem, de cabeleireiro, de meditação e tantos outros ambientes existentes lá dentro são facilidades e experiências que todos os profissionais da região esperam quando procuram um empregador. Os eventos grandes são surpreendentes, pela quantidade de pessoas que reúnem para apresentar as maiores inovações no mundo. Estive no Dream Force, um evento da Sales Force, no Oracle Open World, da Oracle, uma empresa talvez menos “queridinha” no sentido de ser moderninha – mas que sempre traz inovação de uma forma bastante sólida. Esse evento, particularmente, foi bastante técnico, mas me permitiu algumas percepções interessantes, e na feira de negócios pude aprender um pouco mais sobre a indústria 4.0 e sobre o ecossistema ao redor desse assunto. Outro evento incrível foi o TechCrunch Disrupt San Francisco, de um dos mais influentes portais de notícias de tecnologia do mundo, o TechCrunch. Em todos eles, aprendi coisas diferentes. 

 

Na prática, de que modo você espera que a viagem impacte na gestão da escola e em novos projetos?    

Estou buscando inovações na educação e estudando alguns projetos. Visitei escolas inovadoras pensando em ajudar a transformar a educação de Joinville em referência nesse campo. Estive na Brightworks School, em São Francisco. É uma escola disruptiva, “mão na massa”: quase não se usa livros da maneira como fazemos no Brasil. Eles dividem o ano em trimestres. No último trimestre, por exemplo, o tema foi “coração”. A escola inteira trabalhou em torno desse tema, cruzando o currículo com as demandas exigidas pelas diretrizes de educação. Cheguei lá no dia da apresentação de final de trimestre. As crianças haviam construído um coração inflável gigante, com válvulas, artérias. Outra turma estava em outro espaço, dissecando corações de animais, como vaca, ovelha, galinha. Eles aprendem a ciência fazendo, aprendem as coisas na prática. Muito diferente do que temos no Brasil. Dessa forma, podem ficar algumas brechas de conteúdo programático, mas as crianças alcançam uma desenvoltura tão grande que, se em algum momento mudarem de escola, ou quando forem aplicar para universidades, tornam-se capazes de buscar as informações que possam ter faltado. A visita à Brightworks foi surpreendente. Postei um vídeo em 360o, mostrando o lugar. As crianças não são separadas por série, mas por “bands”, grupos de idade e competências emocionais. Sempre há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e as crianças são incentivadas a ter iniciativa, trabalhar em equipe, desenvolver as habilidades do século 21.     

 

E que projetos você irá implementar a partir daí?

Estou buscando novidades para levar para a educação no Brasil. Além disso, estou trabalhando com algumas startups da Bay Area que pretendem entrar no mercado brasileiro, e também entendendo como trazer empresas brasileiras para cá. Esse é um projeto pessoal no qual estou bem interessada. Então são duas linhas: uma de novidades na educação, e outra de trazer riquezas para o nosso país, na forma empresas e investimentos de fora, como também ajudar as empresas a se posicionarem no mercado no exterior. Estou fazendo esta trilha, que envolveu a abertura de uma empresa na Califórnia para esse projeto, o que foi surpreendente pela facilidade, velocidade e baixo custo do processo. Tem sido uma experiência de imersão cultural incrível, e espero utilizar esses conhecimentos para ajudar no desenvolvimento de nossa cidade e região. Recomendo muito a experiência de passar um tempo fora absorvendo novas ideias. Em março, trarei um grupo para um programa de intercâmbio voltado ao aprimoramento do inglês e à imersão em empreendedorismo com visitas e eventos em inovação, tecnologia e novas tendências. Será uma experiência incrível para profissionais de qualquer segmento, pois aqui há muito de tudo.