ARTIGO | Como formar mão-de-obra em um mercado inexistente?

21 de Fevereiro de 2018

por Aldo Luiz Mees*

 

Em 1996 ainda não havia internet comercial no Brasil. Os primeiros portais começaram a surgir dois anos depois, quando a antiga Embratel, ainda estatal, autorizou as primeiras conexões. Era uma novidade para empresas, usuários e principalmente, para os órgãos públicos de todo o Brasil.

Vinte e um anos depois, a rede mundial de computadores está se tornando cada vez mais indispensável, assim como a água, a energia elétrica e o petróleo. Por quê? Nesse ínterim, as instituições descobriram a importância dessa tecnologia, e a capacitação ajudou a expandir o potencial dela para praticamente todas as atividades humanas. Mas para que chegássemos até aqui, não foi fácil.

Imagine qual era o cenário em uma cidade do interior catarinense três décadas atrás. Distante cerca de 200 quilômetros da capital Florianópolis, Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, tinha pouca relação com o setor tecnológico. Talvez apenas alguns jovens sonhassem em fazer um curso superior nesta área, já que isso demandaria recursos e estrutura suficientes para mantê-los em outros municípios. Empreender nesta área então, nem pensar.

Mas pensamos —  e executamos. E conseguimos buscar um espaço que hoje é mais uma oportunidade para a formação de jovens, que não precisam mais ficar distantes das suas famílias para crescerem profissionalmente. Eles ficam perto da terra deles, geram riquezas e investem no seu lugar. Mas como foi possível mudar essas realidade? Por meio de parcerias.

Quando fundamos uma “fábrica de softwares” no Alto Vale do Itajaí, não encontrávamos mão-de-obra qualificada. Não havia cursos, e os profissionais tinham que vir de fora. Aos poucos o mercado foi sendo formado: uma empresa precisava de gente especializada. Mas ao invés de continuar importando essa força de trabalho, aproximações como a que ocorreu com a Fundação Educacional Hansa Hammonia, na cidade vizinha de Ibirama, permitiram lançar uma semente de desenvolvimento completamente nova. Em pouco tempo tínhamos instalado na região o primeiro curso de Sistemas da Informação. Fornecemos os equipamentos, montamos os laboratórios e concebemos o embrião do que seria o programa Jovens Talentos, que existe até hoje e é responsável por 20% do total de colaboradores que atuam na empresa atualmente. De lá pra cá, diversas faculdades procuraram a região e elevaram o Alto Vale do Itajaí a outro patamar educacional e profissional. 

Quando se quer, nem a ausência de estrutura impede o desenvolvimento.

*Aldo Luiz Mees, administrador e diretor da IPM Sistemas