Acadêmicos da Faculdade Energia desenvolvem projeto especial para auxiliarem mulheres a empreenderem em meio à pandemia

31 de Julho de 2020

Projeto envolve 44 alunos, 7 professores, 3 técnicos e voluntários

 

 

 

Já virou clichê dizer que, em meio à pandemia, a educação é uma das áreas que mais teve que se reinventar. Antenados ao momento, a Faculdade Energia, em parceria com a Coordenadoria das Políticas Públicas para Mulheres, da prefeitura municipal de Florianópolis, está desenvolvendo um novo projeto, envolvendo acadêmicos dos cursos de administração, ciências contábeis, design e sistemas da informação, nas disciplinas de estágio e nas aulas práticas de laboratório. A instituição buscou alternativas diferenciadas para a formação obrigatória de seus acadêmicos por meio de um convênio com prefeitura – Coordenação de Políticas Públicas para as Mulheres, oficializando essas práticas e vivências a partir de um programa de extensão que oportuniza “o ouvir” como competência humana.

 

Por meio das disciplinas de estágio, programação web e fotografia e tratamento de imagem, os alunos desenvolvem ações para um grupo de mulheres empreendedoras, menos favorecidas, com dificuldades nesse momento de pandemia.

 

Intitulado Projeto Especial Covid-19 tem como objetivo buscar soluções para atender segmentos da sociedade, durante a pandemia do Covid 19 e é coordenado pela professora Déborah Riggenbach, envolvendo 44 alunos, 7 professores, 3 técnicos e contando ainda com a parceria da Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres, órgão vinculado ao gabinete da prefeitura de Florianópolis, tendo como interlocutoras as gestoras públicas Rose Macedo Coelho e Cibeli Codeli.

 

Os alunos são orientados por professores que deverão, a partir de uma atividade de escuta, apresentar e implementar soluções para atender as mulheres empreendedoras, que foram impactadas pela pandemia COVID-19 de alguma maneira, tudo tutorado por professores da Faculdade.

 

“Chamar a atenção para a integração da prática acadêmica com as necessidades e demandas da sociedade é indispensável para formação dos alunos e desperta a cidadania por meio da interação com situações desafiadoras da realidade social, esse é nosso diferencial neste projeto”, comenta Maria Helena Kuger, coordenadora da Faculdade Energia.

 

O Projeto está sendo desenvolvido para apresentar e implementar soluções para atender as mulheres empreendedoras, menos favorecidas, de Florianópolis, que foram impactadas pela pandemia COVID-19.

 

Para as professoras Déborah Riggenbach, Sharlene Araújo e Daniel Werle, o grande mérito deste projeto é facilitar aos acadêmicos práticas nas técnicas aprendidas em sala de aula, com as finalidades de: assegurar a relação entre teoria e prática contribuindo para o desenvolvimento acadêmico e social de cada aluno, despertar a cidadania, integrando conhecimento e situações desafiadoras da realidade social e desenvolver a atitude questionadora diante dos desafios impostos pela realidade social frente a pandemia. 

 

A relevância da participação dos estudantes no Projeto Energia Covid-19  consiste para  além de cumprirem com os requisitos legais das suas formações, possam vivenciar na prática a responsabilidade social. Ao atuar junto aos grupos menos favorecidos, os discentes terão a oportunidade de observar diferentes realidades e ainda colaborar para a melhoria da fonte de renda de mulheres desfavorecidas pela pandemia, por meio dos conhecimentos que têm adquirido ao longo de sua formação acadêmica, afirma a Diretora da Faculdade. 

 

Espera-se que, ao final do Programa de Extensão Energia Cidadã o Projeto Especial COVID-19, as mulheres alcançadas pelo projeto, possam estar mais capacitadas a utilizar as soluções que permitam a ampliação e divulgação de seus negócios, com impactos na melhoria da renda e da busca por lucratividade para sua subsistência. 

 

Para os acadêmicos espera-se que o exercício das práticas possibilite a aquisição de novas competências profissionais e humanas, essenciais para a formação integral como cidadão, solidários e com responsabilidade.

 

Pesquisa do Sebrae-Nacional

A pandemia do novo coronavírus está sendo um desafio aflitivo para a maior parte dos empresários brasileiros. São poucos os setores que estão “vendendo lenços”, enquanto tantos outros “choram” ao ver seu faturamento despencar com elevado risco de perder tudo. No universo das empresas lideradas pelas mulheres, a agonia é maior, segundo pesquisa feita pelo Sebrae, que diz que 52% dos negócios tocados por elas foram afetados “temporariamente” ou “de vez” pela pandemia (contra 47% das empresas tocadas por homens). 

As mulheres são as responsáveis por quase a metade dos lares brasileiros, carregam jornadas seguidas entre o trabalho e o cuidado da família, que só aumentou desde a chegada da quarentena. Apesar do fardo a mais, elas foram mais ágeis em buscar solução digital para as vendas, 34% ante 31% dos homens, segundo a pesquisa.

As empresárias precisam 14% a menos de recursos do que os homens para manter seu negócio sem fechar (R$12,4 mil contra R$ 14,5 mil nos homens). Mas isso está longe de ser sinal de solvência do negócio. O levantamento do Sebrae mostrou que a dificuldade de acesso ao crédito está mais evidente nesta crise. Entre as donas das empresas entrevistadas, 44% afirmaram que jamais buscaram empréstimo em bancos, contra 38% dos homens. 

Desde o início da pandemia, em meados de março, apenas 34% das mulheres buscaram financiamento, parcela que sobe a 41% entre os empresários. A intenção de pedir socorro aos bancos durante a crise também é menor entre elas  (54% contra 64% dos homens). A pesquisa feita pelo Sebrae descortina evidências de que o ambiente de negócios espelha a desigualdade de gênero que impera no mercado de trabalho brasileiro, ainda que as empresárias sejam mais modernas, ágeis e contem menos com os bancos para crescer – mesmo que por imposição. 

Segundo a pesquisa, desde o início da pandemia, as empresárias demitiram menos (2 empregados ante 2 demitidos pelos homens), apesar de terem mais dívidas em atraso (34% contra 31% dos empresários). A demissão foi menor nos negócios liderados pelas mulheres, mas a suspensão do contrato de trabalho, medida possibilitada pelo governo, foi ligeiramente mais acionada por elas (31% contra 27% por eles). 
Enquanto a normalidade não retorna, ou o que venha ser o novo normal, as mulheres continuarão a enfrentar doses a mais de exigência e resistência para manter suas famílias e também seus negócios abertos.