Gabriel Bonfim abre exposição "M" em Florianópolis

31 de Maio de 2019

Portraits, videoinstalação, espaço interativo e retratos de 12 de mulheres, ícones da luta contra o machismo, intolerância religiosa, preconceito e violência sexual, fazem parte da mostra que estará no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Santa Catarina até o dia 21 de julho

Foto: Hermes Bezerra

Gabriel Bonfim, artista brasileiro radicado na Suíça, abriu, na última quarta-feira, dia 29, a exposição "M. – Meu Lugar na Sociedade", no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Santa Catarina, em Florianópolis.  O coquetel de abertura contou com a presença de artistas catarinenses, autoridades do setor cultural, empresários, comunicadores, apreciadores de arte e a apresentação especial da banda Cores de Aidê.

Em uma ação inédita em seu trabalho pelo mundo, o artista apresenta nesta exposição a Caixa de Ideias, um espaço interativo que, logo no primeiro dia da mostra, já recebeu uma série de mensagens, relatos impactantes e até desenhos artísticos deixados pelo público. "Quero conhecer histórias de mulheres catarinenses que visitam o local", conta o artista. Elas podem contar suas trajetórias e se tornarem novas personagens de seus famosos retratos.

"Tive as melhores impressões possíveis de Florianópolis e do público que compareceu na abertura da exposição. Não só pela quantidade de pessoas, que foi incrível, mas pela qualidade, envolvimento e entendimento do que é minha arte e de participação na Caixa de Ideias. A proposta de interação é essa mesmo. De que as pessoas não só entendessem o tema, mas que abrissem seus corações para compartilhar histórias dentro do debate que a exposição oferece", avalia Gabriel Bonfim.

“M” é uma referência à MULHER e, também, à MARIA, nome feminino mais popular na América do Sul. São retratos de 12 mulheres, entre elas, Maria da Penha e Luiza Brunet, que se tornaram ícones em diferentes contextos, mas sob a mesma ótica na luta contra o preconceito, a violência e o machismo.

"Essas imagens maravilhosas podem ser usadas como arte educação pela forma como são espelhados o cotidiano e os espaços das mulheres. Principalmente neste momento, que é bastante difícil tanto para a mulher criança, adolescente, adulta e da mulher na melhor idade. É um evento ímpar e que cada vez mais a gente possa trazer mostras neste sentido com reflexão para a sociedade", avalia Ana Lúcia Coutinho,  presidente da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

Os retratos das mulheres também são acompanhadas de uma videoinstalação artística com 11 telas de tablets. Nelas, Gabriel Bonfim expõe cenas de diálogos de diversas mulheres. No registro da transexual na escadaria Selarón, no Rio de Janeiro, ou da Ialorixá na igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, as imagens descortinam histórias que levam o espectador a perceber algumas das diversas dificuldades enfrentadas por essas mulheres.

Opinião do público

"Gostei muito das fotos porque retratam situações reais, além do empoderamento feminino e de histórias de empreendedorismo, também tem um olhar sobre a força destas mulheres, de que elas podem estar em qualquer lugar”, conta Laryssa Teles, executiva e gerente geral do Mercure Florianópolis Convention.

"A exposição é ampla e atinge vários recortes sociais e de agressões que as mulheres sofrem no cotidiano. Consegue também pegar a essência de cada mulher e traduzir em cores", disse Juliana Simon, empreendedora, criadora da Cosmética Sul e que também promove ações de empoderamento feminino na região da Grande Florianópolis.

"A arte do Gabriel dialoga muito com a nossa música. Tanto na parte estética com as cores, mas também da realidade, diversidade e das histórias de vida destas mulheres e seus percursos", observa Cauane Maia, cantora e percussionista da banda Cores de Aidê.

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exposição público
Foto: Hermes Bezerra