Exposições de Gabriel Bonfim chegam a Florianópolis

23 de Maio de 2019

“M” estará no Museu da Imagem e do Som entre os dias 29 de maio e 21 de julho. “Tactography” abre as comemorações dos 40 anos do Museu Histórico de Santa Catarina, em 6 de junho, e permanece aberta para visitação até o dia 28 de julho

Gabriel Bonfim traz pela primeira vez a Santa Catarina, duas exposições consagradas pelo público e universo das artes na Europa e no Brasil, no eixo Rio-São Paulo, onde já foram exibidas, pois utiliza seu talento para elaborar atmosferas únicas e promover contemplações críticas por meio do registro tanto de famosos pelo mundo quanto de cidadãos comuns. 

As duas coleções do artista desvendam, através de interação e novos formatos, dois temas sociais relevantes: a violência contra a mulher e sua ressocialização, com participação de nomes icônicos desta luta no país; e o acesso à arte por deficientes visuais, com obras que retratam o tenor Andrea Bocelli e o dançarino catarinense que ganhou fama mundial, Denis Vieira. 
     
"M. – Meu Lugar na Sociedade", é uma referência à MULHER e, também, à MARIA, nome feminino mais popular na América do Sul. São retratos de 12 mulheres, entre elas, Maria da Penha e Luiza Brunet, que se tornaram ícones em diferentes contextos, mas sob a mesma ótica na luta contra o preconceito, a violência e o machismo.
     
O artista adianta que uma ação inédita e interativa será apresentada na vernissage de "M", em Florianópolis, dia 29 deste mês, e ficará à disposição do público até o fim da exposição, dia 21 de julho. 
     
Os retratos das mulheres também são acompanhadas de uma videoinstalação artística com 11 telas de tablets. Nelas, Gabriel Bonfim expõe cenas de diálogos de diversas mulheres. No registro da transexual na escadaria Selarón, no Rio de Janeiro, ou da Ialorixá na igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, as imagens descortinam histórias que levam o espectador a perceber algumas das diversas dificuldades enfrentadas por essas mulheres.

“Busquei resgatar a história de luta destas mulheres a partir de onde as fotografei. É como se, ao retratá-las ali, nos mais belos e importantes locais no centro dessa sociedade, pudéssemos ressignificar aquele espaço e, assim, como protagonistas de suas próprias histórias, elas retomariam o seu lugar na sociedade que as marginalizou. Meu trabalho tem como objetivo trazer um pouco desse incômodo para que toque as pessoas e as leve a pensar”, afirma Bonfim.

Outra grande atração da exposição "M" é a coleção Portraits, do acervo de arte de Gabriel Bonfim, que conta com uma série de 12 imagens de retratos realizados pelo mundo. Revelam-se aqui pessoas comuns, modelos, empresários, políticos e celebridades. Segundo o artista, "é crucial conhecer a vida, os arredores e a rotina de cada uma das pessoas selecionadas para serem retratadas". 
     
Portraits, uma antiga expressão de arte, é utilizada desde os tempos dos faraós, césares e reis, passando por grandes nomes em tempos distintos, como Leonardo da Vinci, Picasso e Andy Warhol, e tem como ícone o museu inglês National Portrait Gallery, que possui uma centenária coleção de artistas.
     
"TactographyTM: Para os olhos, para os dedos", revela uma técnica única desenvolvida por Bonfim que transforma as fotos em imagens capazes de serem percebidas por deficientes visuais. 

A ideia de TactographyTM surgiu quando Bonfim realizou uma série de retratos do tenor Andrea Bocelli e de sua família, em Istambul, em 2014. Como Bocelli é cego, o fotógrafo não poderia mostrar suas fotos. Foi então que Gabriel Bonfim e seu parceiro, Thomas Kurer, buscaram uma maneira de tornar as fotografias “visíveis” para cegos e deficientes visuais. 

Depois de muito estudo em conjunto com escolas para deficientes visuais na Suíça e utilizando o método de impressão chamado estereolitografia, surgiu a “Tactography™”. Por meio do olhar único do artista junto à tecnologia suíça, que escaneia o objeto fotografado e mapeia as proporções e profundidade para criação de peças em 3D, a fotografia transforma-se em imagem para os deficientes visuais, e, ao pintá-la de branco, transforma-se em arte para os não deficientes. 

A mostra também retrata Denis Vieira, bailarino catarinense formado pelo Teatro Bolshoi, em 2000, e que atualmente é solista no Ballet Nacional da Ópera Alemã de Berlim.   

A exposição foi realizada pela primeira vez no Brasil em 2016, no MIS de São Paulo. Em 10 dias, atraiu milhares de pessoas, incluindo a cantora Anitta e sua amiga Natália Santos, blogger e youtuber (#ComoAssimCega).

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Quadro por Bonfim
Foto: Divulgação