2020: tempo de reinvenção também dos festivais de cinema

27 de Setembro de 2020

Suspender ou reinventar-se foi a questão para a maioria

 

Os festivais de cinema pelo mundo, como todo o setor cultural, estão enfrentando diferentes situações devido à pandemia. Para conversar sobre isso e sobre virtualidade e integração o FAM 2020 convidou alguns dos mais representativos festivais da América Latina para um debate on-line neste sábado.

O encontro teve a participação de Ilda Santiago (Festival do Rio), Felipe Aljure (Festival Internacional de Cinema de Cartagena/Colômbia), Alejandro Fuentes (FENAVID/Bolívia), Claudio Pereira Navarro (FICVIÑA - Festival Viña del Mar/Chile) e foi conduzido por Marilha Naccari, do FAM. O festival de Cartagena, mais antigo latino-americano, por exemplo, teve que ser cancelado. O FAM está em curso e o Fenavid começa daqui a duas semanas, enquanto que o Festival do Rio discute ainda seu formato para a realização deste ano.

“Temos um festival gigante, com 22 anos. Este ano ainda estamos numa luta pra realizar em dezembro. Não sabemos o que o público quer, como quer. Estamos vivendo momentos muito duros nos últimos anos, é preciso ter uma prefeitura que entenda a importância de um festival para a cidade, que tenhamos orgulho disso”, considerou Ilda, que também mencionou preocupação com questões como a pirataria e a remuneração dos produtores para manter a rede criativa funcionando durante a crise.

Marilha falou sobre a angústia de realizar ou não, após nove meses esperando o contrato do Prêmio Catarinense de Cinema e, como Ilda, sobre o que significa um festival para a própria cidade. “Florianópolis é uma referência de turismo, mas precisamos continuar desenvolvendo a concepção do cinema como indústria, comércio, como construção da identidade de todos nós, da alegria de nos vermos em tela”.

O FICVIÑA chega à 32ª edição, em novembro. “Não foi fácil assumir a decisão de sacrificar o presencial, é algo tremendo, cremos que festivais são na sala de cinema, no espaço público onde se vive a vida”, disse Claudio Navarro, sentimento compartilhado por Felipe Aljure: “Temos que agradecer à virtualidade, mas não podemos permitir vozes que querem normalizar isso e passar às plataformas. O presencial é um espetáculo único de encontro com outros seres humanos, de promoção de nossas cidades e dos afetos que se constroem em público”. Cartagena decidiu pela suspenção do festival, sendo parte das primeiras vítimas culturais na Colômbia, mas tenta realizar presencialmente em março.

Outro tema foi a pequena circulação dos filmes latinos entre os próprios países, que têm uma população somada de 600 milhões de pessoas e 20 mil salas de cinema.

A competição entre os festivais também foi abordada. “Os festivais se enclausuram na ideia de exclusividade, mas deve prevalecer a lógica de cooperação, a première às vezes tem um fim duplo, mas nem todos os filmes conseguem ser exibidos, existem obstáculos. Fizemos a estreia de Bacurau no Chile ano passado, um tremendo filme que queríamos exibir mas não pudemos antes, por causa das distribuidoras”, observou Cláudio.

Suspender ou reinventar-se foi a questão também para o Fenavid. “A arte nos ajuda, os festivais não poderiam estar indiferentes neste momento, decidimos pela realização. Festivais são democráticos e precisam encontrar seus nichos e sintonia com seu público, a questão é como mostrar o que as salas grandes e streaming não estão mostrando”, lembrou Alejandro Fuentes.

O 24ª Florianópolis Audiovisual Mercosul é produzido com a Lei de Incentivo à Cultura, apoio Celesc e Engie, com patrocínio do Prêmio Catarinense de Cinema, Fundação Catarinense de Cultura, Governo do Estado de Santa Catarina, BRDE, FSA, Ancine, e realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

O ECM conta com a parceria do Salón de Cali (Colômbia), Mendoza Film Lab (Argentina) e Entre Fronteras, e é uma produção da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais, com o apoio institucional da LatAm Cinema, BRAVI - Brasil Audiovisual Independente, Brazilian Content e Floripa Convention / Floripa Film Commission.

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