MEMÓRIAS: Entrevista com Felipe Vieira sócio fundador do Grupo Media Effects

11 de Fevereiro de 2015

Publicação original, março de 2013.

Fernando Moreira, Felipe Vieira e Thomas Ventura.

Uma das produtoras mais conceituadas do Sul do Brasil e detentora do título de Produtora do Ano no 6° Prêmio Catarinense de Propaganda, em 2012, a Media Effects, está completando 12 anos de atividades no segmento de  pós-produção, animação e produção de filmes. Com sede em Florianópolis, a produtora hoje tem escritórios em Porto Alegre e Curitiba. É dela a assinatura de boa parte dos comerciais produzidos em Santa Catarina, dos quais alguns já receberam reconhecimento internacional. AcontecendoAqui foi até Felipe Vieira, fundador da Media Effetcs, e traz aos seus leitores um resumo da conversa. Acompanhe:

AcontecendoAqui - Felipe, obrigado por nos receber e falar sobre você e sua empresa. Comente sobre sua formação e vivência profissional, até fundar a Media Effects.

Felipe Vieira - Comecei trabalhando em 1998 em uma empresa de painéis eletrônicos que havia na cidade de Joinville, onde nasci. Fui contratado como estagiário do setor de criação de vinhetas para esses painéis. Em pouco tempo já estava desenvolvendo as vinhetas e três anos depois era o líder da equipe. Sempre tive vontade de trabalhar com televisão, e como não havia muito desafio no que eu fazia lá decidi começar a trabalhar como freelancer para produtoras de filmes na cidade. Em 2000 decidi, juntamente com um sócio que acabou ficando por pouco tempo, abrir o meu negócio. Em 2001 registrei a empresa e comecei a atuar no mercado local como microempresário, trabalhando basicamente com vinhetas para televisão, animação e comerciais do tipo “cartão”.  

AAqui -  Você foi o sócio fundador da empresa. Fale como tudo aconteceu desde aquela época até os dias de hoje.

F. V. - Quando eu abri a empresa, não tinha muito conhecimento da parte administrativa, de negócios, mas tinha uma ideia que eu achava que era muito boa e tinha pouca concorrência. No ano 2000 falava-se muito de design — design de produto, webdesign —, mas pouco de broadcast ou motion design, e eu procurei ser pioneiro nisso. Fui talvez uma das primeiras pessoas a trabalhar com essa área especificamente em nossa região. Em 2001 a empresa foi registrada em Joinville, onde permanecemos até 2005 como estúdio de animação. Então pintou uma vontade de vir para Florianópolis, por ser um lugar de que eu sempre gostei bastante, e eu achava que o mercado seria mais propício para esse tipo de serviço que eu oferecia. O Thomas [Ventura], meu amigo de infância, desde a época em que a gente morava na pequena cidade de Araquari [região de Joinville], veio estudar na primeira turma de Comunicação e Expressão Visual da UFSC, e o Fernando [Moreira], amigo de colégio, já trabalhava comigo e também estava se formando em design. Então tive a ideia de abrir a empresa para a entrada desses dois novos sócios, com novas ideias, para o negócio criar um corpo diferente. E em Florianópolis, com um pouco de conhecimento do mercado que o Thomas já tinha, já que havia sido diretor de arte web da agência Gas-br. Com a entrada dele, a gente passou também a oferecer serviços na área de internet, que logo se tornaram serviços centrais do nosso estúdio por um bom tempo. Em 2005 estávamos em Florianópolis, na rua Ângelo Laporta, lateral da Mauro Ramos. Tínhamos uma vista bacana da Beira-mar, éramos um estúdio que respirava criação, todo mundo tinha uma cabeça bem criativa, pouco comercial ou administrativa... Tudo que a gente fazia era de uma forma diferente, inovadora. Mudamos para a SC 401 em 2008. A partir daí também incorporamos a produção de filmes, pois a gente sentia uma necessidade do mercado, que já confiava bastante no nosso serviço, e porque muitas vezes a gente não conseguia viabilizar a computação gráfica junto com a filmagem. E deu supercerto, as agências compraram a ideia e a gente passou a filmar bastante a partir desse momento. Em 2008 a gente conseguiu também empreender nosso primeiro grande trabalho fora de SC: fomos convidados por uma agência below the line de São Paulo, a agência Casa, a fazer um filme em light painting para o iG, exibido na São Paulo Fashion Week. Foi um projeto muito legal que deu ainda mais visibilidade para o nosso negócio e nos deu uma vontade maior de buscar novos horizontes, novos mercados. Nessa época a gente já era conhecido no estado inteiro. Depois disso conseguimos emplacar muitos trabalhos fora de SC, começando por Curitiba. Em 2009 resolvemos abrir uma unidade de negócios lá, que está até hoje, e em 2010 abrimos um escritório de atendimento em Porto Alegre para a área de pós-produção e animação, e logo depois a produtora de filmes. Em 2011 entraram os sócios da MFX Films Claudio Catota e Tanara Soletti.  

AAqui -  Sua empresa possibilitou que diretores de criação catarinenses concebessem filmes que antes seriam barrados pelo fator orçamento. Como isso foi possível?

F. V. - A gente sempre buscou inovar. Poderia ter sido por outro fator, mas nesse caso principalmente pela computação gráfica, que abriu os horizontes de como você pode produzir ou criar qualquer coisa. Eu lembro que muitas vezes surgiam ideias que as agências já tinham colocado na mão de vários fornecedores e ninguém conseguia viabilizar dentro da verba. A gente fazia um esforço criativo mesmo, que trazia ideias realmente notáveis. E isso até hoje talvez seja um diferencial nosso, pensar não só no retorno financeiro, mas na ideia, em como fazer para isso crescer, para virar uma coisa maior que ela já é. Acho que por sermos um estúdio de animação a gente esteve na vanguarda criativa, coisas que não tinham sido feitas, que as agências achavam que não poderiam ser viabilizadas por aqui. Hoje, cerca de 80 a 85% de jobs vêm de agências de publicidade. É o nosso principal cliente, nosso target. Foi assim que conseguimos entrar no mercado de Curitiba, que nos recebeu de braços abertos, porque a gente realmente tinha um serviço diferenciado. Hoje, Cerca de 80 a 85% de jobs vêm de agências de publicidade. É o nosso principal cliente, nosso target. Fora isso, temos alguns clientes da MFX Digital que são diretos. Isso é muito comum no meio on-line. Quando se trabalha no desenvolvimento de qualquer tipo de produto on-line, website, aplicativo mobile, existe uma tendência grande desses clientes virem diretamente, porque nem todos têm agência, e muitos não investem em marketing, precisam pontualmente de algum serviço.    

AAqui -  Como se dividem as atividades da produtora considerando a ação dos sócios e respectivas equipes de produção, criação e atendimento?

F. V. - Na parte societária, em Florianópolis, temos eu, Thomas Ventura e Fernando Moreira. Thomas é o nosso diretor criativo, focado na direção de trabalhos de pós-produção e animação, e eventualmente também atuando como diretor de cena. Eu estou focado na parte de prospecção e novos negócios, hoje em dia principalmente na região Sudeste, e o Fernando é nosso diretor de atendimento que assiste os nossos atendimentos. Focado mais no mercado de POA e Florianópolis, também faz prospecção. A gente tem uma divisão geográfica das áreas de atendimento de cada um. Também temos a gerência financeira, coordenação de produção, coordenação de pós- produção, gerência de projetos web e a criação, e em PoA também temos os diretores de cena, uma produtora de filmes completa, com outra coordenação de produção, assistentes de direção etc. O diretor de cena Claudio Catota e a diretora de atendimento Tanara Soletti são sócios na MFX Films, que está dentro do guarda-chuva Grupo Media Effects.

AAqui -  Recentemente a Media Effects se reposicionou, passando a ser um Grupo formado por quatro empresas. Como e por que isso aconteceu?

F. V. - O principal motivo desse reposicionamento foi acabar de uma vez por todas com uma miopia que parte do mercado tinha sobre o que realmente fazemos. Trabalhamos em várias frentes. A gente tem esses quatro segmentos bem distintos no escopo do nosso negócio. Assim, pensamos no Grupo Media Effects como um guarda-chuva, um Grupo que tem quatro empresas: MFX Films (filmes), MFX Post (pós-produção, animação e efeitos), MFX Digital (criação e desenvolvimento mobile e on-line) e MFX Image (ilustração e computação gráfica para mídia impressa). A quarta empresa, a MFX Image, por exemplo, oferece um serviço que a gente sempre desenvolveu mas nem analisava como algo separado. Dessa maneira, conseguimos potencializar ainda mais o que fazemos e profissionalizamos ainda mais o nosso departamento comercial. A gente já falava nisso há bastante tempo, e as agências parceiras em sua maioria já nos contrataram em todos os segmentos, mas a gente também sentiu a necessidade mais forte de deixar a divisão bem clara quando a gente abriu a produtora de filmes em PoA. À época, por uma questão societária a gente precisava ter as coisas bem definidas e divididas. Tudo aconteceu meio junto, em 2011.  

AAqui -  O Grupo MFX tem escritórios em três estados. Quais as diferenças entre os mercados gaúcho, catarinense e paranaense, e como o Grupo lida com elas?

F. V. - No geral, os mercados se comportam de maneira semelhante, os processos são parecidos, assim como o tratamento que damos dentro da Media Effects. O que a gente fez bastante foi pegar o que tinha de muito profissional e muito bacana em cada segmento. É sabido que o mercado de produção de filmes de PoA é extremamente profissionalizado, com pessoas competentes e processos que funcionam muito. Incorporamos muito disso ao trazer os sócios de PoA, fazendo com que a nossa produtora tivesse um processo bem justo e acertado, nivelado por cima. Ao passo que a nossa pós-produção e animação são extremamente elogiadas nos mercados do RS e do PR, porque a gente já faz há muito tempo e tem as coisas bem amarradas. As diferenças servem para que você consiga captar o que tem de melhor e incorporar para o seu processo, porque aí se consegue chegar numa excelência de atendimento para todos os mercados. Eu não diria que há algo de específico que é prejudicial em um mercado ou em outro, eu diria que há coisas diferentes, e sob o ponto de vista de venda, de atendimento, você precisa ter um jeito de conduzir adaptado para cada lugar. Daí a necessidade de ter gente daquele mercado, que transite facilmente naquela esfera, naquele meio. Essa é a grande peculiaridade de cada lugar: o departamento comercial.  

AAqui -  Qual o "segredo" da produtora de vídeo bicampeã do Prêmio Catarinense de Propaganda? O que foi e o que é decisivo para o sucesso da Media Effects?

F. V. - O sucesso da MFX Films talvez tenha sido porque a gente fez uma imersão no mercado de filmes, que não era originalmente o nosso negócio, para tentar entender como ele funciona e também trazer coisas novas para esse mercado: jeitos diferentes e inovadores de fazer e de produzir. Nossa imersão no como filmar, juntamente com a nossa inovação, fez com que a gente virasse também uma grande produtora. O resultado está aí: dois prêmios consecutivos de Produtora de Vídeo do Ano do Prêmio Catarinense. Sempre fomos sócios bem conscientes do que a gente quer e do que a gente planejou. Nossa empresa vem desenvolvendo planejamento estratégico há bastante tempo e revendo-o, acertando-o, para dar os próximos passos. Esse talvez seja um dos fatores decisivos: planejar, fazer as coisas no tempo certo e manter a independência financeira. A gente conseguiu chegar aonde chegou dando um passo a cada dia, mas sempre buscando crescer aos poucos. Isso vale para qualquer um: acreditar e ser perseverante.