Publicidade
“Jenifer”, do publicitário Stalimir Vieira será lançado em Florianópolis
15 de Março de 2024

“Jenifer”, do publicitário Stalimir Vieira será lançado em Florianópolis

Obra assinada pela Geração Editorial aborda o amadurecimento sexual de adolescentes

Publicidade
Twitter Whatsapp Facebook

Stalimir Vieira – Divulgação

Publicidade

Jenifer trata da iniciação sexual da protagonista, de sua amiga, Paulinha e da prima, Stephanie. Tem uma narrativa densa e tensa, que junta entusiasmo, ansiedade, angústia e desejo, até um final libertador.

É um livro apimentado – mas de leitura aberta, inclusive para jovens.

Jenifer tem 16 anos. Bonita e sensual, teve que enfrentar assédio sexual desde menina. Paulinha é a mais imatura e, também com 16 anos, vive as consequências da sua fragilidade e insegurança. Stephanie, 17 anos, é a mais pragmática das três, aceitando logo que sexo é para ser convertido em independência e poder.

Jenifer trata de um mundo saturado de perigos e emoções, no qual o instinto reina quase absoluto, dia e noite. A menina tem um pai ausente e uma mãe amargurada. Pela frente, dois adultos maduros e canalhas: o pai de Paulinha, um abusador, e Rei, predador sem escrúpulos, violento e sádico.

Dois jovens, Marcos e Lucas, completam o quadro. Marcos, branco,18 anos, se crê irresistível, mas sucumbirá ao amadurecimento das meninas. Lucas, 25 anos, negro, é uma espécie de príncipe encantado doce e tímido, que aparece na história para evitar que Jenifer se perca neste ambiente hostil.

Stalimir Vieira, usando uma equilibrada combinação de curiosidade, paciência e erotismo, vai fundo e extrai de Jenifer o que para os comuns dos mortais é quase impossível: os relatos sinceros de quem experimenta prazeres inconfessáveis no exato momento em que ainda não consegue compreendê-los com clareza.

Por meio de uma narrativa natural e muito livre, Jenifer desvela bastidores de um tema tabu, sem esquivar-se de nenhuma das possibilidades que ele comporta, nem se preocupar com julgamentos.

O resultado é desafiadoramente encantador.


Stalimir Vieira em Florianópolis

A estreia do publicitário na literatura de ficção, com “Jenifer”, aborda o romance sobre a iniciação sexual de três adolescentes.
Através de uma narrativa natural e despudorada da própria protagonista, o livro escancara os bastidores de um tema tabu, e entrega os relatos sinceros de quem experimenta prazeres inconfessáveis no exato momento em que ainda não consegue compreendê-los com clareza.
Um texto ousado que, em nenhum momento, se esquiva das possibilidades que o tema comporta, nem sem preocupa com julgamentos.

O lançamento de Jenifer vai ser no dia 19 de março, a partir das 19 horas, na Livraria Catarinense do Beiramar Shopping.


Stalimir Vieira
é publicitário, palestrante e autor de “Raciocínio criativo na publicidade” e “Marca: o que o coração não sente, os olhos não veem”, publicados pela Editora Martins Fontes.

ENTREVISTA

Por que escrever sobre meninas?

Foi um exercício de ousadia. Sempre que me proponho a escrever alguma coisa, que não seja por encomenda, busco me desafiar a seguir mais a intuição do que necessariamente o conhecimento. Isso, naturalmente, não que dizer que eu me atreva a discorrer sobre física nuclear. Fico na experiência existencial, que já é um mundo riquíssimo e repleto de mistérios. O mundo das meninas adolescentes, por exemplo. Um mundo complexo, mas que, exatamente por sua riqueza de possibilidades, permite inúmeras suposições plausíveis, através do uso livre da imaginação. Escolhi falar de meninas, porque elas são encantadoras. A espontaneidade, a naturalidade, a força do instinto, o desafio de domar a própria natureza, a sede da experiência convivendo com o receio dessa mesma experiência, tudo isso é muito borbulhante, acho impossível ficar indiferente, principalmente para quem trabalha com criatividade, com escrever o que a imaginação revela.

Em seu livro, você afirma ter criado uma narrativa pretensamente feminina. Você não teme ficar estigmatizado, como alguém que tentou, indevidamente, ocupar um lugar de fala que não é seu?

Eu criei uma personagem chamada Jenifer, uma adolescente vivendo as aflições próprias do desenvolvimento de sua natureza sexual. O tema é riquíssimo de possibilidades narrativas, independentemente de quem escreva sobre elas. Eu fiz o exercício, com alguns momentos de crueza, sim, mas com delicadeza, sensibilidade e respeito pela personagem e por tudo o que ela significa e representa. Gente incomparavelmente mais importante na literatura criou personagens mulheres com maestria, como Flaubert, que escreveu Madame Bovary; ou Dostoievski, com Ana Karenina, e, ainda, o nosso Jorge Amado, com Gabriela, Dona Flor, Teresa Batista… Acho que em literatura não há que se julgar o lugar de fala, mas avaliar a qualidade e a pertinência da obra. É preciso primeiro ler para depois julgar, de preferência, com liberdade e independência.

Jenifer pode ser chamado de um “livro de formação”?

Honestamente, eu não conhecia essa classificação literária. Quando me foi explicado, avaliei que poderia fazer sentido. Provavelmente, muitas leitoras e muitos leitores vão se identificar com personagens e circunstâncias. O livro trata da vida como ela é, do enfrentamento difícil de, principalmente, mulheres jovens, numa sociedade em que convivem com os chamados predadores, homens que se valem de circunstâncias para assediar e abusar delas. Como as personagens lidam com isso é a base da história. Considerando que o livro não disfarça nada, ou seja, não trata esses fatos de um jeito hipócrita, acredito que pode, sim, contribuir com a formação de jovens adultos.

Talvez essa crueza, a que você se refere, venha a ser o ponto central das críticas que representantes de uma ala mais conservadora da sociedade deva fazer ao livro. Como lidar com isso?

Estou aberto para o debate. Não sou ingênuo. Quando decidi assinar e publicar Jenifer, tinha consciência dessa possibilidade, mas me neguei a qualquer recuo na forma em que conto a história. Fui guiado pela honestidade. Eu não queria escrever um texto insinuante e não escrevi. Nele, eu narro atos e sentimentos com igual clareza. Ou seja, sem nenhum tipo de preconceito ou pudor. Se isso faz dele um livro menos ou mais erótico, é apenas consequência. Se esse trato mais explícito choca os mais conservadores por envolver meninas jovens, ainda que imaginárias, não posso me guiar por essa possibilidade. O que faço é jogar luz sobre práticas que costumam se dar sob a proteção do manto cínico e hipócrita da dissimulação. Talvez isso incomode, porque, a experiência da vida me ensinou, é onde reside o discurso mais moralista, é aí que habitam também, bem escondidinhas, as intenções e as práticas mais perversas.

São recorrentes na história, as relações envolvendo sexo entre as meninas. Você escreveu de olho no público LGBT?

Não, foi natural, o enredo contribuiu pra isso. O que ocorre é que fica evidente no andamento da história, o papel de vilões ou de fracos dos homens, mesmo o do “herói”. As relações entre as meninas acabam se revelando mais confortáveis, mais sinceras, mesmo nos momentos em que envolvem tensão. Mas nada disso foi planejado. Como eu disse no início, fui movido mais pela intuição do que por qualquer outra coisa. Quem sabe, eu tinha razão.

Você pretende transformar Jenifer numa saga? A história dela e das outras personagens deve ganhar uma continuação?

Quando propus ao meu editor que lançássemos uma continuação, ele aceitou a ideia na hora. Eu estava tão feliz com a possibilidade que comecei a escrever imediatamente. Gostei do resultado de Jenifer 2 – A maioridade. Esse desafio me obrigou a lidar com o espírito humano com uma profundidade, como nunca tinha ocorrido na minha vida. Descrever o que iria se tonar a vida daquelas meninas, alguns anos depois, já maiores de idade, levando em conta as opções que haviam feito, foi uma tarefa diária, cumprida com muito amor. Acredito que amadureci para a história, junto com elas. Sim, personagens são seres criados, mas que só fazem sentido se agirem pertinentemente com as personalidades que lhes foram atribuídas. Dentro dessa lógica, o autor não pode ter medo do que elas se tornam nem do que elas se propõem a fazer. Acredito ter sido leal à elas até o fim.

Publicidade