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ENTREVISTA | Veronica Kato, perfumista de Natura Humor
15 de Abril de 2024

ENTREVISTA | Veronica Kato, perfumista de Natura Humor

Na pauta, a criação de fragrâncias a partir da captura de moléculas presentes no ar de festivais de música

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No final de março, o AcontecendoAqui publicou uma matéria trazendo para seu público uma inovação da Natura que passou a utilizar uma tecnologia proprietária, para capturar mais de 40 moléculas que pulsavam no ar durante diversos festivais, produzindo um verdadeiro mosaico olfativo que reflete a diversidade e intensidade das experiências vividas. Com essa iniciativa a Natura conseguiu materializar não apenas lembranças visuais e sonoras, mas fugir do óbvio e encapsular as nuances olfativas da energia única presente no ar durante esses eventos. Para ler aquela matéria, clique aqui.

Nossa redação ficou muito curiosa em saber mais sobre o processo e foi buscar junto à Natura mais detalhes dessa inovação. Os repórteres Ana Ruth Gomes e Zacharias John conversaram com Veronica Kato, perfumista de Natura Humor. Acompanhe a entrevista:

 

Como você descreveria o processo de captura de moléculas presentes no ar dos festivais de música para criar novas fragrâncias de perfume?

O processo da captura de moléculas presentes no ar dos festivais de música foi muito rico pela diversidade olfativa de moléculas que capturamos, algumas inusitadas e inspiradoras! As notas verdes, por exemplo, se originaram a partir de pessoas dançando na grama molhada. No total capturamos mais de 40 moléculas que pulsavam no ar durante diversos festivais, produzindo um verdadeiro mosaico olfativo que reflete a diversidade e intensidade das experiências vividas. Esse e os demais cheiros que achamos interessantes foram capturados pela tecnologia de headspace outdoor e foram decodificados em nomes químicos correspondentes no laboratório pelos nossos cientistas.

 

Quais são os critérios para escolher quais moléculas serão usadas na composição de um novo perfume?

Os critérios para escolher as moléculas para a composição das novas fragrâncias foram as que tinham mais relação com o conceito e o caminho olfativo que estávamos trabalhando. Em suma, moléculas olfativas que passavam sensações de liberdade, alegria e vibração dos festivais.

 

Quais são os aspectos sensoriais que você mais valoriza ao criar uma nova fragrância inspirada em um festival de música?

Os aspectos sensoriais que eu junto dos perfumistas Quentin Bisch e Alienor Massenet, valorizamos, foram a vibração, energia, a alegria e a sensação de liberdade das moléculas que selecionamos para criar o acorde que chamamos de “Acorde Liberdade”.

 

Existe alguma história interessante ou experiência pessoal que você gostaria de compartilhar sobre a criação de uma fragrância inspirada em um festival de música?

Os festivais são como um portal para entrar em uma outra dimensão, de alegria, comunhão e liberdade coletiva, onde todos pulsam na mesma frequência. Então levar essa energia e vibração para os perfumes foi uma experiência inédita.

 

Quais são os cuidados especiais que você precisa tomar ao trabalhar com moléculas provenientes do ambiente dos festivais de música, como a pureza e a segurança?

É selecionar moléculas olfativas que estejam de acordo com o regulatório que rege a segurança dos ingredientes que usamos na perfumaria.

 

Que tipo de tecnologias ou métodos inovadores você utiliza para capturar e analisar as moléculas presentes no ar dos festivais de música?

⁠Foi utilizado a tecnologia de “headspace outdoor”, que basicamente permite capturar, analisar e traduzir em cheiro as moléculas olfativas do ambiente (atmosfera). Com mais detalhes, diferentemente da captura feita pelo clássico método de “headspace”, que capta as moléculas num ambiente confinado e depois permite a identificação em laboratório, o equipamento utilizado por mim e nossos cientistas permitem a captura em ambientes abertos, ao ar livre. Ou seja, as novas fragrâncias de Humor além de capturar e reproduzir os cheiros sentidos, nascem literalmente nos festivais e por isso carregam essa atmosfera como nenhuma outra.

 

Já houve alguma ocasião em que o processo de coleta de moléculas deu errado, afetando a criação de um novo perfume que a marca tinha em seus planos? Como isso cooperou para com o crescimento da equipe?

Sim, em um outro projeto, onde tivemos o desafio de capturar o cheiro de plantas, e não deu certo, tivemos que trocar de plantas, criar outras fragrâncias, mas deu tudo certo no final! Foi um grande aprendizado para todos os envolvidos, de pesquisar e planejar com antecedência quando se trata de capturar um fenômeno da natureza.

 

Essa metodologia é criação original da Natura ou foi inspirada em alguma outra marca?

Sim, é uma criação original da Natura e a tecnologia que usamos atesta isso. Como comentei acima, as novas fragrâncias de Humor além de capturar e reproduzir os cheiros sentidos, nascem literalmente nos festivais e por isso carregam essa atmosfera como nenhuma outra.
Inclusive compartilho um pouco da inspiração por trás das fragrâncias de Natura Humor. O projeto nasceu da compreensão de que os festivais de música representam um espaço de conexão e liberdade para a geração Z, dois anseios intensificados no pós-pandemia, momento que expôs a fragilidade da saúde mental dos mais jovens. A criação inclusive contou com uma colaboração intensiva com o público-alvo. Mais de 160 jovens participaram do processo criativo, fornecendo insights sobre suas experiências em festivais e ajudando a garantir que as fragrâncias capturassem verdadeiramente a essência desses eventos.

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