ENTREVISTA | Rubens Ricardo Franz, Grão-Mestre do Grande Oriente de Santa Catarina

07 de Abril de 2019

Maçonaria no mundo e em Santa Catarina | Seminário em Florianópolis sobre a Revolução 5.0

 

A  Maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento. Com fundamento em princípios e valores éticos e morais como Fraternidade, Trabalho, Tolerância e Liberdade, dentre outros, procura, através de uma linguagem simbólica, transmitir ensinamentos calcados nesses princípios, que possam levar seus adeptos a se tornarem, cada vez mais, partícipes e líderes na sociedade, buscando o aperfeiçoamento da condição humana e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. O número aproximado de Maçons no Brasil é de 200.000. Atualmente, a Maçonaria em Santa Catarina conta com aproximadamente 12.000 Maçons ativos, divididos entre as três potências Maçônicas regulares e reconhecidas.

O AcontecendoAqui entrevistou Rubens Ricardo Franz, Grão-Mestre do Grande Oriente de Santa Catarina, que discorre sobre o surgimento da Maçonaria no mundo, seus números no Brasil e em Santa Catarina e detalha sobre o Seminário que o GOSC realizará neste mês em Florianópolis com foco na Revolução 5.0.

O GOSC está organizando um grande Seminário agora em abril em Florianópolis. Qual seu propósito?

O evento tem a função de ouvir vozes de vários segmentos da sociedade, inclusive com opiniões divergentes entre elas, para que possamos formar dentro do Grande Oriente uma opinião dos maçons da nossa Potência, a respeito de que caminho tomar, como instituição, diante das grandes e rápidas mudanças que o mundo contemporâneo vive. Por isso o seminário chama-se “Conciliando tradições e inovações para ações”. Temos que entender o que há de novo na sociedade, como conciliar isso com as tradições que obviamente tem uma instituição milenar como a Maçonaria e definir como, aonde e de que forma devemos agir para influenciar positivamente nestas mudanças. Sempre lembrando que os princípios basilares da Ordem são de tolerância em relação a opiniões e crenças, defesa da igualdade e da liberdade.

Quem pode assistir ao Seminário?

O evento é direcionado aos Irmãos do GOSC e teremos alguns convidados. Queremos que algumas pessoas acompanhem as discussões e as levem para suas entidades sociais de base. Vamos convidar em especial alguns jovens promissores que precisam ouvir opiniões dos palestrantes e usar isso na sua interpretação de mundo. Levar essa mensagem da mudança sem perder princípios, que parece estar sendo tão difícil de conciliar. Mas é necessário. Avançar sem deixar a essência dos princípios de lado. 

O tema central do Seminário é a Revolução 5.0? O que será tratado pelos painéis?

Focamos, como disse, na mudança que a sociedade mundial experimenta. E ela passa pela revolução digital, que em grande parte impulsiona as mudanças sociais nas últimas duas décadas. Vamos falar de sustentabilidade socioeconômica, informação, conhecimento e comunicação na sociedade contemporânea, desenvolvimento sustentável, e por fim a inserção da Maçonaria na sociedade, sob o viés destes temas. As palestras e os painéis serão apresentados por profissionais de destaque, políticos e empresários. Estará lá nomes como o senador Esperidião Amin, o secretário de turismo do estado de São Paulo Vinícius Lummertz Silva, o presidente do grupo RIC, Marcello Petreli, o colunista político Moacir Pereira, o presidente do SPC Brasil, Roque Pelizzaro Júnior, o professor Juliano Reinert, a palestrante Beia Cardoso, o comandante da Polícia Militar, Coronel Araújo Gomes e os prefeitos de Tubarão, Joares Ponticelli, e de Florianópolis, Gean Loureiro. 

Por quê esses temas para o público maçônico?

Primeiro para trazer esse debate para dentro da nossa Ordem, que surgiu e se mantém como um ambiente livre para a discussão de ideias. É sempre importante renovar informações para reciclar conceitos e direcionar ações. E segundo porque os Irmãos nos cobram posicionamentos e ações. Posicionamentos e ações da instituição Maçonaria e da instituição GOSC frente a diversos temas importantes. Mas as posições não podem ser individuais, não podem ser as minhas ou de outra pessoa qualquer. Têm que ser posições que a instituição assuma, após ter informações a respeito e que as debata com profundidade. Então o evento serve também para isso. Para trazer informações sobre esse novo momento, discuti-las internamente e a partir daí tirar posicionamentos e ações da instituição dentro da sociedade. Porque os maçons não são maçons apenas quando estão dentro das nossas Lojas. Eles o são em casa, no trabalho e na sociedade. E precisam levar essas ideias e estas ações a todos estes lugares. Precisamos discutir seriamente nossas relações, em tempos de sociedade 5.0, no ambiente familiar, no trabalho e nas nossas relações sociais ampliadas. Qual a influência de toda essa mudança? Certamente vai além do que possamos imaginar numa rápida reflexão. É preciso ir mais a fundo. Ouvir opiniões diferentes, especializadas. Ver a realidade através de outros olhos. É isso que almejamos com este seminário.

O que é a Maçonaria?

A  Maçonaria é, essencialmente, uma escola de aperfeiçoamento.
Com fundamento em princípios e valores éticos e morais como Fraternidade, Trabalho, Tolerância e Liberdade, dentre outros, procura, através de uma linguagem simbólica, transmitir ensinamentos calcados nesses princípios, que possam levar seus adeptos a se tornarem, cada vez mais, partícipes e líderes na sociedade, buscando o aperfeiçoamento da condição humana e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Como e onde ela surgiu?

Não há como se afirmar com precisão quando a Maçonaria surgiu. Existem várias teorias de como ela veio a se formar. A teoria mais aceita é a de que a Maçonaria atual (chamada Maçonaria Especulativa), derivou das antigas corporações de pedreiros da Idade Média (Maçonaria Operativa). Essas corporações reuniam pessoas que exerciam o ofício e constituíam uma organização que podemos comparar aos sindicatos existentes na atualidade. Essas corporações controlavam o exercício da profissão e velavam para que os segredos do ofício não fossem revelados aos que não fossem seus membros.
Com a decadência dessas corporações de ofício, a partir de meados do século XVII, algumas delas, visando manter seu poder, passaram a aceitar a inscrição de membros que não exerciam o ofício, masque poderiam lhes proporcionar a recuperação do prestígio e também recursos para sua sobrevivência.
Após determinado tempo, esses membros não praticantes do ofício passaram a ser maioria e a corporação perdeu seus objetivos iniciais, passando a dedicar-se a estudos de outros temas, utilizando os instrumentos de trabalho do ofício (no caso da Maçonaria o ofício de trabalhadores da pedra) como símbolos para transmitir seus ensinamentos. Por isso é comum, hoje, associar a Maçonaria a instrumento como o Esquadro, o Nível, o Prumo, o Cinzel e outros tantos instrumentos ligados ao ofício de pedreiro.
Se no período Operativo, a Maçonaria tinha por objetivo a construção de catedrais, templos, edifícios, a Maçonaria Especulativa, passando a tomar os instrumentos de trabalho do pedreiro como símbolos, aplicou a metáfora da construção ao próprio homem e à sociedade. Por isso, a Maçonaria trabalha na construção e aperfeiçoamento do homem e da sociedade.
O número aproximado de Maçons no Brasil é de 200.000. Entretanto, a Maçonaria não tem a quantidade de Maçons como primordial, senão a qualidade. Buscamos atrair pessoas de boa índole, comportamento familiar e social condizentes com os princípios maçônicos.
A Maçonaria, no Brasil, é dividida, administrativamente, em três ramos regulares e reconhecidos: o Grande Oriente do Brasil, os Grandes Orientes Estaduais e as Grandes Lojas Estaduais. Embora administrativamente exista essa divisão, seus princípios e valores são únicos e alinhados com a Maçonaria Universal.

E sua chegada em Santa Catarina?
Não existe certeza absoluta a respeito do início da Maçonaria no Estado. Há indicações de que em 1832 uma Loja chamada “Concórdia”, foi fundada em Florianópolis por Jerônimo Coelho. Na década de 50 do século XIX, há referências a uma Loja denominada “Perseverança” que não se sabe o certo se foi sucessora da “Concórdia”, ou a mesma Loja com uma nova denominação. 
Em 1855 foi fundada em Joinville uma loja maçônica denomiada “Zur Deutschen Freundeschaft” (À Amizade Alemã) que, posteriormente, fundiu-se com outra loja fundada meses após, denominada “Zum Südlichen Kreuse” (Ao Cruzeiro do Sul), resultando na Loja  denominada “Deustsche Freundeschaft Zum Südlichen Kreuse” (Amizade Alemã ao Cruzeiro do Sul), que permanece ativa até hoje, com o nome “Amizade ao Cruzeiro do Sul”. 
Por fim, em março de 1869 passou a funcionar em Florianópolis, a Loja Regeneração Catarinense, ativa até os dias de hoje.
Estas, as primeiras lojas Maçônicas a funcionar no Estado de Santa Catarina.
Atualmente, a Maçonaria em Santa Catarina conta com aproximadamente 12.000 Maçons ativos, divididos entre as três potências Maçônicas regulares e reconhecidas.