ENTREVISTA | Karin Verzbickas: O que muda na Fábrica com a ausência de Róger Bitencourt

12 de Janeiro de 2016

A jornalista Karin Verzbickas, sócia-fundadora da Fábrica de Comunicação ao lado de Róger Bitencourt, empresário que morreu tragicamente na última semana de 2015, dá uma entrevista exclusiva ao ACONTECENDO AQUI. Apesar do luto e grande dor por tudo que aconteceu, Karin já voltou a trabalhar e agora, mais do que nunca, liderando a equipe da Fábrica. “Vamos trabalhar para continuar sustentando aquilo que conquistamos juntos, fazendo da Fábrica uma das melhores e maiores agências de comunicação corporativa do Sul do Brasil”, diz a jornalista vendendo motivação e força, ainda que admita nos bastidores que ela mesma não sabe como está conseguindo vencer toda essa tragédia que acometeu sua família e sua empresa.
 

Acontecendo Aqui - A morte de Róger Bitencourt chocou o mercado de comunicação no Brasil todo. Como você, esposa, companheira e sócia dele está enfrentando essa situação?

Karin Verzbickas - Estaria mentindo, e muito, se te dissesse que está sendo fácil. Ou mesmo que vou superar essa perda. Hoje eu não posso dizer isso. Como você disse eu não perdi só o meu amor, meu companheiro de tantos anos, o pai dos meus filhos. Eu perdi também o meu sócio, aquele com quem eu dividia projetos, clientes, prospecções, sonhos. A dor ainda é imensa e não cessa, o choque foi terrível pela forma violenta e estúpida como tudo aconteceu e às vezes me pego tentando convencer a mim mesma de que não é verdade, que não foi conosco, que essa tragédia não é minha. Esse é um lado do meu sentimento agora, o outro é que a vida insiste em bater à sua porta, e a cobrar de você aquilo que você não sabe se está emocionalmente preparada para enfrentar. Mas tem que enfrentar. Meu conforto, por mais incrível que possa parecer, tem sido trabalhar e dar continuidade aos projetos que ele abraçava, que nós criamos juntos. Tem sido muito bom ver como ele era admirado e querido por tanta gente, como ele deixa um legado de valor para todos nós. Por isso, minha reação tem sido essa: trabalhar, trabalhar e trabalhar.

 

Acontecendo Aqui - Como está o astral da equipe da Fábrica e como você está lidando com isso?

Karin Verzbickas - Nós temos uma equipe muito forte, unida, que se consolidou nestes 17 anos da Fábrica. A notícia, claro e não podia ser diferente, foi um choque para todos os operários, como costumamos nos chamar. A primeira reação foi choque, agora estamos na fase daquela dor imensa que não cessa. Mas eu tenho recebido de toda equipe, coordenadores, analistas, diagramadores, assistentes - são hoje quase 40 pessoas – um apoio incondicional. Eles estão muito motivados a seguir em frente e a continuar aplicando o que aprenderam com o Róger durante todo esse tempo, a levar adiante os projetos da Fábrica e estão me incentivando dia a dia a seguir em frente na liderança. No nosso último dia útil antes do recesso, menos de uma semana antes do acidente, o Róger fez uma reunião de fechamento do ano maravilhosa. Agradeceu mais do que exigiu – o que não era muito comum dele - e estava super empolgado com os desafios de 2016. Botou pilha em todo mundo. Agora, a equipe quer retribuir toda aquela confiança e está trabalhando firme para continuarmos sustentando o título de uma das maiores e melhores agências de comunicação corporativa do Sul.

 

Acontecendo Aqui - Recentemente você estava trabalhando num projeto com o Aguinaldo Silva, novelista da Rede Globo, e muita gente sabia que você estava vibrando com os resultados. Alguns têm nos perguntado se você continua com a Fábrica ou se vai seguir nessa nova vocação...

Karin Verzbickas - Minha única e primeira vocação sempre foi a Fábrica. Quando criamos a empresa em 1998, sabíamos que estávamos chegando para fazer o que ainda era incipiente no Estado: comunicação estratégica para empresas. Investimos nisso desde então, trabalhamos muito, abrimos novos mercados, nos aprimoramos em alguns segmentos que até hoje é quase um domínio exclusivo nosso, pelo menos no Sul, como a comunicação para implantação de grandes empreendimentos. Eu e o Róger nos especializamos em gestão de crises, comunicação estratégica com stakeholders, publicações corporativas. Formamos também muita gente, algumas pessoas que hoje já estão em voo solo. Essa sempre foi nossa vocação e nossa paixão. Fazíamos sempre tudo juntos, ele muito mais na prospecção e atendimento e eu na execução com a equipe. Perdemos com a morte dele um gestor nota 1.000, competente e admirado, mas que deixou por aqui uma sócia pronta pra encarar qualquer desafio e uma equipe preparada, motivada, especializada no que fazemos de melhor. Meu projeto com o Aguinaldo Silva foi um presente que eu me dei em 2015, fiquei 15 dias com ele no Rio fazendo o projeto da nova novela prime time. Experiência incrível e que só consegui fazer porque o Róger segurou toda a onda na Fábrica. Mas isso acabou, será uma atividade eventual, digamos. Minha missão é dar continuidade ao que criamos e plantamos juntos. É fazer a Fábrica continuar sendo referência, prosperando, empregando gente, gerando negócios. É o que sei fazer e, agora, mais do que nunca, é uma espécie de honra dar continuidade em memória ao que ele tanto lutou.

 

Acontecendo Aqui - Duas semanas antes de sua morte, Róger me dizia estar realizando um grande sonho, a compra da sede própria. Falou também sobre o crescimento da Fábrica no Paraná. É isso mesmo?

Karin Verzbickas - Sim, é verdade, nós estamos crescendo no Paraná, temos um projeto grande sendo retomado lá que é a Comunicação Social da Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu, cuja equipe de jornalistas está sendo mobilizada nesta semana. Estamos finalizando também no Paraná um grande projeto juto à Klabin na comunicação para a implantação de uma das maiores plantas de celulose do mundo. São projetos que nos enchem de orgulho porque têm um escopo muito centrado na expertise que a Fábrica desenvolveu nestas quase duas décadas de mercado. Com relação à sede própria, sim, demos um pontapé inicial no início de dezembro e, se tudo der certo, em dois anos teremos um lugar próprio para os operários chamarem de seu, bem mais adequado ao desenvolvimento das nossas atividades, com uma super redação.

 

Acontecendo Aqui - Quais os planos da Fábrica de Comunicação em 2016?

Karin Verzbickas - Se há uma característica no nosso jeito de fazer negócios é que sempre fomos muito otimistas. Mas sempre com os pés no chão. E para 2016 também mantivemos esse otimismo. Mesmo com um cenário ruim pintado diariamente por economistas, mesmo com a realidade política brasileira que muitas vezes desanima quem empreende e se arrisca, temos convicção de que podemos fazer de 2016 um bom ano, economicamente falando. Claro, eu e meus filhos, particularmente, vamos carregar ainda por um bom tempo essa dor, digerir essa peça que a vida nos pregou, sem clima para comemorações. Mas, na Fábrica sei que vamos saber dar respostas aos desafios, correr atrás de oportunidades, entregar com excelência os projetos que já temos em carteira. Nosso planejamento é desenvolver os segmentos em que atuamos com mais expertise: relacionamento com a imprensa, gestão e prevenção de crises, publicações editoriais e, agora mais recentemente, comunicação digital.

 

Acontecendo Aqui - O que exatamente vocês estão fazendo em comunicação digital?

Karin Verzbickas - Uma nova realidade se impôs e nós, assim como todas as empresas de ponta, não podemos nos dar ao luxo de permanecer no mesmo lugar. A comunicação digital – redes sociais e blogs principalmente – influencia opiniões e comportamentos, dita modas e regras, decide consumo. O formador de opinião não está mais na mídia convencional, de cima para baixo, do emissor para o receptor, como era antigamente. A reputação de uma empresa centenária pode hoje ir pro lixo se o post negativo de um consumidor viralizar. O poder é imensurável, para o bem e para o mal. Criamos na Fábrica de Comunicação uma equipe completa e especializada em gestão de conteúdo no ambiente digital, com muita experiência para fazer a comunicação digital dos nossos clientes. A partir de um diagnóstico técnico da presença digital de uma empresa, desenvolvemos estratégias de posicionamento digital, elaboramos o conteúdo interativo e ainda a análise de métricas. Isso é o que temos de mais novo e desafiador no momento e, apesar de estarmos nisso há menos de um ano, já desenvolvemos cases incríveis, de muito sucesso mesmo.

 

Acontecendo Aqui - O que a Fábrica perde com a ausência do Róger daqui por diante?

Karin Verzbickas - Perde muitíssimo, sem dúvida. Perde um líder, um visionário, um cara generoso e sensível, e que estava constantemente se renovando para atender as novas demandas que o mercado exigia. Mas ele deixa aqui também um exército pronto, com líderes que ele e eu formamos juntos, com sonhos que sonhamos juntos e que muitos deles já viraram realidade. Se tinha uma atividade que o Róger adorava e fazia com maestria era a de preparar pessoas e equipes. Quem já trabalhou com ele sabe disso, até mesmo antigamente, quando ele ainda era da RBS. Até hoje vem gente que diz pra mim “aprendi a escrever com o Róger”, “só sei editar porque tive o Róger como professor”. E isso é muito gratificante. Por isso, sei que hoje na Fábrica temos os melhores profissionais do mercado. Não que não haja pessoas capacitadas nas outras assessorias de imprensa, mas o nosso pessoal foi treinado e supervisionado por ele, que era muito exigente. E isso, eu sei, faz toda a diferença. O Róger era uma pessoa com muita energia, muito inteligente, articulador e disciplinado e vai fazer muita falta não só na para mim, não só na família e não só na Fábrica, mas em todos os projetos que ele se envolvia. E não eram poucos. Meu maior desafio agora é manter o estilo Róger de gestão de equipe e continuar surpreendendo o mercado com a qualidade nos resultados aos nossos clientes.