ENTREVISTA | Jamile Sabatini Marques, Presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da Fecomércio/SC e diretora de Inovação e Fomento da ABES

14 de Outubro de 2019

Tecnologia e Inovação para tornar as cidades mais humanas, inteligentes e sustentáveis

Foto: Reprodução/Anprotec

Presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da Fecomércio/SC e diretora de Inovação e Fomento da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), Jamile Sabatini Marques é a coordenadora e uma das palestrantes do 12º Knowledge Cities World Summit (KCWS), reunião da cúpula mundial das cidades do conhecimento que será realizada em Florianópolis em novembro. Nesta entrevista, ela explica o conceito de “Sustentabilidade na Era do Conhecimento”, tema que será discutido durante quatro dias de atividades intensas. O evento, que ocorre pela primeira vez no Brasil, inicia dia 4 de novembro. A iniciativa é da Fecomércio/SC e a correalização do Sebrae/SC.

O que é uma cidade do conhecimento?

J.M. - É uma cidade humana, inteligente e sustentável, que promove o completo bem-estar de todos os seus residentes e é capaz de se tornar um lugar cada vez melhor para morar, trabalhar, estudar e se divertir. Hoje estamos vivendo na era do conhecimento, termo que vai além do “inteligente”. As pessoas são a força motriz da economia e a tecnologia vem para agregar e melhorar a qualidade de vida.

Em linhas gerais, o que significa “Sustentabilidade na Era do Conhecimento”, tema do 12º Knowledge Cities World Summit e qual o objetivo do evento?

J.M. - A tecnologia e a inovação fazem parte desta era do conhecimento. Quando falamos em conhecimento, abordamos o conceito além da academia, queremos trazê-lo para o dia a dia, por exemplo, da agricultura familiar, de uma aldeia, da pesca, da renda de bilro, dentre outros tão importantes para o desenvolvimento econômico e cultural de uma cidade. E quando falamos em sustentabilidade, estamos usando o conceito da ONU, o qual tem três pilares que devem andar juntos: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Por isso, é objetivo do KCWS é mostrar e debater soluções para as cidades e suas regiões enfrentarem desafios como inclusão social, desigualdades econômicas e degradação do meio ambiente. O encontro pretende propiciar a troca de experiências, o amadurecimento de iniciativas e contribuir para o avanço de discussões.

Quem faz parte da cúpula mundial das cidades do conhecimento?

J.M. - Alguns dos maiores especialistas em desenvolvimento das cidades. Entre os palestrantes estrangeiros, estão os professores Tan Yigitcanlar, da Queensland University of Technology – QUT (Austrália), Francisco Javier Carrillo, do Instituto Tecnológico de Monterrey –TEC (Mexico) e a consultora Cathy Garner, da Lancaster University (Reino Unido). Mas também temos vários conferencistas nacionais altamente qualificados, inclusive da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), como o professor Eduardo da Costa, diretor do LabCHIS, Laboratório de Cidades mais Humanas, Inteligentes e Sustentáveis e o professor Arlindo Philippi Jr, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Programa USP Cidades Globais. No total são 35 palestrantes de diversos países.

Por o KCWS está sendo realizado, este ano, em Florianópolis?

J.M. - O 12º KCWS será realizado na capital catarinense por iniciativa da Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio/SC. A Federação vem debatendo o tema “cidades” desde 2013, em parceria com o LabChis/UFSC. Florianópolis foi escolhida também porque o evento tem relação com a própria cidade, considerada inovadora, que busca a sustentabilidade e tem sua economia baseada no conhecimento.

Florianópolis pode ser considerada uma cidade inteligente ou do conhecimento?

J.M. - Está no caminho. Chegou a hora de parar e mudar algumas perguntas. No caso de Florianópolis, por exemplo, em vez de pensar numa quarta ponte poderíamos utilizar a inteligência artificial e o Big Data para alterar o fluxo de veículos da cidade reorganizando as escolas e dando um incentivo para levá-las para o Continente, Norte ou Sul da Ilha, por exemplo, porque as tradicionais e que são referências estão no Centro.

*Jamile Sabatini Marques é presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da Fecomércio/SC e diretora de Inovação e Fomento da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) e pós-doutoranda no Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) no programa Cidades Globais e pós doutoranda na Engenharia e Gestão do Conhecimento na UFSC.