ENTREVISTA | Carlos Coelho, CEO da agência Gotcha

21 de Fevereiro de 2021

Aprofundem-se no tema que vão criar, não fiquem na superfície. Só assim vocês terão subsídios para chegar a uma campanha inovadora

 

AcontecendoAqui compartilha com seus leitores o resultado de uma conversa realizada por Karol Pires, componente da equipe do portal, com o publicitário Carlos Coelho, CEO da agência Gotcha. Profissional que tem uma longa trajetória de mercado, Coelho já passou por agências como Gang, FCB, Salles, Leo Burnett, McCann, Taterka e BorghiErh/Lowe.
 

Trajetória de Carlos Coelho na publicidade
Carlos Coelho começou sua carreira há 38 anos como redator na Gang. Depois foi para a FCB e, na sequência, para a Salles. Criou campanhas para grandes marcas, como Air France, Shell, Estrela, Ford, Bayer e Tigre. Já como diretor de criação, atuou em agências como Leo Burnett, Lowe, Bates, McCann, Taterka e BorghiErh/Lowe. Foi o responsável pela comunicação de alguns dos maiores anunciantes do país, como Fiat, Renault, Unilever, United Distillers, Nestlé, Extra, Casas Bahia, Decolar.com e Natura. Com a Fiat trabalhou nos lançamentos dos modelos que levaram a montadora pela primeira vez à liderança de vendas no Brasil. Com as Casas Bahia lançou a Super Casas Bahia, que durante anos se tornou um dos eventos mais esperados do Natal. No segmento financeiro foi responsável pela comunica&c cedil;ão do Bradesco, BankBoston, Santander e Caixa. Com o Santander lançou a campanha institucional "Jogadores", que ganhou o Marketing Best e posicionou a marca no 2º lugar do ranking dos bancos mais lembrados. Premiado nos principais festivais nacionais e internacionais, também foi jurado no Art Director’s Club New York, um dos mais respeitados prêmios de propaganda do mundo.

 

AcontecendoAqui | A transformação digital na comunicação faz com que os consumidores sejam atingidos por uma enxurrada de informações a todo momento. Que caminhos os criativos devem seguir para conseguir destaque em suas ações publicitárias?

Carlos Coelho: A transformação digital mudou realmente as regras do jogo. Mudou a relação cliente/agência, marca/consumidor, a dinâmica entre as diversas áreas da agência, potencializou a efetividade da mídia, trouxe à tona a relevância da estratégia e dos dados, a penetração das redes sociais e, principalmente, redirecionou os caminhos criativos. Uma boa ideia sempre será uma boa ideia, só que hoje seu poder de alcance é infinitamente maior. Cabe aos criativos estar sempre cientes disso, explorando ao máximo as possibilidades e adequações da ideia em todos os canais sem deixar que ela perca sua força de surpreender e instigar.

 

Com o surgimento crescente de agências full service no mercado, o que é necessário para que as empresas destaquem seus serviços aos prospects?

Hoje, as agências que ainda não entenderam a necessidade de imersão nos negócios dos clientes não sobreviverão. Mais que full service, a agência precisa ter bons cases para contar. Cases em que mostra ter respostas ágeis, propositivas, inovadoras nas soluções e que geraram, obviamente, bons resultados.

 

Você acredita que a influência do digital na publicidade fará com que o meio off-line deixe de ter fôlego?

Não. O meio off-line alimenta-se cada vez mais dos dados que o meio digital fornece. E vice-versa. Nessa relação off e on, não podemos falar de exclusão e sim de complementaridade. Aos poucos, vai ficando clara a influência do digital em meios como TV, OOH, rádio, com uma linguagem mais alinhada à leitura do público atual. Em contrapartida, o rigor técnico que sempre existiu na produção de peças off-line tem influenciado visivelmente a evolução da qualidade na confecção de peças unicamente digitais.

 

O que mudou na rotina de sua agência nesse período de crise e isolamento?

Praticamente tudo. Estamos há quase um ano em home office e, hoje, posso afirmar que a Gotcha está perfeitamente adaptada a esse modelo. Aos poucos, com todos os cuidados relativos à pandemia, vamos adotando uma solução mais híbrida, com algumas reuniões presenciais na agência. Ganhamos em agilidade, em objetividade, e procuramos, de tempos em tempos, nos reunir em lives para que todos fiquem na mesma página, conheçam os novos colaboradores e saibam quais serão os próximos passos da agência. Também, a cada dois meses, nos reunimos no Gotcha Talks, em que chamamos profissionais das mais diversas áreas do mercado para bater um papo com nossa equipe.

 

Que modelo de negócio as agências devem adotar para se manterem criativas?

Tenho certeza de que essa é uma pergunta que todas as agências se fazem todos os dias. E acho saudável que seja assim. Criatividade em tudo é o nosso mantra na Gotcha. Porque sabemos que, desde sempre, a agência precisa surpreender e isso nunca vai mudar. Acho que a forma mais efetiva de se manter criativa é a cobrança diária e constante de boas ideias em todas as suas áreas de atuação.

 

Que conselhos você daria para quem está na universidade estudando publicidade e propaganda?

Como já dei aula, conheço de perto a ansiedade dos alunos em relação a conselhos. Mas tem um que eu gostaria de ter recebido no começo de carreira: aprofundem-se no tema que vão criar, não fiquem na superfície. Só assim vocês terão subsídios para chegar à uma campanha inovadora, que permeie todos os meios com a mesma qualidade criativa. E, acreditem, também terão um grande diferencial: segurança e conteúdo consistente para vender a ideia.

 

Uma mensagem para a Comunidade AcontecendoAqui.

Com o avanço dos meios digitais, as empresas estão mais próximas dos consumidores e são observadas e criticadas em tempo real. É uma oportunidade única para todos os profissionais que trabalham nessa área, dentro das empresas ou nas agências, fazerem uma comunicação diferenciada e realmente relevante para as pessoas.

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