7 Perguntas Para Maria Augusta Orofino, palestrante e facilitadora de workshops e treinamentos em inovação

01 de Julho de 2013

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Maria Augusta OrofinoO AcontecendoAqui entrevistou a palestrante e facilitadora de workshops e treinamento em inovação, design thinking, modelos de negócios e desenvolvimento do cliente; Mestre em Gestão do Conhecimento; Consultora organizacional; professora da ESPM|SP, e co-autora do blog bmgenbrasil.com, Maria Augusta Orofino, que será a instrutora do workshop sobre modelos de negócios inovadores que a Clear Educação promove em Florianópolis nos dias 26 e 27 de julho.

A partir de conceitos como o design thinking, o desenvolvimento do cliente e o BMGEN Canvas, o workshop é uma espécie de guia para aqueles que pretendem inovar em produtos, processos ou serviços. As inscrições para o workshop podem ser feitas pelo site cleareducacao.com.br.

Confira a entrevista:

 

Acontecendo Aqui - Muitas pessoas relacionam inovação apenas a novas tecnologia. É possível inovar em outras áreas, como prestação de serviços?

Maria Augusta Orofino - O termo inovação tem origem latina e basicamente significa fazer algo novo ou mudar. Dessa forma, qualquer pessoa pode fazer, tendo em vista que a imaginação, a invenção e a criatividade são atributos inerentes a qualquer ser humano. A associação da inovação às questões tecnológicas é algo recente principalmente com o surgimento da internet ou pela necessidade de ampliar mercado com novos produtos. A tecnologia é a base da indústria, por isso essa associação. Mas o homem vem inventando desde a idade da pedra. E evoluindo em todos os aspectos - tanto os tecnológicos quanto os comportamentais. Trazer a inovação para o conceito não tecnológico dentro das organizações é algo recente. O Ministério de Ciencia, Tecnologia e Inovação ainda não aceita muito o conceito de inovação não tecnológica, mas temos inúmeros exemplos de empresas que inovaram em serviços, na sua estratégia de mercado ou mesmo em seus modelos de negócios. Para ser inovação, tem que fazer sentido para as pessoas e o mercado absorver como tal.

 

AAqui - Empresas de comunicação e marketing são extremamente pressionadas pela velocidade das mudanças na sociedade, na forma de as pessoas consumirem informações. Qual o reflexo disso sobre os modelos de negócios dessas empresas?

M.A.O. - Entre as empresas que precisam inovar e se reinventar urgentemente, estão as agências de comunicação, marketing e publicidade. Muitas ainda pensam de uma forma analógica enquanto o mundo está digital. A forma de consumir mídias alterou drasticamente nos últimos anos, a TV aberta não responde às necessidades de muitas pessoas e a mídia impressa está em declínio. O consumo de mídias mudou. Hoje eu posso consumir apenas um artigo de uma revista e não necessito mais da publicação como um todo. O conceito da propaganda em um clic – “adwords”, implantado pelo Google - colocou em voga um novo conceito de modelo de negócio inovador e que vem funcionando muito bem. No entanto, é premente descobrir formas de se distinguir em meio a essa multidão enorme de pessoas anônimas. Como fazer meu produto decolar e ser desejado? É preciso ousar. Exemplo é o caso do grupo “porta dos fundos” que coloca seus filmes no Youtube e nem quer saber de TV Globo. Entender como funcionam as redes sociais e inovar a partir do uso dessas ferramentas pode ser uma maneira. A Lacta utiliza fortemente a sua página no Facebook e está bem satisfeita com 6 milhões de curtidas. Inovou pela mudança em um canal de comunicação com seus clientes.

 

AAqui - A inovação precisa começar pelo Presidente da empresa ou pode ter como ponto de partida os funcionários – mesmo os menos graduados?

M.A.O. - Tudo o que eu tenho visto, lido e vivenciado nos últimos anos confirma que a inovação é top-down. Nada adianta ter os colaboradores mais bem treinados para inovar se a cultura organizacional não estiver preparada. Tenho aplicado workshops de inovação na prática a partir de modelos de negócio e design thinking. Principalmente quando é o presidente que participa, o resultado na empresa é imediato. Compete à alta administração criar um ambiente propicio à criatividade para estimular a cultura de inovação.

 

AAqui - Sempre se diz que o brasileiro é criativo – e o profissional da comunicação costuma ser ainda mais. Criatividade é sinônimo de inovação?

M.A.O. - Não são sinônimos. Podemos afirmar que a criatividade nem sempre é inovadora assim como uma inovação não precisa ser criativa. Podemos criar qualquer coisa, inventar o que quisermos. Existem exemplos na humanidade de muitas invenções e criações que nunca foram implantadas. E é esta a diferença. Para ser uma inovação, tem que fazer sentido para as pessoas, que irão adotá-la e aplicá-la no dia a dia. Para a empresa, algo é inovador quando é acatado e aceito pelo mercado.

 

AAqui - Muitas pessoas tem medo de fracassar em um projeto e comprometer a própria carreira. Como as empresas podem atuar para garantir que o medo do fracasso não “congele” as inovações?

M.A.O. -  Uma das coisas que mais gostei de ver, constatar e aprender nos últimos tempos - desde quando comecei a me dedicar ao tema inovação - foi que não fracassamos. Passamos por experiências muitas vezes dolorosas e caras, mas isso sempre é um aprendizado. Ao estudar a biografia de Steve Jobs, mentor e criador da Apple, constatamos que ele era um exemplo neste quesito. Mas não temia o novo e a abertura para a mudança. Precisamos pegar uma ideia, colocar em um protótipo, identificar o seu modelo de negócio e ir para a rua testar em contato com as pessoas. Ver se faz sentido, ter uma visão antropológica do produto ou serviço e conferir a reação das mesmas. O que significa comprometer a carreira? Quem se preocupa com isso? Ninguém. Eu mesma já mudei inúmeras vezes. Muitas vezes. E estou aqui, dando o meu depoimento. Dentro da visão do processo evolutivo de Darwin, não é o mais bonito ou o mais rico que sobrevive, mas aquele que tiver maior capacidade de adaptação. E neste mês de junho, minha empresa Prospect fez 21 anos. Mudei para me adaptar e tenho sobrevivido. Mais do que isso: estou super feliz com as mudanças.

 

AAqui - Pessoas que não tem uma história de vida associada à inovação podem aprender a inovar?

M.A.O. - Inovar é inerente ao ser humano. Basta ter abertura para a mudança, uma pitada de ousadia, perder a vergonha e ir para a rua conferir o que está acontecendo. Interagir com grupos diferentes, conversar com pessoas que não estejam no nosso dia a dia. Identificar novas necessidades ou a dor de alguma pessoa e buscar uma solução diferente. Mas isso não é uma regra. A inovação é imprevisível e não podemos afirmar de onde sairá. Por isso, tente! Vai que dá certo!

 

AAqui - Quais as ferramentas mais importantes para “ensinar” alguém a pensar de forma inovadora?

M.A.O. - A inovação é essencial porque a mudança é inevitável. O avanço da tecnologia e a globalização são apenas duas das muitas forças que moldam o cenário dinâmico da empresa moderna. Nem mesmo as organizações mais fortes conseguem sobreviver sem adaptação. Um adulto aprende na dor. Dificilmente é “ensinado”.  Ele absorve o que lhe é conveniente. Desta forma, temos sugerido algumas práticas bastante estimuladoras e atuais, como o “design thinking”. Amplamente comentado e difundido a partir da d.School, em Stanford, e da Hasso Platner, em Berlim, o design thinking já é aplicado por muitas empresas no Brasil.

Outra técnica é a utilização do Business Model Canvas, originado em alex Osterwalder e hoje aplicado em todas as startups no mundo. Aprender pelo conceito de modelos de negócios é muito interessante porque focamos a atenção no cliente e não no produto. A partir da visão da empresa em um único plano (Quadro ou canvas) é possivel criar hipósteses para serem testadas em contato com o segmento de cliente selecionado.

Há ainda as ferramentas relacionadas ao “Design de Serviço”. Buscamos criar novas formas de trabalho, novas formas de atender os clientes, procurando eliminar as restrições que impedem que a experiência dos usuários seja agradável, que atenda de forma plena suas necessidades.