Social Good Brasil: Florianópolis ganha laboratório de inovação social

30 de Outubro de 2017

Iniciativa que vai funcionar no Sapiens Parque e usará tecnologias exponenciais para projetos sociais, foi lançada no evento que levou mais de 1 mil pessoas ao Centro de Inovação ACATE Primavera, sexta (27) e sábado (28).

Arquiteto, empreendedor social e mestre de cerimônias do Festival Social Good Brasil, Edgard Gouveia Jr.

A partir de novembro, Florianópolis passa a contar com um laboratório inédito no país para uso de dados e tecnologias exponenciais para solução de problemas da sociedade. O projeto foi lançado durante a 6a. edição do Festival Social Good Brasil, que reuniu cerca de mil pessoas em cada um dos dias - sexta (27) e sábado (28) - no Centro de Inovação ACATE Primavera, na Capital. Com ingressos esgotados desde meados da semana, o evento contou com outros 5 mil espectadores pela transmissão online - desde a primeira edição, em 2012, o festival reuniu aproximadamente 7 mil pessoas presenciais e mais de 40 mil participantes online em todo o mundo. 

O laboratório será operacionalizado pela ONG Social Good Brasil, que promove o festival, e vai funcionar no Sapiens Parque, no norte da Ilha. Diversos parceiros como IBM, Neoway, Resultados Digitais, Exosphere, Data Science Brigade, entre outros, vão fornecer as ferramentas para auxiliar no desenvolvimento de projetos sociais utilizando tecnologias exponenciais (data analytics, big data, machine learning e automação de processos etc.). "Cada vez mais Florianópolis se destaca como a capital da inovação social", afirma Fernanda Bornhausen Sá, diretora do Social Good Brasil.

A inspiração é o projeto Data for Good, idealizado pelo norte-americano Andrew Means e que funciona como uma comunidade global composta por centenas de profissionais ligados a projetos sociais que estudam e aplicam dados públicos em projetos de impacto em suas comunidades. Andrew fez a palestra de abertura do festival, na sexta, detalhando alguns dos benefícios que a tecnologia pode trazer para iniciativas sociais: "cada vez mais temos objetos conectados a internet gerando muitos dados, como imagens, preferências, locais que frequentamos. Usando dados, podemos fazer um monitoramento mais inteligente na agricultura, fornecer serviços para quem precisa conhecendo necessidades e hábitos deles, melhorar a coordenação de serviços entre entidades sociais, que podem compartilhar dados e informações". E foi enfático ao concluir que "não é a tecnologia que vai nos salvar, mas as pessoas sim. Tecnologia não é solução, é ferramenta e o desenvolvimento deve ser colaborativo".

O futuro do trabalho foi o tema do painel que encerrou o encontro, na noite de sábado, reunindo Jeremy Kirshbaum, do Institute for the Future (organização que pesquisa cenários e tendências que estão moldando o futuro), e Skinner Layne, fundador do Exosphere, programa global de educação e desenvolvimento de novas tecnologias (bio hacking, inteligência artificial e blockchain). "Por mais que os computadores façam todas as análises, no final sempre tem o dedo humano nas decisões", enfatizou Jeremy. E para lidar com as tecnologias e a nova configuração do trabalho, "precisamos entender que a ideia de empregos fixos é fruto da revolução industrial. Estamos em outro tempo agora, temos que aprender e nos adaptar ao mundo de 2017", avaliou Skinner.

 

Estímulo ao empoderamento racial e feminino

No sábado, a programação começou com um painel reunindo Ana Fontes, criadora da Rede Mulher Empreendedora, e Adriana Barbosa, do Instituto Feira Preta e eleita pela ONU como uma das 51 pessoas negras com menos de 40 anos mais influentes do mundo. "Propósito é bom mas não paga as contas do mês. A inovação social tem que resolver problemas reais, não imaginários, da sociedade", disse Ana. Na visão de Adriana, ela entendeu o que "propósito" significava quando "comecei a entender problemas globais, no meu caso enfrentamento ao racismo, que infelizmente acontece em todo lugar e isso precisa acabar", o que levou ela a criar um evento para celebrar e promover a cultura negra.

O Social Good Brasil também trouxe três exemplos de profissionais que enfrentam a deficiência visual e auditiva utilizando tecnologias inclusivas voltadas à educação e informação. Beatriz Lonskis, que nasceu surda, Fernando Botelho e Michelle Frasson (Neoway), que perderam a visão na adolescência, são referências e porta-vozes de como é possível incluir pessoas com deficiência no mundo da tecnologia. O papo foi conduzido pela empreendedora Fabíola Rocha Borba, fundadora da Signa, plataforma de cursos destinadas a surdos, inspirada na dificuldade do pai, deficiente auditivo.

 

Formação de novos empreendedores   

Além do festival, o Social Good Brasil trabalha a formação de novos empreendedores por meio de programas como o SGB Lab, que ajuda a desenvolver modelos de negócios sociais viáveis, e a segunda edição do projeto Fellows, que seleciona e capacita lideranças locais de norte a sul do Brasil para replicar o modelo do Social Good Brasil em suas cidades. Neste ano, 20 "fellows" vão espalhar pelo país metodologia de protagonismo social. 

O administrador Alonso Neto, 30 anos, foi um dos destaques da primeira turma do programa, selecionada em 2016. Neste ano, as ações que ele liderou na cidade de Uberlândia (exposição de documentário, encontros em universidades e espaços públicos) impactaram mais de 700 pessoas e ajudaram a resultaram na formação de outros 33 "agentes" a iniciar suas próprias iniciativas sociais. "A transformação mais importante é a de cada um, que olharam além, colocaram a mão na massa pelo social e saíram como  outras pessoas, mais conscientes de suas habilidades e desejos", define Alonso. 

No encerramento do festival, três projetos acelerados pelo SGB Lab foram contemplados com investimento semente para desenvolverem suas soluções: o Mãe&Mais, uma rede de serviços e informação de saúde às mães carentes, com ênfsae na primeira infância; Chat21, central online de apoio a quem tem filhos com síndrome de Down; e Blindsight, um cinto para deficientes visuais que, conectado à internet, passa informações (GPS, localização de pessoas e obstáculos ao redor) para facilitar a locomoção. 

 

Sobre o Festival Social Good Brasil
O Festival é realizado pelo Social Good Brasil, organização que inspira, conecta e apoia indivíduos e organizações para o uso das tecnologias e do comportamento inovador para a solução de problemas da sociedade. São parceiros master do SGB a Fundação Telefônica Vivo e o Instituto C&A. O parceiro sênior é o Grupo Engie. Também são parceiros do festival o Sebrae Nacional e a OLX (prata), além de Flex, SESC e Instituto Sabin (bronze). O Social Good Brasil também conta com os apoiadores institucionais Data Science Brigade, Fundação das Nações Unidas, PNUD, United Nations Foundation, ParMais, Feira Preta, Plus Social Good e Red Bull Amaphiko.

 

Nas fotos de noppephoto.com:
1. Leandro Devegili apresentou o projeto de inteligência artificial Serenata de Amor, que rastreia e dá publicidade aos gastos irregulares de deputados federais;

2. idealizador do movimento Data for Social Good (EUA), Andrew Means mostrou no painel de abertura do evento exemplos de como o uso de dados aumenta a eficiência e a efetividade em empresas e instituições do setor social.

 3. O arquiteto, empreendedor social e mestre de cerimônias do Festival Social Good Brasil, Edgard Gouveia Jr., deu as boas vindas com muita energia para as mais de mil pessoas que lotaram sexta e sábado o Centro de Inovação ACATE/PRIMAVER

Social Good Brasil: Florianópolis
Andrew Means, idealizador do movimento Data for Social Good (EUA)

Notícias Relacionadas