ARTIGO | O que os investidores externos querem do Brasil?

07 de Julho de 2016

Academicamente sabemos que existem basicamente 2 tipos de investimentos estrangeiros. Aqueles chamados de investimentos diretos, ou seja, recursos vindos do exterior para compra de ações de empresas aqui instaladas, normalmente numa proporção acima de 10% do capital, ou ainda aportes diretos ou empréstimos ou aportes Inter companhias de recursos para aumento de capacidade produtiva, expansão de mercado, aumento de atividades em suas subsidiarias brasileiras, visando, pelas suas características, o longo prazo.

 

O Brasil recebeu cerca de US$ 64 bilhões de investimentos diretos em 2015, incluindo nesse valor lucros de estrangeiras reinvestidos por aqui, queda de 11,5% x 2014. No volume de investimentos de 2015 ainda encontramos ações pontuais e de alto valor, existindo ainda um viés negativo para 2016 e que está se mostrando verdadeiro para o Brasil e para os Países emergentes de risco.

 

Para termos uma ideia, de acordo coma Unctad das Nações Unidas, os USA receberam US$ 384 bilhões em 2015 em investimento direto de um total de US$ 1,7 trilhão, 4 vezes o valor recebido em 2014.

 

De outro lado temos o que chamam de investimento em carteira, que são recursos alocados em ações ou títulos de renda fixa negociáveis aqui ou no exterior. Esses investimentos são de curto prazo e bastante voláteis. Basta uma notícia ruim ou muito boa, e as negociações de transferência entre investidores começam.

 

São bastante suscetíveis a flutuação de riscos, trazendo por consequência também consequências nas atividades econômico financeira dos Países. Enquadram-se nesses casos os movimentos que o mercado costuma chamar de ataques especulativos, ou estouro da manada etc.

Feita essa explicação, vamos ao ponto deste artigo. Estive em NY na semana de 13 a 17 de junho para conversar com advisers e potenciais investidores, e, como um bom mascate dos velhos tempos, levei comigo teasers de 40 empresas dos mais diversos setores, agronegócio, indústria, varejo, TI etc. com valores entre US$ 10 milhões a US$ 1 bilhão, para mostrar a esse pessoal e sentir o apetite de colocar recursos diretos por aqui.

 

Entramos nas reuniões já sabendo que o Brasil tem perdido oportunidades e direcionamentos de investimentos em 2016. A grande pergunta seria: Porque? Temos um mercado consumidor entre os maiores do mundo, no momento um câmbio altamente favorável para as conversões e para investimentos em empresas exportadoras, temos grandes oportunidades nas áreas de infraestrutura. Então porque o humor dos investidores está contra nós?

 

Logo ao início das conversas já sentimos que interesse de investir no Brasil existe, especialmente no agronegócio, varejo e principalmente em infraestrutura, portos, aeroportos, rodovias, ferrovias etc., mas aí entra a avaliação de risco. Capital, mesmo de longo prazo, avalia e leva muito em consideração o risco com efeitos de longo prazo.

 

Ao fim de uma semana de reuniões chegamos as seguintes conclusões:

Ø Os investidores diretos, produtivos, querem e vão investir no Brasil.

Ø Existem nichos específicos onde gostariam de investir, infraestrutura e tudo que tem a ver com consumo de massa, seja voltado para o mercado interno ou mercado externo.

Ø O súbito alinhamento do cambio dos últimos 12 meses não chega a ser um problema, pois seus olhares estão visando o longo prazo, onde mais importante é a estabilidade e não propriamente variações pontuais. No nosso caso entendem que hoje o câmbio está mais realista do que a 2 x 1.

O que realmente fez com que esses investidores colocassem o pé no freio dos investimentos diretos por aqui foram os problemas políticos e de corrupção que vieram à tona, cuja instabilidade institucional com as consequências nefastas para a economia em geral e cuja solução se arrasta por um tempo além do razoável fizeram com que as decisões de investimentos fossem postergadas para momentos com melhor clareza.

 

Entendem que, resolvido a instabilidade política, o humor melhora e os investimentos tendem a ter algum crescimento e que, resolvidos alguns entraves estruturais de nossa economia, ou seja, aprovadas mudanças econômicas estruturantes, a tendência é que o Brasil volte a receber volumes consideráveis de recursos diretos.

 

Por isso, estarão analisando as oportunidades de investimentos que, como mascates do século XXI levamos em nossa viagem, preparando-se para o momento próximo em que estaremos com a situação política resolvida e as principais medidas econômicas estruturantes aprovadas pelo Congresso.

 

Acreditam muito em nosso Ministro da Fazenda, e saímos de lá acreditando que teremos melhores momentos ainda este ano, melhorando mais ainda em 2017.

Elizeu Lima, economista, empresário e consultor internacional para negócios bilaterais

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