Artigo | O futuro dos negócios - Por Isabela Stanizio, executiva - iS People & Future Experience

21 de Junho de 2018

Isabela Stanizo. Foto: Kelly Gomes.

Por Isabela Stanizio*

Em 2020 já teremos um novo mundo. Hoje, temos quase 4 bilhões de pessoas conectadas no planeta. A era digital já é realidade. Empresas falam de inovação, a indústria debate a Revolução 4.0, futuristas estudam possíveis cenários em tempos de tecnologias exponenciais e os profissionais tentam descobrir por onde dar início à sua própria reinvenção.

O conhecimento tradicional se tornou obsoleto, a resistência vem sendo vencida pelas descobertas diárias e os novos assuntos ocupam cada vez mais espaço nas rodadas de negócio. O que acontecerá com nosso mundo, com o mercado, com as profissões? Que Brasil queremos no futuro e que mundo desejamos a partir de agora?

Parecem perguntas românticas, que antes só poderiam ser feitas por quem tinha poder, dinheiro ou vida garantida.

Filosofia era para desocupados ou para privilegiados, hoje já é assunto de todos nós. Precisamos nos apropriar desta causa como população global. Não é mais só sobre o Brasil; é sobre o mundo que vivemos, que muda rapidamente todos os dias e que exige nossa atenção.

Em 2016, quando a Quarta Revolução Industrial foi oficialmente anunciada, os early adopters do mundo colocaram o assunto na pauta principal. Futuristas, empreendedores, líderes exponenciais e comunidades criaram poderosos ecossistemas em torno da inovação e da transformação do mundo. O novo movimento é admirável e o mundo já vem mostrando evidências positivas. Ainda há muitos problemas sobre os quais teremos que conversar. Nunca a desigualdade esteve tão acirrada, nunca os desafios globais estiveram tão conectados com a nossa realidade do dia a dia.

Precisamos ampliar o debate, a visão sistêmica e conversar sobre todas as questões que afetam a vida humana no planeta. Tecnologia e inovação são pautas quentes, mas não as únicas. O que é bom para o mundo é bom para seu negócio a partir de agora. Um dos principais desafios será a mudança cultural, o abandono do imediatismo e a co-criação de uma economia compartilhada. Há otimismo entre os executivos e empreendedores, mas eles também declaram que o nível de preparação do nosso mercado é muito baixo.

Tradição é uma palavra muito forte no mundo dos negócios. Nos grandes centros, mesmo que com um atraso de 2 anos, o mercado e a indústria discutem a onda 4.0.  Na ordem do dia, tudo gira em torno desses dois números que estão quase obsoletos no movimento do mundo. A indústria do Brasil reconheceu a urgência do assunto no final do ano passado, e o tema virou a ordem do dia. Inovar significa sobreviver.

Negócios de todos os segmentos e tamanhos precisam abrir espaço para esse assunto. Ecossistemas sociais precisam conectar-se ao debate e planejar ações casadas. E todos nós, profissionais do mercado, precisamos aprofundar a discussão, para que nos tornemos capazes de aprender e nos transformar ao mesmo tempo.

Teremos que ser híbridos, desapegados, hábeis, capazes de andar em curvas desconhecidas e corajosos para que possamos nos reinventar junto com o mercado nos próximos anos. Novos dilemas sociais vêm aparecendo. Cada vez há mais executivos entrando em ano sabático para entender as mudanças do mundo. Cada vez mais profissionais vêm buscando trilhas de reciclagem. Cada vez mais empresas trabalham para construir caminhos de inovação. Todos os dias temos empresas surgindo.

A Quarta Revolução Industrial exige atenção, decisão e prontidão. Não é preciso pressa, mas a distração pode custar caro. Para o futuro imediato, teremos algumas tecnologias em destaque, mas elas não deveriam virar o novo tecnicismo do mercado.

O futuro emergente exige soft skills, não conhecimento apenas ou novas tribos técnicas ou tecnológicas. Um novo organismo humano está nascendo: consciente de si mesmo, bem construído em termos éticos, ambicioso por causas de impacto social e corajoso para romper com as barreiras do status quo. Este novo cidadão escolhe a vida que quer viver e cria o futuro que deseja.

Há um novo questionamento no ar: já temos uma ideia do que vem pela frente, agora queremos saber como nos adaptar. Alguns assuntos de 2017 já estão com prazo vencido. Precisamos ampliar a discussão e tirar o foco excessivo em torno da tecnologia. Transformação Digital não é apenas sobre inserir a tecnologia no negócio atual! Ela começa pelo debate em torno da remodelagem do negócio, da mudança da cultura e do mindset dos líderes. Estudos pelo mundo mostram que a digitalização será apenas a primeira etapa da revolução em curso.

Se você é executivo, não perca mais nenhum minuto resistindo e imaginando que vai demorar ou que seu segmento está protegido pela história que criou até agora. Se você é gestor ou head de área, busque cursos tecnológicos, mas dê a mesma atenção ao desenvolvimento de habilidades de comportamento. Elas são as grandes estrelas da próxima década.

As máquinas não ameaçam seu trabalho atual, seu modelo mental sim, e sua capacidade de desaprender e reaprender em curto prazo serão definitivas. As escolhas deste ano flutuam entre: influenciar a mudança, ser influenciado por ela ou acordar um dia e perceber que o mundo que você conheceu não existe mais.

2020: O Futuro começa hoje. Empresas e profissionais estão muito pouco conscientes e prontos para a primeira das mudanças dos próximos anos. A discussão em torno de tecnologias exponenciais, negócios digitais e startups estão abertas e precisamos adicionar na mesma intensidade um novo ingrediente: a mudança do modelo mental das pessoas, a adaptação dos modelos, o entendimento das novas propostas do mundo e o desenvolvimento de novas habilidades cada vez mais complexas. O conhecimento vale, mas não é mais definitivo. 

O futuro do trabalho tem sido pauta constante e já sabemos que os líderes da nova era lideram com paixão, por propósito e por impacto. Na era digital, negócios e propósito andam juntos em torno da criação de um mundo mais sustentável. A automação ameaça os trabalhos mecânicos e os grupos intelectuais, cujo trabalho, em volumes cada vez maiores, é mais eficiente quando entra em cena tecnologia como a inteligência artificial.

A economia aberta já mudou o cenário do mundo. Cada dia mais empresas se dão conta de que tamanho não é mais documento e o formato tradicional pode estar com os dias contados por diversas razões, mas essencialmente por um aspecto muito simples: perderam a competitividade. Ninguém sabe exatamente como será o futuro, mas o passo está acelerado. Teremos que nos acostumar com a ideia de trabalhar com as máquinas. 

As pessoas não gostam de mudança nem de rotas desconhecidas. Como podemos nos preparar para tantas novidades? Controlando a mente é a resposta.

Meditação é uma ferramenta do Mindfullness, que significa estado desperto, presença, estado consciente. Desenvolver nossa mente como fazemos com os demais músculos é a única forma de lidar com este novo mundo desconhecido.
Temos que nos fortalecer internamente, ter resiliência, aprender a lidar com a mudança diária e com a troca do que conhecemos por algo novo todos os dias. Temos que nos adaptar e desenvolver definitivamente nossa inteligência emocional, ou entraremos em colapso.

Mindfullness é caracterizado por três aspectos: intenção ou propósito, presença e não julgamento. É um estado, uma atitude perante a vida, que podemos cultivar e manter na maior parte do tempo, se formos dedicados e alertas. É momento de voltar para si mesmo, de controlar o que pensamos e fazemos, de não embarcar no tsunami da revolução digital, porque ela é só o começo das grandes mudanças que virão nos próximos 20 anos. Dedique tempo para desenvolver sua mente e sua essência.

Pressa e atropelo são diferentes de velocidade

Precisamos aprender a ter respostas rápidas que tenham base sólida ou certamente em 2020 muitos profissionais ou empresas enfrentarão um enorme desafio de não encontrar mais oportunidades ou de estagnar sua jornada de prosperidade e crescimento.

Transformação cultural em rota acelerada. Um novo jeito de viver se instala rapidamente nas sociedades globais. Ter menos coisas e ser relevante para a comunidade. Planejar menos, fazer mais, arriscar, errar, testar, prototipar, aprender. No mundo inteiro, a economia aberta ganha escala e os novos modelos assustam dinossauros como Jorge Paulo Lehman, um dos homens mais ricos e influentes do País. A riqueza passou a ter outro formato, a ostentação está fora de moda e pessoas com poder temporário e modelo mental ultrapassado estão em visível decadência.

A nova economia cria bilionários, distribui poder, dá acesso a tudo massivamente e confronta de forma radical os conceitos que vivemos até hoje. A inovação está por todos os lados, a transformação digital a todo vapor. Tecnologias disruptivas, Biotech, NanoTech, robótica, startups incríveis se revelam todos os dias. Um novo e interessante mundo está começando.
Frente a tanto barulho, decidi perguntar para diversas pessoas: qual é o desafio dos desafios do nosso tempo?

Nos centros de inovação avançada, há um retorno ao humano. Klaus Schwab, do World Economic Forum, em 2016, escreveu em seu livro sobre o Renascimento Cultural do Planeta. Este ano, mais uma vez ele sugere: olhe para o sistema, não para a tecnologia. É o ecossistema global que está em mudança, tecnologia é a ferramenta apenas.
Depois da onda inicial, necessária para o despertar geral, a ansiedade começa a dar lugar ao equilíbrio e ao bom-senso. Precisamos nos reinventar como sociedade e inserir o aspecto humano na discussão é definitivo. Nossa natureza não é exponencial.

Ela requer passagens bem feitas, processamento de informações, tempo para mudança. Podemos acelerar, sem dúvida, mas jamais pular etapas. A maior das transformações é cultural. Temos de nos tornar capazes de abandonar velhos dogmas e abraçar o novo mundo em seu formato quântico, misterioso, estranho ainda para a maioria.

Como pessoas, precisaremos rever nossa forma de viver e de nos relacionar com os outros e com o mundo. Como profissionais redesenhar a rota é urgente. As empresas terão de tomar grandes decisões que podem oscilar entre assumir sua extinção e preparar-se para ela, inovar sabendo que o velho jeito de inovar não basta, pivotar o negócio ou investir em novas oportunidades com formatos mais adequados a nosso tempo. Essa é a primeira pergunta que qualquer CEO ou empresário deveria responder quando o assunto é o futuro do negócio.

Sobre o futuro do trabalho, muito se fala, pouco se sabe. Evidências mostram que é possível que alguns grupos tenham perdas iniciais mas muito mais oportunidades se estiverem qualificados para abraçá-las.

 

*Isabela Stanizio, executiva - iS People & Future Experience.