Artigo | Liderança de resultados: como andam as one-on-ones com o seu time? - Por Mariana Magalhães

21 de Setembro de 2018

As one-on-ones estão entre as mais poderosas ferramentas de gestão; aprenda o que são e como conduzir uma boa conversa com seus liderados neste post

Por Mariana Gomes Magalhães Tomio*

 

Muito se ouve falar sobre os desafios de gerir equipes motivadas e de resultado. Criou-se um “mito” em torno deste tema, que associa equipes produtivas e outliers a altos investimentos, bônus de performance, grandiosas estruturas de RH, ambiente descolado, frutas frescas todo dia…

Mas, será que tudo isso é realmente necessário para termos uma equipe de alta performance?

Sabemos que para liderar é necessário praticar uma comunicação frequente e aberta. Para isso existem inúmeras ferramentas e iniciativas ao seu alcance que, se bem aplicadas no dia a dia, ajudarão você e sua agência a formarem equipes altamente eficientes e focadas em resultado.

Mas por onde começar?

O meu conselho é: comece ouvindo o seu time. Parece meio óbvio, mas está cada vez mais difícil encontrarmos líderes que estejam realmente dispostos a ouvir. Tem muita demanda, muita pressão, aquela caixa de emails não lidos interminável… e se não ficarmos atentos, tudo o que sobra para nossa equipe no fim do dia são aqueles 10 minutinhos de alinhamento, em pé mesmo, entre uma reunião e outra.

Neste post, escolhi dividir com vocês a minha visão sobre apenas uma, mas talvez a mais poderosa das ferramentas de gestão, que nos ajuda na árdua porém essencial tarefa de parar e ouvir individualmente cada membro da nossa equipe: as one-on-ones.

O que são one-on-ones?

Quanto mais exerço a rotina de 1:1, mais me encanto pela eficácia desta ferramenta. Criar o hábito de sentar para ouvir seu liderado, trocar experiências sobre assuntos diversos (sejam eles operacionais ou não), deixando claro que sua porta (ouvidos e coração!) estará sempre aberta é um caminho importante na construção de uma relação de confiança, admiração mútua e motivação.

Além disso, acredito que essas reuniões são cruciais na construção de uma cultura organizacional sólida e uma comunicação tática fluída, seja ela de cima para baixo ou de baixo para cima, sempre com foco no desenvolvimento e na entrega de resultados do seu colaborador individual.

Na prática: como elas funcionam?

Cada um tem seu jeito de praticar as one-on-ones. A intensidade está ligada, inclusive, à maturidade do time e ao momento da sua empresa. Mas, se tiverem um encontro quinzenal de cerca de uma hora de duração, com foco exclusivo no desenvolvimento, com certeza, já fará toda a diferença.

E quando digo desenvolvimento, não quero dizer apenas de carreira. Pode ser desenvolvimento de ideais, de um ponto de vista, de um ponto forte, ou de um ponto a ser aprimorado…. O importante é ter um horário marcado, rotineiramente, com o objetivo de parar tudo e apenas ouvir seu colaborador.

Ter por objetivo, nessa uma hora construírem juntos o olhar para o seu papel como líder, para o outro, seja o colega da mesa ao lado ou de outro departamento, para os objetivos da empresa, para meta… e entender onde tudo isso se converge com a job e o momento dele.

Além disso, costumo fazer encontros intercalados para falar exclusivamente sobre a operação.

Vale separar one-on-ones de carreira das de operação?

Com certeza! Sem dúvida toma um pouco mais de tempo, mas, por experiência, aprendi que, se não construirmos essa divisão, invariavelmente gastamos quase toda reunião mergulhados em assuntos operacionais. É um vício cognitivo do ser humano, uma força natural que todo líder de resultado precisa lutar e vencer!

Quando focamos em desenvolvimento, a cada encontro visitamos e discutimos o PDI do colaborador (O quê? Você ainda não construiu um Plano de Desenvolvimento com seu liderado? Se quiser, pode ler mais AQUI sobre o tema. PDIs são essenciais para gestão de alta performance).

Também discutimos sobre o tour of duty (ou a trajetória profissional de médio prazo traçada) e o que ele tem feito para estar alinhado com os objetivos estabelecidos. Olhamos juntos para cada uma das metas desenhadas, que visam a evolução profissional do indivíduo, não somente na empresa, mas na sua vida.

Este é o dia das conversas sinceras, muitas vezes difíceis, mas sempre necessárias e engrandecedoras.

Que tal começar a praticar?

Se tem dificuldades em colocar tudo isso em prática, aqui vão algumas dicas:

Eu sempre abro as reuniões com o clássico “ E aí, fulano (a), conta mais, como estão as coisas?”.

Parece trivial, né? Mas podem ter certeza que é um ótimo começo. Na verdade o segredo deste início não está na pergunta, mas o quanto você realmente está disposto a ouvir resposta.

Na sequência, emendo com algumas outras perguntas que com frequência são revisitadas, pois são infalíveis:

*Qual a sua expectativa em relação a tal iniciativa ou a esse momento que estamos vivendo?

*Como você espera que eu te apoie nesse assunto?

Ou uma das minhas preferidas e também das mais difíceis de serem respondidas:

*Faça uma auto-avaliação das suas principais qualidades e aquilo que precisa ser melhorado (pode ser na execução específica de um projeto, uma auto-avaliação durante um team building, ou no âmbito mais amplo mesmo).

Se você receber respostas francas para essas três perguntinhas acima, garanto que haverá dever de casa para líder e liderado para alguns encontros.

E a cada one-on-one, a cada conversa franca e presente, firma-se a certeza que o tempo que você despende para práticas como essa se convertem em resultados imediatos para seu negócio.

Você passa a estabelecer um diálogo mais fluido com sua equipe, estabelece uma relação de transparência, alcança um engajamento muito maior, principalmente quando precisa repassar diretrizes estratégicas, ou promover ações disruptivas. Seu liderado passa a se sentir mais à vontade para trazer para você e também aos colegas, feedbacks francos e necessários.

Por fim, fiica mais fácil identificar ou abordar um problema antes que ele se torne o “elefante branco na sala”, mesmo que seja só na cabeça de um de vocês.

Resumindo: consolida-se uma relação de ganha-ganha

Ganha o colaborador por ter alguém genuinamente preocupado com seu desenvolvimento e sua high performance.

Ganha a sua agência em ter profissionais engajados e focados na entrega de resultados.

E, sem dúvida, ganha você, líder, com a satisfação de conhecer efetivamente cada membro do seu time e beneficiá-los com algo cada vez mais precioso: a sua atenção. Hoje em dia, dar nossa presença completa e ininterrupta é um presente raro, que sem dúvida fará toda diferença na performance do seu time e no impacto na sua organização.

 

*Mariana Gomes Magalhães Tomio é Partner Customer Success Team Leader | Resultados Digitais