ARTIGO | Conflitos Societários: A busca de soluções harmoniosas

17 de Janeiro de 2020

Quem quer sair acha que o negócio vale 100. Quem quer ficar acha que o negócio vale 50.

por Hermes Ghidini*

 

Há velhas máximas para mediações e acordos, mas a que mais me agrada é aquela que reza : “Um acordo mediano é melhor que nenhum acordo".

Nesses tempos de economia arrastada (últimos 4 anos), queda acumulada devastadora do PIB para muitos segmentos, o que mais tem demandado na minha empresa de consultoria são trabalhos de Valuation, Mediação de Conflitos Societários e Busca de Compradores para as Empresas.

Queda de faturamento acompanhada de queda de lucro operacional tem sido o binômio para geração de conflitos societários desconfortáveis.
Isto tem acontecido em empresas familiares, com rupturas entre pais e filhos, irmãos, primos, tios, sobrinhos, genros, cunhados, enfim, entre todos que compõe o grupo de herdeiros ou sucessores de uma Organização e entre sócios não familiares, que, por algum tempo tenham navegado em águas tranquilas até o início desse período de vacas magras.

Pra quem está no mercado desde a década de 70, como é o meu caso, já tendo convivido com períodos de altos e baixos da economia e que geraram desaparecimento de empresas, distratos entre sócios, fusões e
incorporações sempre aconteceram. A diferença é que até o final da década de 90, as margens de lucro eram mais significativas em praticamente todos os segmentos, permitindo suportar as crises que também eram mais curtas. Falo das crises do petróleo na década de 70, a ruptura de regras do Plano Cruzado quando o Brasil quebrou em 86, as loucuras do Plano Collor em 90 finalmente a estabilidade com o Plano Real em 94.

Posso afirmar que os efeitos da crise atual nas Empresas de todos os segmentos e de todos os tamanhos não tem precedentes. Se querem uma prova contundente disso é só checar o Endividamento das Empresas (e até dos Consumidores), os Passivos Tributários, o nível de Desemprego, o número de Falências e empresas em Recuperação Judicial. Isso sobre a que ainda estão sobrevivendo, fora as que deixaram de existir  oluntariamente, avolumando os prédios com placas de vende-se ou aluga-se em todos os Distritos Industriais e ruas Comerciais do País.

 

 

Muitas empresas suportavam a queda de faturamento com redução de custos, para tentar manter o Lucro Operacional em níveis aceitáveis. 
Agora, no entanto, a queda de faturamento vem acompanhada de aumento de custos, aumento de impostos e as margens despencando.

Os Lucros Operacionais do segmento do Agronegócio vão de 3 a 8%. Do segmento Industrial de 4 a 10% e do setor de Comércio e de Serviços de Zero a 5%. Traduzindo: para um faturamento líquido de 100, o máximo que os 3 setores da economia ganham não ultrapassa 10%. 
Se um dono de empresa for explicar para os seus funcionários que estão demandando aumentos, que a empresa fatura R$ 100,00 e lucra menos de R$ 10, poucos acreditam.

Em decorrência destes fatores, o volume de conflitos societários vem aumentando. Quem quer sair acha que o negócio vale 100. Quem quer ficar acha que o negócio vale 50. Por isso precisa haver a entrada de um “ pacificador “ não envolvido emocionalmente, que poderá estruturar uma Estimativa de Valor para o negócio, buscando harmonia entre os sócios. Assim, definido o valor entre as partes, poderá haver negociação para a aquisição de um lado ou de outro, ou então a venda do total da Organização para um terceiro interessado.

Assim, é muito possível estabelecer acordos amigáveis, sem a necessidade de buscar juridicamente os direitos das partes, o que demandará custos e tempo, desgaste e piora do desempenho das operações. Dispender energia em processos judiciais não agrega valor para ninguém.

*Hermes Ghidini é Consultor de Empresas. Sócio da HL Ghidini Consultoria e Conselho de Gestão - www.hlghidini.com.br - hghidini@terra.com.br

 
 

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