Artigo | Internet corporativa: entre o uso profissional e pessoal

19 de Junho de 2017

De acordo com estudo recentemente divulgado sobre o uso corporativo da internet, 94% dos gestores acreditam que os colaboradores usam a web durante o trabalho para fins pessoais: 77% dos acessos são para redes sociais.

Cassio Brodbeck, CEO da OSTEC Business Security

por Cassio Brodbeck*

Atualmente, grande parte das organizações fazem uso da internet para organizar, automatizar e gerir processos internos. Há casos, inclusive, nos quais é impossível trabalhar offline, já que diversos programas necessitam de conexão para garantir seu pleno funcionamento. Em situações como essa, é comum que gestores e diretores se preocupem com o modo como as equipes utilizam a web no ambiente corporativo, seja por razões profissionais ou até pessoais.

De acordo com informações de um estudo recentemente divulgado sobre o uso corporativo da internet, 94% dos gestores acreditam que os colaboradores usam a web durante o trabalho para fins pessoais: 77% dos acessos são para redes sociais. A pesquisa ouviu trabalhadores de diferentes níveis hierárquicos, desde diretores e gestores, à supervisores, analistas e estagiários.

Mesmo que o foco central do estudo tenha sido a relação entre o uso da internet e a produtividade no trabalho e, automaticamente, se pense que a discussão seja conduzida em torno do bloqueio no uso de sites e redes sociais em geral, é importante evidenciar o  tema, sem incorrer no risco de fazer generalizações precipitadas. Isso é comum em ambientes onde os gestores não possuem visibilidade sobre o uso da internet e, portanto, não podem direcionar os esforços para aplicação de controles adequados. Por isso, o assunto pode render debates ricos, como o que se pretende, focados em uma questão central: dosar o uso do recurso sem prejudicar o desempenho dos colaboradores.

A mesma pesquisa aponta que 54% dos líderes entrevistados julgam que o uso indiscriminado da internet, com ou sem consentimento, pode atrapalhar o rendimento dos funcionários. Mas 26% acreditam que o acesso a web para fins que não sejam profissionais pode, inclusive, engajar e aumentar a produtividade dos colaboradores, independente do seu nível hierárquico. Arejar a mente com outros focos de atenção, seja em um site de notícias ou uma rede social específica, pode contribuir para potencializar os esforços das equipes.

Claro que tudo em excesso pode ser danoso, neste caso, para os próprios negócios. Por isso, é importante que os gestores adotem políticas sobre o uso corporativo da internet, além do emprego de ferramentas para personalizar a utilização da internet sem, contudo, ser proibitivo. Também é fundamental pensar na gestão do tempo consumido pelos funcionários para o planejamento e exercício de suas atividades, tornando o processo ágil e produtivo tanto para as equipes quanto para o negócio em si.

É importante, no entanto, alertar para ações como downloads de documentos ou programas que possam ser potencialmente perigosos, no que diz respeito à possibilidade de infecção dos dispositivos corporativos por malwares de natureza diversa. Há produtos especializados  que possibilitam a visibilidade e o controle sobre o uso da internet, tais como soluções unificadas para prevenção de ameaças virtuais (Firewall UTM), possibilitando conformidade entre necessidades do negócio e colaboradores.

É preciso desassociar a gestão do uso da internet do conceito de bloqueio de sites e redes sociais. O que se propõe é justamente o contrário: evidenciar o tema, trazendo a visibilidade sobre o uso da internet como recurso para gestores identificarem lacunas, passíveis de melhoria, e seus impactos no ambiente corporativo.

*Cassio Brodbeck é CEO da OSTEC Business Security, especializada em segurança virtual corporativa.