Resort ou não resort?

23 de Janeiro de 2014

Toda empresa deve cuidar para que as peças que ajudam a construir sua imagem sejam coerentes, que se encaixem d

Toda empresa deve cuidar para que as peças que ajudam a construir sua imagem sejam coerentes, que se encaixem direitinho sem deixar buracos. Mas não foi o que aconteceu num hotelzinho até que bem charmoso no qual me hospedei na Itália.

O estabelecimento tem apenas 4 quartos, cada um com uma decoração temática baseada num filme diferente. Pelas fotos, achei a estética de gosto duvidoso, mas tudo parecia bem caprichado. Como diferencial, ele oferecia um chuveiro desses com trocentas funções, inclusive sauna (a luz muda de cor, há vários jatos, etc) e uma cama massageadora (ótima!!).

Fora isso, tinha o normal de qualquer hotel novo e bem construído: metais e louças de primeira, piso ok. A sacada tinha vista para um quintal e o quarto era pequeno, mas atendia perfeitamente às nossas necessidades. Veja que não estou aqui reclamando de nada; o atendimento era excelente e ficamos bem satisfeitos (eles estão muito bem cotados no TripAdvisor), mas em termos de identidade corporativa, o negócio é uma tragédia.

Começa com o nome: Resort Il Príncipe. Gente, está mais para um bed & breaksfast bem confortável, mas nem sei se chega a hotel, quanto mais resort. Para se ter uma ideia, ele ocupa um dos três andares de um pequeno prédio comercial (os outro dois são usados por uma empresa de informática). Como não tem restaurante e nem ao menos uma sala de refeições, você toma café no quarto (que é meio apertadinho, então tem que puxar o carrinho para a beira da cama), sendo que, como eles não têm cozinha, é tudo na base da caixinha e envelopinho.

Veja a fachada e compare com outros resorts que você já deve ter conhecido.

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O rapaz da recepção é a simpatia na forma de um cidadão italiano; além de muito solícito, o Fortunato é proativo e faz qualquer coisa para ajudar. Quando chegamos, o moço nos explicou detalhadamente como funcionava a TV, o computador, a iluminação, a cama, quase tudo. Mas quando chegou no chuveiro, ele nos estendeu uma cópia do manual de instruções do fabricante e saiu de fininho. Quase morri de rir, pois eram 4 controles de parede diferentes, cada um mais cheio de botões que o outro. Mas só tinha o manual de um deles, mesmo assim não ajudou muito, pois eu não sabia se aquele era o modelo ST2, ELT3, ELT 4-8-13,18BT, 19BT, 20BT ou Flexa Double. Bom, fui testando na base do chute e até cheguei a fazer sauna, mas confesso que ficaria mais feliz com uma banheira…

A placa de entrada, colada com durex e semi-coberta pela porta, quase sempre aberta, também não dá para dizer que é padrão resort. Observem.

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Para fechar o festival de peças desconectadas, um dia estava tomando café e prestei atenção na embalagem do açúcar; repare as versões frente e verso.

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Uma propaganda de Motoservice associada ao hotel é meio esquisito, mas vá lá. Agora, o que faz uma empresa de descontaminação de amianto anunciar numa embalagem de açúcar e a mesma ser utilizada em cafés da manhã de pseudo-resorts?

Olha, crise de identidade é pouco. O negócio parece ser esquizofrenia da grossa....rsrsrs

Ligia Fascioni

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    Ligia Fascioni é consultora e palestrante nas áreas de marketing, identidade corporativa, liderança, inovação e atitude profissional. É engenheira eletricista, mestre em automação e controle industrial, especialista em marketing e doutora em engenharia de produção e sistemas com foco em gestão integrada do design. Autora de vários livros, incluindo “DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica” (Integrare, 2010) e "GPS para curiosos" (e-book, 2013). Seu blog (www.ligiafascioni.com.br) foi selecionado como um dos 10 melhores em língua portuguesa pela Deutsche Welle em 2013. Desde 2011, mora em Berlin, Alemanha, onde é sócia de uma start-up de tecnologia.