Vídeo que derrubou William Waack teria vazado de dentro da Globo São Paulo

08 de Novembro de 2017

Observatório da TV diz que atitude da Globo é elogiável

O jornalista Daniel Castro publicou agora há pouco no seu canal na Notícias da TV que o vídeo que afastou o jornalista William Waack do Jornal da Globo vazou de dentro da própria emissora.
A situação registrada no vídeo aconteceu em 8 de novembro de 2016, por ocasião da eleição de Trump à presidência dos Estados Unidos. As imagens foram captadas pela mesma câmera que transmitiu, minutos depois, Waack e o comentarista Paulo Sotero falando dos primeiros resultados das eleições norte-americanas, diretamente de Washington. Foram transmitidas via satélite e armazenadas em servidor em São Paulo.

O áudio, no entanto, não é do microfone de Waack, mas do sistema de intercomunicação entre São Paulo e a capital dos Estados Unidos, daí a qualidade
ruim. Em inglês, técnicos conversam sobre ajustes para a transmissão que ocorreria minutos depois no Jornal da Globo.

No vídeo, Waack está pronto para entrar no ar e se irrita com um motorista que passa na rua, buzinando. "Está buzinando por que, seu merda do cacete?", reclama. Em
seguida, ele se vira para Paulo Sotero. "Deve ser um, com certeza, não vou nem falar de quem, eu sei quem é. Sabe o que é?", diz, referindo-se, provavelmente, a eleitor de Barack Obama. Para ler a íntegra da nota de Daniel Castro, clique aqui.

Atitude da Globo é elogiável

No comunicado enviado à imprensa, a emissora avisa que “está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida. Nele (…) alguém na rua dispara a buzina e, Waack, contrariado, faz comentários, ao que tudo indica, de cunho racista”.

O comunicado toma o cuidado de deixar claro que o afastamento do jornalista se dá para que o caso seja analisado, sem, em nenhum momento, já colocar o âncora como culpado. Diz ainda que iniciará conversas com Waack hoje para esclarecer os fatos. E reafirma o currículo e a extensa lista de bons serviços prestados pelo jornalista à empresa. Também reafirma a posição da emissora: “a Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante”, avisa.

Em todo este caso, continua a análise do Observatório da TV, chama a atenção a posição da Globo de se colocar de forma transparente diante de seu público. Não é o primeiro caso. O cantor Victor Chaves foi afastado do The Voice Kids em razão de uma denúncia de comportamento violento, enquanto José Mayer também foi afastado das novelas quando surgiu uma denúncia de assédio contra ele. Em todos estes momentos, o canal foi bastante claro e direto sobre o que estava acontecendo.

William Waack ainda não foi condenado a nada, mas a precaução da emissora em afastá-lo até apurar melhor o ocorrido foi a melhor das saídas. Num momento em que o canal se mostra em sintonia com as demandas sociais e promove campanhas sobre respeito, não tomar nenhuma atitude seria passar um atestado de hipocrisia. Além de coerente, a atitude da emissora demonstra, também, respeito ao seu público, tratando o caso de forma transparente, optando pela informação ao invés do silêncio.