MEMÓRIA | Reencontrando Beto Carrero. Crônica do jornalista Carlos Stegemann

07 de Fevereiro de 2013

Beto Carrero morreu no dia 31 de janeiro de 2008, aos 70 anos

 

Este artigo foi publicado originariamente no dia 7 de fevereiro de 2013

por Carlos Stegemann*

 

Na noite de 31 de janeiro de 2008 chovia torrencialmente em Florianópolis e grande parte do litoral catarinense. Era quinta-feira de Carnaval e o clima prenunciava que o feriado seria debaixo de mau tempo. Pouco antes da 1h, uma ligação de Victor Hugo Loth, gerente de marketing do parque Beto Carrero World, me surpreendeu. Sem ocultar o choro, comunicou-me da morte de João Batista Sergio Murad, aos 70 anos, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP). 

Uma gestão de crise foi deflagrada e uma hora depois as luzes da sede da PalavraCom já contrastavam no prédio às escuras do centro de Florianópolis. Amanheci no parque, na companhia do jornalista e sócio André Seben, não sem antes conceder entrevistas às rádios de veiculação nacional, casos da Gaúcha e CBN, em plena madrugada. Fui indicado como porta-voz da diretoria e da família junto à Imprensa, visto que o estupor era geral. Para quase todos, afinal, em um sentido lato, Beto Carrero era imortal. Foram dois dias sem dormir, até que Beto fosse sepultado no modesto cemitério de Penha, cidade pela qual tinha profunda admiração, pois lá construiu o maior de todos os seus sonhos.

Minha última convivência com ele fora acompanhando uma grande matéria da revista Caras, com os repórteres Sarah Castro e Fernando Wiladino. Beto parecia bem, mas ocultava, até para os familiares mais íntimos, problemas graves com seu coração. Diante da pressão da repórter, sob risonhos protestos, admitiu ter uma idade muita distante da real, mas que foi aceita sem dificuldades. O vigor e o semblante do caubói atestavam uma idade abaixo de 60 anos. Cinco anos depois, creio que o próprio João Batista se confundia com o personagem e julgava-se imortal. Não estava errado: seu legado o imortalizou. As convicções de empresário (muita vezes na contramão do bom senso) bem-sucedido, a competência em construir um parque para todas as idades, o carisma sem barreiras, tudo isso fez de João Batista um imortal em Beto Carrero.

As lições que assimilei em perto de 10 anos de convivência são múltiplas e certamente já as reproduzi em inúmeras oportunidades. E um episódio, repleto de simbolismo, jamais esquecerei: no momento em que a urna funerária descia à sepultura (diante do governador Luiz Henrique da Silveira), o calor tórrido deu lugar a um intenso temporal, incluindo uma chuva de granizo, que deixou hematomas em minhas costas e na cabeça, ao lado da então repórter do Santa, Sicilia Vechi, hoje no DC. Segundos após a cerimônia, a chuva cessou e a bonança voltou. João Batista Sergio Murad deixou a impressão que reencontraremos Beto Carrero a qualquer momento de nossas vidas...

 

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Beto Carrero penteia bigode de Jailson de Sá, editor do AcontecendoAqui, no Top de Marketing ADVB/SC de 2007

*Carlos Stegemann, jornalista e sócio da Palavra Comunicação.

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