Papel da imprensa na cobertura do coronavírus é debatido em webinar

29 de Maio de 2020

Debate foi promovido pela In Press Oficina

“A imprensa tem um papel ativo no combate à pandemia, já que a cobertura da Covid-19 se assemelha a de uma guerra. A informação, com precisão e credibilidade, é uma arma vital para achatar a curva da doença e salvar vidas.” A afirmação é de Patrícia Marins, jornalista e sócia-diretora da In Press Oficina, durante o Arena de Ideias, webinar realizado nesta quinta-feira (28/5), e que discutiu o papel da imprensa na cobertura da Covid-19. 

O debate promovido pela In Press Oficina reuniu especialistas em comunicação para discutir os novos desafios enfrentados pelos profissionais da mídia durante a crise, como a exposição e os riscos de contaminação, além das mudanças na rotina e nos ritos da cobertura jornalística nesse período desafiador. Também tratou-se do atual cenário de polarização política e o aumento dos casos de violência contra profissionais da imprensa no Brasil.

Participaram também do bate-papo virtual, o jornalista especializado em mercado financeiro da Agência Dow Jones e do The Wall Street Journal, Paulo Trevisani e o apresentador da TV Record e jornalista político, Luiz Fara Monteiro. A mediação foi de Fernanda Lambach, diretora de Relacionamento com o Poder Público da In Press Oficina.

Pesquisa do Datafolha, publicada em março, revela que as redes de televisão, com 61%, e os jornais impressos, com 56%, lideram o índice de confiança em informações sobre o coronavírus. Ambos são seguidos por programas jornalísticos de rádio (50%) e sites de notícias (38%).

De acordo com Patrícia Marins, especialista em gestão de crise, imagem e reputação, a busca por informações nos veículos tradicionais de comunicação reforça a importância e a credibilidade do jornalismo profissional e contribui para que a sociedade escape de armadilhas, como as fakes news, nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.

“Com isolamento social, as pessoas se deram conta de que a rede sociai pode ser um criadouro de notícias falsas e espalhar um outro tipo de vírus, o das fake news. O que todo o cidadão que consome informação quer é credibilidade e ela sempre esteve associada à informação de confiança. Em tempos de pandemia, esse atributo ganha ainda mais poder. O jornalismo sério e competente é um dos pilares da república moderna e das democracias contemporâneas”, ressalta. 

Ameaças à imprensa

Os casos de ameaças e violência física contra profissionais da comunicação têm ganhado visibilidade nos últimos meses. Na última semana, o Grupo Globo, o jornal Folha de S.Paulo, a Band e outras empresas de comunicação decidiram não enviar mais jornalistas ao Palácio da Alvorada para cobrir as entrevistas do presidente da República, Jair Bolsonaro. Apoiadores do governo têm intimidado e agredido repórteres verbalmente no local.

Segundo Paulo Trevisani, jornalista do The Wall Street Journal, a imprensa historicamente sempre sofreu com pressões e casos de violência. Para ele, o aumento dos casos se dá, entre outros fatores, pela intensa polarização politica no país e pelo fato do combate à Covid-19 também ser um tema político sensível, não apenas no Brasil, mas também em países que tiveram números crescentes de mortes, como China, Itália e Estados Unidos.   

“O Jornalismo sempre esteve sob ataque. Qualquer profissional que esteja em situação de risco é preocupante e é preciso cuidado.  É importante que a profissão sobreviva, se defenda com todas as forças, mas, ao mesmo tempo, se pergunte também sobre os motivos dos ataques. Os jornalistas estão se adequando a nova situação profissional e aprendendo coisas novas.”

Assista:

 

Notícias Relacionadas