O NYT mostra caminhos para modelo de negócios da imprensa

12 de Fevereiro de 2019

Um deles é sua aposta bem sucedida desde 2011 com venda de assinaturas digitais

Imagem da porta do 'The New York Times' na oitava avenida (Don Emmert / AFP)

Que o mundo está mudando por conta dos desafios que a tecnologia traz todo mundo sabe. E os meios de comunicação mundo à fora estão penando para sobreviver. O centenário jornal The New York Times tem sido a referência para aqueles que querem encontrar um modelo de negócio que lhes garanta mais longevidade. No caso do jornal novaiorquino, essa mudança tem dois elementos-chave: por um lado, o aumento da receita dos usuários e a redução daquelas geradas pelos anunciantes; de outro, o aumento das receitas derivadas da atividade digital e a queda das receitas geradas pela edição impressa.

40,5% do total das receitas do NYT foram digitais em 2018
Na quarta-feira passada, o jornal de Nova York apresentou seus resultados econômicos em 2018, nos quais alcançou um aumento no faturamento total de 4,4%, ficando em 1.748,6 milhões de dólares. Quase 60% desse montante - 1.042,6 milhões de dólares - chegaram graças a assinaturas impressas e digitais e a apenas 31,9% dos anunciantes em papel e na web. Os restantes 8,5% são de outros rendimentos. O New York Times tinha 4,3 milhões de assinantes no final de 2018. A maioria deles, 3,36 milhões, são assinantes digitais que pagam pelo acesso on-line, sem restrições, ao conteúdo do diário, desde as palavras cruzadas digitais até o site da receita culinária. O resto, algo menos que um milhão, são assinantes do jornal. Somente durante o último trimestre de 2018, o Times adicionou 265.000 novos assinantes digitais.

Outro dado interessante é que 40,5% das receitas totais do NYT foram digitais em 2018. Em cifras absolutas, 709 milhões de dólares, cada vez mais perto da meta fixada para 2020: 800 milhões de  dólares pela atividade digital.
 

Qual é a fórmula para alcançar esses resultados?
Existem vários ingredientes que ajudam a compreendê-la. Primeiro, o compromisso inconfundível com o jornalismo de qualidade e diferencial em relação à concorrência. O New York Times tem hoje uma redação unificada - sem distinção entre o papel ou a web - composto por 1.600 profissionais, o maior de sua história, após ter acrescentado 120 jornalistas no ano passado. Com essa equipe, o jornal está comprometido com informações de qualidade e não com a quantidade de notícias produzidas: todos os dias, o NYT publica algo com menos de 200 artigos jornalísticos. Todos, primeiro, na web, e uma parte - cerca de 70% -, depois, na edição impressa.

Segundo o site La Vanguardia Outra chave é a clara orientação para o leitor de todo o produto jornalístico. O objetivo número um do jornal é incentivar o engajamento (empenho) dos usuários para que eles acabem se inscrevendo. Nesse sentido, o NYT fez apostas muito importantes para formatos como boletins - tem 55 boletins eletrônicos que recebem mais de 14 milhões de usuários - e para podcasts. O caso de maior sucesso é o podcast The Daily, que é ouvido todos os dias por 1,75 milhão de pessoas, em média. Ambos os boletins e podcasts são formatos jornalísticos que se conectam profundamente com o público e ajudam a construir a lealdade. Outro exemplo de orientação do leitor é o Reader Center, uma equipe de redatores focada em atender às solicitações e comentários dos leitores e incentivar sua participação. 

Em suas métricas internas, o elemento mais valorizado sobre um artigo publicado não é o número de cliques gerados, mas se essa peça contribuiu com novos assinantes digitais, porque disso depende o futuro do jornal.

O compromisso com o jornalismo e uma visão cada vez mais visual - Videos, interativos, gráficos, mídia especial, inovação etc.- e promover no produto jornalístico também impresso com o desenvolvimento de vários produtos ao longo do ano exclusivamente na edição em papel, são outras chaves que fazem parte da aposta do NYT.

Para este ano de 2019 o jornal planeja lançar seu quarto produto de pagamento digital, apresentado no momento sob o nome de Parenting (projetado para ajudar pais e mães), e em junho começará a transmitir o programa semanal de televisão The Weekly, no que a cada semana haverá um acompanhamento de vários tópicos informativos cobertos pela redação do NYT.