A íntegra da crítica do Governador Carlos Moisés à imprensa catarinense

09 de Maio de 2020

“O jornalismo tem que ser bem feito. Pessoas, os jornalistas, aqui de Santa Catarina, estão induzindo nas suas entrevistas..."

 

No evento do Lide na última sexta-feira, 8/5, após sua exposição o Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés respondeu perguntas do diretor do Grupo Doria, João Doria Neto e do ex-ministro e chairman do LIDE, Luiz Fernando Furlan. Na parte final do evento Doria perguntou:  Governador, como é importante você comunicar e fazer com que as pessoas colaborem num momento difícil como esse. Você tem hoje um fenômeno muito complicado que qualquer coisa que você faz, qualquer decreto, qualquer medida leva porrada de um lado e o outro lado aceita e é favorável e colabora. Mas a gente vê muitas vezes notícias como a compra dos respiradores em Santa Catarina, assim como em São Paulo, feita sem licitação, sendo que você está num momento que não pode esperar 120 dias para fazer uma licitação. Queria saber como o senhor lida com esse fenômeno social das pessoas levando pontos que não fazem sentido? Como o senhor tem feito para manter a população com a segurança responsável e colaborando nesse momento de pandemia, um momento grave?

O Governador responde com detalhes sobre arrecadação, tributação, medidas restritivas, pressão de setores para voltarem ao trabalho e destacou o futebol, dizendo que há um movimento para a liberação dos jogos do campeonato, mas que ainda não dá para liberar. Citou também que os meios de comunicação, por seu lado, fazem pressão e coro com esses movimentos porque perderam faturamento com a publicidade. Recorreu ao episódio da Escola Base de São Paulo que ficou conhecido como o pior trabalho do jornalismo que se antecipava em condenar as pessoas que mais tarde a investigação policial inocentou. Foi o gancho usado pelo Governador para "enquadrar" a imprensa catarinense. Leia a íntegra de sua crítica:

“O jornalismo tem que ser bem feito. Pessoas, os jornalistas aqui de Santa Catarina, induzindo nas suas entrevistas, assim, mas e ‘fulano’ e ‘beltrano’, como se ele fosse uma autoridade policial, ou um promotor, que esse sim, tem que fazer a sua oitiva, tem que indagar, né? Ele fez a persecução criminal, a persecução penal, a investigação na frente das câmeras, sabe? Eu acho que nós precisamos renovar esse conceito, e aí o Wilfredo é um especialista aí da área de comunicação também, não é? Ele sabe do que eu estou falando. Eu penso que nós temos que rever muitos conceitos e o governo está sendo execrado por ter pago adiantado onde todos pagaram adiantado. 

O Presidente Bolsonaro mandou muito bem, e aí vai até o meu reconhecimento a ele, quando ele editou uma medida provisória essa semana, tornando desde o dia 20 de março tornando todas as compras legais, as compras com pagamento antecipado para a pandemia para estados, municípios e para a união. Então mandou muito bem o presidente nesse sentido, provavelmente muito bem orientado, né? Deve ter tido participação do próprio Tribunal de Contas da União, que entendeu a motivação dessas compras, nós estávamos em desespero na primeira quinzena de março. Em verdadeiro desespero. Não vai chegar, os Estados Unidos já estão bloqueando carga, um desespero. 

Se me dissessem que tinha dentro de uma casa 100 ventiladores, mas que eu só pudesse ver depois, era possível que a gente desse o dinheiro para ir lá olhar, porque a gente não sabia o que ia acontecer e a gente pensava: poxa, eu sacrifico o empresário, faço o fechamento do estado, se eu não conseguir equipar a rede pública e privada de saúde eles vão dizer: tu cometeu dois crimes, né? Além da pandemia ter matado muita gente você matou a todos nós. Então pelo menos nos desse a possibilidade de sobreviver. Então eram dias de verdadeiro desespero. Em nenhum momento aqui em Santa Catarina o governador condenou nenhum setor, a gente só disse o seguinte: olha, nós temos que ver, as compras, já dizia inclusive em entrevista coletiva. As compras podem ser antecipadas sim, mas com garantias, verificando a solidez da empresa que você tá negociando. Isso é um ato de prudência. E hoje o presidente vem então e consolida essa modalidade. É, quando o equipamento não chegou, porque não tá chegando para ninguém, nem para o governo central está chegando porque a China está revendo suas entregas e a capacidade de produção também está sendo revista. Esses equipamentos não chegaram e então começaram a suspeitar de servidores públicos, de pessoas, dos empresários, então, muitas ações foram tomadas, e assim, eu não tenho a resposta, se há ilícitos escondidos, não é, estamos apurando. O estado promoveu duas sindicâncias e o inquérito policial militar. Então o Ministério Público tem o seu procedimento, a Assembleia Legislativa tem o seu procedimento. Porque que nós vamos execrar as pessoas, citar o nome das pessoas publicamente, trazer a imagem das pessoas que trabalharam arduamente dia e noite na saúde de Santa Catarina. As equipes do secretário André têm me dito: olha, esse pessoal tem trabalhado muito e de repente de uma hora para outra ele se transforma em bandido. 

Então nós temos que rever esse conceito aí porque liberdade de imprensa é uma coisa e o que estão fazendo hoje, aqui em Santa Catarina, eu não tenho dúvida que é algo que os senhores podem me ajudar muito, fica muito o meu apelo, porque em todos esses veículos de comunicação os senhores têm propaganda, os senhores têm comerciais, os senhores vendem os seus produtos. Eu acho que um recado muito claro, de um jornalismo decente que tem que ser feito, que tem que ser praticado no meio jornalístico, de responsabilizar esses veículos, e nos hoje somos vítimas disso. Se detectarem um erro em algum gestor do estado, eu como governador, tomarei as providências. A justiça vai indicar, vai investigar, se eu tiver que demitir, demitirei, a exoneração que houve a servidora não foi uma punição, foi para tirá-la, a imagem dela circulou na internet, nos meios de comunicação, a gente exonerou, ela é efetiva, a gente exonerou da função, ela continua recebendo seu salário, trabalhando em outro setor, mas para protege-la. Em nenhum momento nós dissemos A e B são culpados. 

Fizeram tudo errado. Me desculpem os senhores, mas eu tenho aqui que dizer que fizeram tudo errado no que diz respeito à mídia, aos veículos de comunicação aqui em Santa Catarina. Muita pressão para que o governador venha e fale, me criticaram. O governador sentou, sentou do lado do secretário. Como que pode sentar? Deu uma entrevista no dia seguinte após esse escândalo do lado do secretário. Então eles queriam que eu tivesse é a possibilidade de fazer aqui a prática do ódio, de expor das pessoas, para alimentar uma sociedade que está querendo um culpado, que está querendo sangue, que está querendo responsabilizar alguém. Desculpem o meu desabafo se eu tirei o brilho da nossa participação aqui ao final, mas peço desculpas, muitos de vocês não precisariam estar ouvindo isso”. 

N. R. - Na sequência da publicação da nota acima, recebemos aqui na redação do portal, uma NOTA DE ESCLARECIMENTO do Governador Carlos Moisés. Confira:

**NOTA DE ESCLARECIMENTO**
Quando discutimos respeito e ética no jornalismo profissional percebemos o quanto ele representa como fonte de informação confiável que se traduz em pilar da democracia, agindo em prol da sociedade, tendo, dentre outros, o compromisso com o interesse público.

Veículos de imprensa, seus colaboradores e jornalistas são a voz dos desvalidos, são as pontes para a correção de injustiças e irregularidades, inclusive no poder público, pois descortinam o que nem sempre está às claras, investigam e promovem a justiça.

Enquanto cidadão ou homem público sempre me pautei pelo absoluto respeito à imprensa e aos seus profissionais. De outra via, não posso me calar enquanto assisto uma parcela de profissionais que busca dar respostas a fatos que ainda são objeto de investigação não madura ou conclusiva, emitindo pré julgamentos, afirmando na dúvida, induzindo a opinião pública a conclusões precipitadas.

Em momento algum propus cercear a liberdade de expressão de empresas ou de jornalistas. Minha fala se refere a um grupo diminuto que se utiliza do mais importante instrumento democrático – o jornalismo – para, de maneira parcial, manchar a reputação de pessoas ou instituições sem lhes permitir o direito ao contraditório e à preservação da imagem. O abandono da prudência e da espera pelo avanço ou conclusão de investigações causa, injustamente, prejuízo moral irrecuperável, incita o ódio numa sociedade tão carente de propósitos e de esperança em dias melhores.

O apelo aos empresários, que também ajudam a manter o sistema de comunicação, é no sentido de reconhecer a legitimidade dos mesmos a participarem da discussão deste modelo carcomido e irresponsável, insistentemente utilizado por uma minoria, mas que tem o poder de causar profundos e irreparáveis estragos nas vidas de muitas pessoas.

Seguirei firme na proteção da vida dos catarinenses em meio à pandemia, não tendo compromisso com o erro.

Carlos Moisés da Silva
Governador do Estado de SC

  

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