Fake News: como fugir das mentiras que invadiram a internet

12 de Maio de 2021

A comunicóloga Maytê Carvalho explica como identificar e evitar as notícias que, apesar de parecerem verdadeiras, são falsas.

Formas caseiras de evitar o contágio do novo Coronavírus (Covid-19), incentivo ao uso de remédios sem comprovações médicas e científicas, acusações políticas sem provas concretas e até mesmo divulgação de falas e posicionamentos nunca ditos por personalidades históricas e da mídia. Essas são apenas algumas das Fake News encontradas facilmente ao navegar por sites e pelas redes sociais. Apesar do termo não ser uma novidade, os resultados dessas notícias falaciosas e mentirosas, que surgem com aspecto e aparência de notícias verdadeiras, mas que, na verdade, são falsas, seguem sendo um empecilho para que informações reais e verdadeiras cheguem à sociedade. Essa técnica comunicativa não é de hoje e, antes mesmo do avanço tecnológico, já era praticada, por meio de tabloides e pequenos grupos. Entretanto, o advento da internet e das redes sociais foi fundamental para o crescimento exponencial do problema da atualidade.

 “As pessoas passaram a consumir informação por meio das plataformas digitais, como Facebook, Instagram e Twitter, deixando de lado os Publishers, como jornais, revistas e a televisão. A questão é que, quando um Publisher publica uma notícia falsa, existe uma responsabilidade editorial na distribuição daquela informação, que passa por apuração jornalística e leva o nome de uma instituição que endossa aquele fato. Já quando se trata de uma plataforma digital, a notícia falsa pode ser escrita por um perfil falso, um robô ou até mesmo um usuário que não domina o assunto em questão e nem apurou os fatos, mas que acredita naquilo, o consome e, pior, o compartilha. Isso faz com que a disseminação das Fake News seja maior, mais rápida e eficiente, convencendo internautas a crerem em informações de acordo com os interesses de um grupo ou uma pessoa”, explica Maytê Carvalho, comunicóloga e professora de comunicação na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e na Casa do Saber.

Mas, a questão é: como não ser manipulado pelas falácias da atualidade? A especialista, que é autora do livro best-seller “Persuasão” - um guia prático que busca ajudar seus leitores a como usar a retórica e comunicação persuasiva em suas vidas profissionais e pessoais -, salienta que saber identificar as notícias falsas é o passo principal para evitar a desinformação e manipulação de seus criadores. “Sempre que receber alguma novidade pelas plataformas digitais, verifique a fonte da notícia. Foi publicado em algum veículo de comunicação confiável? Passou em algum programa de televisão que você costuma assistir com frequência? Apure sempre, pois as Fake News costumam estar presentes em sites falsos, postagens sem fontes ou que não apresentam veracidade”, alerta Maytê.

Apesar dos veículos de comunicação serem os meios mais seguros de se informar, é preciso entender, também, que existe uma linha editorial, valores e interesses definidos pela direção do jornal, revista ou site que, mesmo praticando a imparcialidade necessária, pode apresentar opiniões e posicionamentos que influenciam e que estão de acordo com o interesse de seus consumidores. “Realize uma análise sociodiscursiva da notícia, ou seja, busque saber qual a visão política e social do Publisher. É uma pesquisa encomendada por algum laboratório farmacêutico? Qual é a finalidade dessa notícia além de informar?”, segue explicando a comunicóloga, que, por fim, indica aos internautas pesquisarem em sites especializados em checagem de fatos para saberem se a notícia é verdadeira ou falsa. “Hoje, temos diversas plataformas com essa finalidade e que são de confiança. Entre algumas delas, está a Agência Lupa, ligada ao site da Folha de S. Paulo, e o portal Fato ou Fake, criado pelo Grupo Globo”, finaliza.

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