ENTREVISTA | Upiara Boschi, jornalista político

01 de Maio de 2021

Depois de uma trajetória de 15 anos na RBS e NSC, o profissional lança o site Upiara Online

 

Com satisfação compartilhamos com nossos leitores a entrevista realizada com o jornalista político Upiara Boschi, profissional formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 2004, Upiara foi Bolsista do projeto Universidade Aberta e Bolsista do Curso de Jornalismo - Voluntário permanente do jornal-laboratório Zero. Frequentou o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estadão.
Em sua trajetória profissional Upiara apresenta passagens como Freelancer no jornal O Globo, no Rio de Janeiro; Repórter no Jornal Notícias do Dia; Repórter da editoria de Esporte do AN Capital; Repórter da editoria de Política (2010-17) do Diário Catarinense; Editor da coluna e do blog Moacir Pereira (2012-14); Autor do blog Bloco de Notas; Colunista de política dos jornais Diário Catarinense (Florianópolis), A Notícia (Joinville) e Jornal de Santa Catarina (Blumenau), pelos Grupos RBS e NSC.

 

Há algumas semanas o AcontecendoAqui informou seus leitores sobre sua saída da NSC. Poderias comentar sobre sua trajetória naquela empresa?

Eu acho que foi uma trajetória muito bonita. As várias mudanças no jornalismo e na própria RBS/NSC fizeram com que eu vivesse muitos empregos dentro da mesma empresa em 15 anos. Repórter de sucursal (AN Capital), repórter de jornal com sede no interior e ambição estadual (A Notícia em Joinville), a transformação desse mesmo jornal em hiperlocal, a transferência para o Diário Catarinense, as transformações do digital que culminaram no NSC Total. Foram várias fases, centenas de colegas, dezenas de chefes, cinco endereços de redação. Aprendi muito e levo comigo para meus próprios projetos tudo o que aprendi nesse tempo com tantas oportunidades e um número incontável de pessoas especiais. 

 

O AcontecendoAqui publicou uma nota sobre o acordo que você assinou com a Rádio Som Maior. Como vai funcionar a ponte aérea Floripa-Criciúma?

O Adelor Lessa, um radialista com enorme audiência e credibilidade em Criciúma,  foi a primeira pessoa a me propor algum projeto, tão logo soube da minha saída da NSC. Na hora eu disse "quero, mas me dá uma semana para respirar". Eu queria aceitar antes mesmo de ouvir a proposta, porque a Som Maior e o Adelor são um modelo para as parcerias que eu desejo ter com veículos do interior do Estado, emissoras de rádio e comunicadores com prestígio e credibilidade que possam me colocar perto dos ouvintes de cada região. Eu não vou me mudar para Criciúma, mas participarei diariamente do programa do Adelor nas manhãs da Som Maior. Falando de política estadual, mas sabendo que estou falando com Criciúma e região. Ao vivo, nada gravado. É o mesmo modelo que estamos negociando com parceiros de outras regiões que também tem interesse em levar esse conteúdo para os seus ouvintes.

 

Você está envolvido na criação de um projeto de comunicação ancorado em seu nome. Qual a motivação para esse empreendimento e como ele é?

O Upiara Online estreia no dia 1 de junho, e já vai ser com certeza a coisa mais legal que já fiz, um site independente focado na cobertura da política catarinense.
Desde o ano passado já vinha pensando no que eu poderia fazer fora da NSC, e a visão que mais me atraía era a de construir um espaço próprio onde o foco fosse o jornalismo político, onde eu pudesse fazer as coisas como acredito que devam ser feitas, e talvez até poder passar adiante minha experiência para colegas mais jovens. Eu tive colegas muito generosos nas redações do AN e do DC. Eles me ajudaram a construir uma carreira da qual me orgulho. 

Quando fui demitido, fiquei muito feliz por ver que imediatamente surgiram várias propostas, e entre elas algumas boas propostas para colocar de pé um site em que eu fosse o líder do projeto - o head, como dizem agora. Entre todas elas, a que me encantou foi essa de parceria com a SHIFT, que vai atuar como Media House e viabilizar a operação enquanto me deixa livre pra trabalhar. É muito motivador contar com uma estrutura que permite agregar colegas, velhos conhecidos e gente nova, fotojornalistas, designers, videomakers, gente de digital, operação comercial. É muita gente envolvida para estruturar um projeto assim, e eu me senti mais seguro pela possibilidade de construir algo maior e poder manter o foco na política e no que eu sei fazer melhor. Já temos também uma parceria com a Exclusive, que está atendendo o mercado e as agências na comercialização dos apoios e patrocínios. 

 

Quais as possibilidades para os anunciantes da iniciativa privada e o poder público? 

Oferecemos visibilidade e credibilidade para patrocinadores privados que acreditem na importância da liberdade de imprensa e de uma cobertura que fale para além das bolhas políticas atuais. Que acreditem que financiar esse trabalho é uma maneira relevante de se conectar com seus públicos. Oferecemos contrapartidas, somos parceiros dos nossos parceiros. Mas não pagamos com opinião, e sim com jornalismo e qualidade de conteúdo.
Nosso objetivo é não enxergar os entes do poder público - governos, parlamentos e prefeituras - como patrocinadores. Não por achar que isso possa macular a independência do projeto. Independência se tem ou não se tem. Mas para dar um sinal claro aos leitores do quanto zelamos por essa independência. 
Para os nossos patrocinadores e apoiadores, que patrocinam a ideia de que não são os leitores que devem pagar pelo jornalismo de qualidade, oferecemos uma relação de respeito e parceria, além do acesso a esse que é o perfil de público mais qualificado de SC. Já conversamos com alguns patrocinadores que pensam como nós, e a receptividade tem sido muito boa.

 

O acesso ao conteúdo do site será exclusivo para assinantes ou todos poderemos acessá-lo?

É uma premissa do site que ele seja aberto. Por maior que seja o desafio de financiar o jornalismo profissional e bem feito, acredito que não é hora de colocar um muro entre a informação e o leitor. Houve um tempo em que quem não podia comprar o jornal lia só a capa. Fiz muito isso quando era criança, aliás. Era o modelo em um mundo cuja agenda informativa era controlada por meia dúzia de veículos. Felizmente ou infelizmente, esse mundo não existe mais. Quero um site aberto, em que todo leitor que se inscreva para receber as informações via e-mail, Whatsapp ou Telegram receba um link que vai levá-lo diretamente ao que escrevi. Isso não impede que em algum momento possamos pensar em produtos extras para assinantes, mas não vejo isso como o modelo principal do negócio. 

 

Como você vai cobrir os acontecimentos na política das principais regiões em SC?

Meu foco continuará sendo acompanhar a política estadual, sem estar ilhado na Capital. Ter trabalhado em Joinville no início de carreira foi o estalo para eu entender o quanto a política catarinense é diversa e posicionada. É preciso ouvir e entender o que está acontecendo em Criciúma, Blumenau, Lages, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville, São José, Chapecó, entre tantas outras cidades no caminho, sem deixar de acompanhar as tramas palacianas e legislativas da Capital. Quero cada vez mais estar próximo das regiões, e por isso as parcerias com as rádios locais, para poder medir o peso de cada liderança no tabuleiro estadual. Meu objetivo é ser o mais estadual dos colunistas políticos de Santa Catarina. E o caminho para isso, especialmente quando a pandemia deixar, é colocar o pé na estrada. 

 

Qual o diferencial do projeto em relação aos outros produtos de jornalismo que existem no mercado local?

Além do jornalismo autoral, independente e comprometido com o leitor, que por si é um enorme diferencial, o projeto se sustenta na parceria com patrocinadores que acreditam no valor de uma cobertura política assim, sem lado. Ou, melhor falando, do lado do leitor.

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