ENTREVISTA: Roger Bittencourt, sócio-diretor da Fábrica de Comunicação

10 de Janeiro de 2013

Conversamos com o jornalista Roger Bittencourt, fundador da Fábrica de Comunicação, empresa sediada em Florianó

ROGER FOTO aaquiConversamos com o jornalista Roger Bittencourt, fundador da Fábrica de Comunicação, empresa sediada em Florianópolis, que tem como sócia na gestão a também jornalista Karin Verzbickas. Ele já foi editor-chefe na RBS-TV SC, editor no Diário Catarinense, professor nos cursos de Jornalismo da UFSC e Univali e Secretário de Comunicação do Governo do Estado de Santa Catarina. AcontecendoAqui traz aos seus leitores uma visão do empresário de comunicação sobre o negócio das empresas de assessoria de imprensa, as mudanças experimentadas por elas recentemente e algumas considerações sobre as atividades da ACI, entidade da qual será presidente interino nos próximos dois meses.  

AcontecendoAqui - A Fábrica de Comunicação, é considerada a maior empresa do segmento em Santa Catarina. Quais serviços ela oferece e no que se diferencia das demais empresas do setor? Roger Bittencourt - Não sei se a Fábrica é a maior agência de comunicação em Santa Catarina, mas trabalhamos muito para ser a melhor, ser referência num mercado de excelentes concorrentes. A Fábrica trabalha em diversos segmentos de comunicação, tendo como foco principal a atividade de relacionamento com a imprensa. Hoje também estamos atuando de maneira mais intensa em prevenção e gerenciamento de crises de comunicação, treinamento de gestores para relacionamento com a mídia e comunicação interna para funcionários e prestadores de serviço. Neste caso da comunicação interna inclusive já tendo recebido, nos últimos anos, dois prêmios ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). É claro que não podemos deixar de lado a comunicação digital com a elaboração de conteúdos para sites e blogs dos clientes e também gerenciamento de contas de Twitter e FaceBook, por exemplo.  

AAqui - A Fábrica atua fora de Santa Catarina?
R.B. Atuamos forte na área de assessoria de imprensa e também em comunicação social. A Fábrica é hoje já uma empresa reconhecida nacionalmente quando se trata de comunicação para implantação de grandes empreendimentos. A empresa se especializou em comunicação social e até em comunicação e execução dos programas de educação ambiental. Já atuamos em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina neste segmento da comunicação, com bons cases de sucesso. Hoje, até por determinação da legislação, qualquer empreendimento de grande porte que deseja se instalar necessita desenvolver um amplo trabalho de comunicação social.  Nesta categoria, a Fábrica também já conquistou um Prêmio ABERJE com a Klabin na implantação de uma planta industrial no Paraná. Também estamos apostando cada vez mais em publicações, já com bons títulos no mercado e igualmente no desenvolvimento de livros e revistas que contem a história de empresas e em relatórios de gestão, inclusive aplicando a metodologia de GRI (Global Reporting Initiative). Hoje a Fábrica conta com prestadores de serviço multidisciplinares, com capacidade para atuar em várias áreas da comunicação. Este ano, por exemplo, tivemos até uma bióloga prestando serviços.  

AAqui - Tem havido várias mudanças no formato do negócio das agências de comunicação. É tendência geral nas empresas de assessoria e relações públicas a ampliação desses serviços?
R. B. Tem havido mudanças constantes nos processos de comunicação e procuramos acompanhar. As agências de comunicação se profissionalizaram e hoje prestam excelentes serviços aos seus clientes. Serviços complementares ao marketing e à publicidade. Todas podem trabalhar juntas de forma complementar. É preciso evoluir para dar mais resultado, seja para o cliente, seja para a empresa. Essa ampliação de escopo das agências de comunicação é tendência mundial, nacional e catarinense. Quem não se adapta, fica pra trás. Algumas agências focam mais em publicações, outras em comunicação interna, ou comunicação digital. Nós queremos ampliar a atuação em comunicação social, onde já temos uma grande expertise.  

AAqui - Onde essa nova atuação colide com agências de publicidade, agências digitais e de marketing digital?
R. B. - Acho que até pode haver, em alguns momentos, ações semelhantes, mas repito que há espaço para todos. A Fábrica não trabalha com publicidade, área em que o mercado catarinense está bem representado, mas muitas vezes estimula que os clientes desenvolvam ações de publicidade e marketing. Assim como sei que várias agências defendem a contratação de assessorias de imprensa e a convivência é harmoniosa. Há casos conhecidos de agências que criam o próprio departamento de assessoria de imprensa, nem sempre com bons resultados. Eu não vejo que haja conflito na atuação das agências de comunicação e de publicidade. São complementares. Também não vejo motivo algum que impeça as agências de comunicação de desenvolverem conteúdo para internet, afinal, conteúdo é a matéria prima dos profissionais de jornalismo que atuam nas assessorias. Claro que esse conteúdo, aliado à boa estratégia de marketing digital dará mais resultado ao cliente. Na comunicação interna, muitas vezes, alguns apontam conflitos, mas novamente entendo que são atribuições que podem ser desenvolvidas tanto por agências de comunicação, como por agências de publicidade. E se atuarem em conjunto, os resultados podem ser melhores.  

AAqui - Quais as perspectivas para o próximo ano?
R. B. - A gente sempre espera crescer, mas esse crescimento tem que se dar de maneira que se consiga continuar dando um bom atendimento e, principalmente, um bom resultado para os clientes. No nosso caso, cada cliente tem uma expectativa diferente de resultado e o meu conceito de trabalho, que levo para a Fábrica é dar resultado ao cliente, é mais que satisfação. As perspectivas são a expansão no setor de publicações e a conquistas de mais clientes na área de comunicação social, dentro ou fora de Santa Catarina. Já organizamos agora no final do ano um amplo trabalho de prospecção para iniciar já em janeiro apostando no nosso portfolio.  

AAqui - A Fábrica termina o ano bem?
R. B. - Avalio que sim. Não foi um ano como esperávamos em algumas áreas, mas terminamos o ano satisfeitos com os resultados e com boas perspectivas para o início de 2013, já com pelo menos quatro novos clientes a partir do dia 2 de janeiro. Além disso, grandes projetos que já desenvolvemos podem ser ampliados a medida que os empreendimentos conquistem as licenças de implantação, o que amplia o trabalho de comunicação social. São 3 grandes projetos no Paraná e 2 em Santa Catarina que devem virar obras ainda no primeiro semestre e já estamos com o plano de comunicação desenhado.  

AAqui - Vamos falar um pouco sobre a ACI. Quais são os objetivos da Associação e sua abrangência estadual?
R. B. - A ACI, Associação Catarinense de Imprensa – Casa do Jornalista, reúne profissionais de comunicação de todas as áreas em todo o Estado de Santa Catarina. Os principais objetivos são a valorização profissional, a integração, o constante aperfeiçoamento e a defesa incansável da liberdade de imprensa e de expressão, com responsabilidade. Em 2012 a ACI completou 80 anos. Nesse período foram grandes conquistas para o mundo da comunicação catarinense. Em especial neste ano que termina houve avanços importantes na área de formação, com o desenvolvimentos de parcerias com entidades como a Associação Catarinense dos Magistrados para cursos e seminários na área jurídica, mas com foco no jornalismo, e na ampliação do MBA em Comunicação Empresarial. Além disso, projetos como Pautas&Panelas, edição de livros com tema na comunicação catarinense e a promoção de atividades culturais contribuíram para fortalecer a entidade e as categorias por ela representadas.  

 

AAqui - É objetivo da entidade sua regionalização e maior proximidade com os profissionais do jornalismo. Onde já estão funcionando as regionais e o que se planeja para 2013?
R. B. - Não apenas com os profissionais de jornalismo, mas com os profissionais de comunicação. É bem verdade que a participação dos jornalistas é maior. Hoje a ACI conta com diretorias regionais em Criciúma, Laguna, Blumenau, Joinville e Chapecó. A ideia para 2013 é ampliar as regionais, mas o grande projeto mesmo é a implantação do Museu da Comunicação, na nova sede da ACI. O projeto é capitaneado pelo presidente Ademir Arnon e pelo jornalista Moacir Pereira e deve ser um marco na comunicação no Estado.  

 

AAqui - Dois itens mereceram grande atenção da diretoria da ACI em 2012: a construção do Museu da Comunicação e o Curso de pós-graduação para jornalistas. Comente a respeito dos dois.
R. B. - O Museu começou a sair do papel. Já existe um pré-projeto e também já devem iniciar no primeiro semestre as obras físicas necessárias para implantação do Museu na nova sede. Depois haverá um trabalho forte para a captação de recursos para viabilizar o Museu, que pretende ser um museu que resgata o passado e projeta o futuro, com muita tecnologia e interatividade. Queremos que seja um pólo de visitação das pessoas, de turistas e, principalmente dos estudantes. Os cursos de MBA que tem a chancela da ACI já são um sucesso e devem ser ampliados. Há uma vice-presidência que trata hoje especificamente desse assunto exatamente com objetivo de ampliação, como um que está em elaboração que envolverá Direito e Jornalismo. Também estamos abertos a novas sugestões.  

AAqui - A ACI mantém estreito relacionamento com várias entidades setoriais. O que tem sido realizado por meio dessas parcerias?
R. B. - Essas parcerias e cito aqui Sebrae, Fiesc, Associação dos Magistrados Catarinenses, Assembleia Legislativa, Governo do Estado, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina, Adjori, Acaert, ADI, Sindijor, entre outros, têm contribuído muito para o crescimento da ACI. Além disso, com as parcerias tem sido possível a realização de cursos, eventos, lançamento de livros e até a integração maior dos profissionais de comunicação.