Entrevista: André Felipe Gevaerd Neves

25 de Setembro de 2020

Fundador do Festival Internacional de Cinema em Balneário Camboriú, André Felipe Gevaerd Neves é profissional da indústria cinematográfica há mais de 15 anos, e trabalha como produtor, diretor e montador, no cinema e na publicidade. André tem uma longa história com o cinema, já foi premiado por fundos e reconhecimentos como o Ibermedia, Prêmio Catarinense de Cinema, Novos Roteiros Sesc, Coproduction Fórum, entre outros. Entre os projetos que está dirigindo atualmente, o curta “Copi” está na agenda do FAM 2020, nos Curtas Mercosul. Nele, Renê, um recepcionista de hotel no período noturno  torna-se amigo de Copi, artista argentina, travesti, que ganha a vida na noite de Balneário Camboriú. 

Confira a seguir a entrevista compartilhada pelo FAM com os leitores do AcontecendoAqui

 

Em que momento esse amor pelo cinema foi despertado em você? 

Para mim o cinema veio muito cedo. É uma memória afetiva da infância. Sempre me impressionei muito ao entrar nas salas de cinema. Em Balneário Camboriú tínhamos salas enormes… o Cinerama Delatorre com 1200 lugares, o Cine Itália com 700 lugares e o Auto Cine com 350 veículos. Em São Paulo lembro até hoje do fechamento do Astor, sala onde eu mais assisti filmes. Essa relação me levou a tentar salvar um cinema icônico de São Paulo, o Gemini, que tive a chance de comprar suas antigas poltronas e decorações, e remontar uma sala de cinema em Balneário Camboriú, na www.arthousebc.com. E junto desse lugar de culto vieram os filmes. Eu assistia de tudo e diversas vezes. “Reinventar" os filmes assistidos se tornou uma prática rotineira.

 

De onde surgem as inspirações para criar os roteiros? São histórias que você imagina, que já viu acontecer?

Inspiração surge dentro do peito. Um calor que vai surgindo aos poucos, e que se intensifica dando a chance de iniciar a odisseia que é produzir uma obra para a sala de cinema. Confesso que algumas vezes essa chama se extingue, é sinal que o filme já nasceu morto, pelo menos para mim. Essas inspirações de histórias não têm um local específico, na realidade ou na imaginação, está em todo lugar. Não costumo criar um limite de onde elas surgiram ou de ser muito fiel à realidade. No caso de Copi, a inspiração nasceu depois da leitura de uma grande obra da literatura catarinense, o livro “As Fantasias Eletivas” de Carlos Henrique Schroeder.

No curta Copi percebemos como duas pessoas distintas podem se tornar amigas. Quais foram os desafios para produzir esse curta?

O maior desafio foi fazer justiça ao livro que acabara de ler. É de uma linguagem ousada e com personagens incríveis, mas que também deixava muito espaço para a imaginação completar a narrativa. Então o processo de roteirização foi angustiante, mas o Carlos foi sempre muito caridoso em seu tempo e indicações quando precisei. Ainda assim, ele escolheu intervir o mínimo possível, o que me deixa inseguro até hoje. É muito difícil traduzir uma obra genial.

Também não posso deixar de mencionar que a busca pelo elenco foi primordial, e nesta, tive muita sorte. Estávamos prestes a filmar, saídos de um longa-metragem e o elenco ainda estava indefinido. Foi quando em apenas uma semana conseguimos ter todo o casting completo, e não poderia ser melhor. Renato Turnes, Nestor Guzzini, Melize Zanoni, Junior Farias, Dino Galdi, e com a ajuda indispensável do argentino Santi Asef encontramos nossa Copi, Mariana Genesio Peña. No primeiro ensaio vi que os personagens estavam vivos. Foi alegria pura.

 

O que você espera que o público sinta ao assistir Copi? 

Espero que se abram um pouco mais para o desconhecido, que se entreguem às amizades que aparecem na nossa vida, que se quebrem os preconceitos e que curtam com intensidade. É um filme que transita num universo underground, mas que nem por isso é pior ou melhor que outros, apenas é.

 

Para você como fundador do CIneramabc, qual a importância da existência de festivais de cinema no Brasil?  

Os festivais de cinema são cada vez mais importantes no Brasil e no mundo. Hoje, a velocidade com que as informações transitam e a quantidade absurda de conteúdo que é gerada, é cada vez mais necessário o trabalho de curadoria de um festival, que permite um recorte na atual produção. A isso se soma a necessidade de uma identidade fixa e clara onde uma obra pode chegar a um conhecimento junto ao público mais profundamente, pois é com o acesso a este público que uma obra se completa.

O 24ª Florianópolis Audiovisual Mercosul é produzido com a Lei de Incentivo à Cultura, apoio Celesc e Engie, com patrocínio do Prêmio Catarinense de Cinema,  Fundação Catarinense de Cultura, Governo do Estado de Santa Catarina, BRDE, FSA e Ancine. É uma realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

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