Da psicanálise para a publicidade: quando marcas humanizadas geram valor

04 de Maio de 2021

por Victor Moraes, Head de Design da MFIT Personal, startup fitness

Arquétipos são padrões definidos de comportamento. Praticamente todo comportamento humano é guiado por esses modelos, uma vez que estão por toda parte, inspirando ações por meio de manifestações. Não à toa, inúmeras empresas têm buscado neste formato uma maneira de se humanizarem. 

Foi pensando nisso que o professor de Branding do Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo, Daniel Padilha, juntamente com o laboratório de inovação The Ugly Lab, desenvolveram o B.akka. Trata-se de uma biblioteca de arquétipos, baseada nas 12 obras originais do psiquiatra Carl Gustav Jung e nos trabalhos de outros autores como Robert Moore, Margaret Mark e Carol Pearson. Em cima disso, foram desenvolvidos 60 arquétipos (12 arquétipos e o desdobramento de suas classes arquetípicas com 48 sub-arquétipos), os tornando inclusivos, representativos e plurais.

Os 12 arquétipos de Jung, como são conhecidos, costumam ser utilizados por empresas para a construção de personas e suas personalidades, fugindo das expressões verbais e visuais masculinizadas. Dessa forma, criam diversidade, pluralidade e a adequação contemporânea necessária. Um bom exemplo de utilização desta biblioteca foi o que fizemos na MFIT Personal, startup voltada para aumentar a produtividade do dia a dia online de personal trainers de todo o país. 

 

 

Precisávamos entender a fundo quem era esse personal, como ele via a startup e saber o que estava achando do relacionamento com a marca. Baseados no B.akka, desenvolvemos um método para traçar o perfil arquétipo do nosso personal e compreender como éramos vistos, para alinhar com a imagem que queríamos ter. Neste momento, desenvolvemos nossa própria metodologia voltada para o nicho fitness, que consistiu no mapeamento e análise de traços do personal trainer por associação imagética, batizado de Eikon, do grego para “Imagem”.

O método consistiu na criação de uma espécie de quiz do “BuzzFeed”, com questões onde cada resposta estava ligada ao traço de um arquétipo descrito no B.akka. A partir daí, após 7 meses de pesquisas e estudos, foi possível obter personas altamente complexas e traços de personalidades humanizados, assim como respostas claras para as perguntas, posicionamentos completos e a construção das narrativas adequadas ao universo da marca. Somente assim foi possível entrar em sintonia com o cliente de forma real e mais efetiva. Com tudo isso em mãos, recriamos a marca MFIT Personal. 

Todo esse processo mostrou o quanto a humanização é algo extremamente necessário para que as empresas consigam estar verdadeiramente próximas ao cliente, conhecendo e reconhecendo suas dores. Por isso, gaste o tempo que for necessário para desenvolver e estruturar o universo da sua marca e, tão importante quanto isso, conte com uma equipe disposta a testar o novo, novas metodologias, novas ferramentas, para alcançar o sucesso e principalmente, oferecer valor para seus clientes.

*Victor Moraes é formado em Design pela Universidade Cruzeiro do Sul, com especialização em Branding e construção de marcas estratégicas pela UniAvan. Já atuou na Futures Design e, desde 2018, é Head de Design da MFIT Personal.

Notícias Relacionadas