Confinamento pelo Coronavírus reforça o conceito de que o rádio é companheiro do ouvinte

27 de Maio de 2020

Com o advendo da Covid-19, mais pessoas buscam o rádio para ter companhia e alívio durante a crise

 

Pesquisas da Kantar Ibope revelam que a audiência do rádio 
cresceu desde o começo do distanciamento social provocado 
pela covid-19. Pelo último levantamento de abril, 74% dos 
ouvintes vão manter ou aumentar o consumo do rádio.

 

A ACAERT- Associação Catarinense das Emissoras de Rádio e Televisão de Santa Catarina, entidade que reúne em torno de 300 emissoras catarinenses, realizou um levantamento junto a algumas delas para compartilhar constatações da relevância do veículo nas comunidades. "As emissoras perceberam, logo no início da pandemia, que poderiam ajudar a população a não entrar em pânico. Se no início as pessoas buscavam informação sobre a nova doença, agora, além de notícias o ouvinte quer companhia e alívio no dia a dia da crise. E pedir música sempre aproximou o público dos comunicadores", conta Marco Aurélio Gomes, jornalista da ACAERT.

Insights
Conheça o caso de um dos ouvintes do Roger Stnkvcz Stanquéviz, que apresenta programa com participação popular à noite na Rádio Simpatia FM, de Campos Novos. “Roger, manda uma música que nós estamos aqui na escuta, na lida com as ‘mimosas’, tirando o leitinho. Manda uma música para nós, pesadão, pesadão. Todas as noites estamos aqui na peleia escutando a rádio”.

Roger acredita que principalmente à noite as pessoas sentem mais falta de uma companhia. “Uma forma de sair um pouco das notícias ruins e de tudo o que vem acontecendo. Para mergulhar na música, na descontração, na alegria. Que é isso que o rádio consegue trazer além da companhia, que é uma carga de esperança. Tenho observado também que os ouvintes têm oferecido muito mais músicas para pessoas que estão distantes. Um carinho através da música. Mandar um abraço”.

Para Sandro Barcelos, da Rádio Fronteira AM/FM, de Dionísio Cerqueira, o rádio se aproxima do ouvinte quando lhe dá voz. “Você utilizar a participação do ouvinte, dar voz ao ouvinte faz com que o rádio só tem a ganhar. Nós temos a total certeza e compreensão da obrigação do papel que o rádio tem para a sociedade. E principalmente nas cidades menores, o rádio é o principal meio de comunicação”.

O locutor, que tem 20 anos de rádio, chegou a fazer uma enquete com o público sobre a importância do rádio para o ouvinte. Alguns depoimentos: “O rádio é uma companhia, eu não fico sem o rádio nem um dia só. Levanta o astral da gente, feliz e animada”. “Eu levanto da cama e a primeira coisa que faço é ligar o rádio”. “Estes dias queimou o meu rádio e parece que tinha queimado um pedaço do dedão, hehe. Deus me livre, eu não vivo sem o rádio”. “O rádio é companheirão da gente, né”.  

Em São Miguel do Oeste, a Rádio 103 FM, também procura manter o alto astral do ouvinte, com uma programação que ajuda a aliviar a tensão e o medo da pandemia. A ouvinte Emadin de Moraes reconhece o trabalho da emissora, principalmente do Joel Hibner, um dos locutores da 103. “Ele tem uma programação muito para cima, alto astral, que faz a gente não perder a esperança nestes tempos difíceis. As coisas vão mudar. A gente não pode se deprimir”.

“É a maior alegria do mundo ter o reconhecimento do ouvinte. Saber que você está fazendo a coisa certa. Deixando mais leve e alegre o ambiente do ouvinte”, afirmou Joel.

A empatia que surge na relação diária com o ouvinte faz com que o comunicador passe a ser uma pessoa importante para o público das emissoras. A ouvinte da Rádio Tropical FM, de Treze Tílias, Marines Carniel, admira o trabalho da locutora Tatiane Doss Carlet. E se importa com a vida da profissional da emissora. “Ontem estava me lembrando de você, Tati. Como você está? Você tem o dom tão grande, que Deus te deu, de acalmar e aliviar o medo das pessoas. Só escutar você já é bom. Me fez tão bem aquela música que você colocou para mim. Você não tem ideia”.

Com 16 anos de rádio, sendo nove na Tropical, Tatiane tem consciência do papel das emissoras. “A confiança, os laços de amizade que os ouvintes estabelecem conosco devem sempre nos lembrar que estamos, de certa forma, influenciando seu humor. Seu dia-a-dia, suas decisões. A vida de alguém. Vivemos sim um momento delicado. Não podemos deixar de contextualizar as informações, mas devemos fazer a nossa parte, para não disseminarmos pânico. É uma grata oportunidade de vivermos intensamente o nosso dia. Comunicar e animar pelo dia que temos: o hoje".

 

Ouça os depoimentos dos apresentadores de algumas emissoras

 

 

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