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Coluna Ozinil Martins | Os antigos quintais e seu papel social!
10 de Abril de 2024

Coluna Ozinil Martins | Os antigos quintais e seu papel social!

A população cresceu, e os espaços foram urbanizados

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 10 de Abril de 2024 | Atualizado 10 de Abril de 2024

Nostalgia é um sentimento que nos faz retornar ao passado e, quase sempre, nos traz uma noção de perda muito grande. Na coluna passada abordei as velhas casas e suas memórias e isto me trouxe a lembrança dos jardins e dos imensos quintais em que éramos felizes sem necessidade de sair de casa.

Extensão da casa o quintal nos oferecia quase tudo que era necessário à vida; a horta nos fornecia o trivial para uma alimentação saudável, sem agrotóxico e, nenhum aditivo químico. Era mantida pelo povo da casa que se preocupava em realizar as ações que a manteriam limpa e saudável, sem infestação de insetos ou ervas daninhas. Dela provinha a alface, couve, repolho, couve-flor, beterraba além de todos os temperos verdes que completavam as necessidades familiares.

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Com o passar do tempo e a aceleração do ritmo da vida fomos convencidos que, mesmo com a existência de espaço para ter uma horta, era muito melhor comprar estes produtos nos supermercados da vida. Produtos sempre a disposição, em quantidade e muito bem apresentados, alguns vinham envolvidos em embalagens que convidavam o comprador a colocá-los no carrinho de compras.

Ninguém se importava com a procedência e com os insumos utilizados para sua produção. Entre o fazer em casa e comprar o pronto, venceu o comodismo. Mesmo famílias mais carentes, que poderiam reduzir seu custo alimentar produzindo em casa, optaram por comprar nos supermercados.

O mesmo aconteceu com o pomar. Às casas de antigamente, com grandes terrenos, a existência do pomar era uma exigência básica. Enquanto criança, as frutas eram quase sempre, colhidas em casa e, como eu, milhares de crianças supriam suas necessidades sem sair do quintal. Abacate, maçã, mamão, limão, pera, e, o maior motivo de orgulho o parreiral que nos abastecia de uvas e que nos propiciava os encontros familiares debaixo de suas sombras amigas e confidentes.

As frutas e hortaliças que não eram produzidas em casa eram obtidas com os vizinhos que estavam, sempre, dispostos a servir e a ser servidos. Ah! Importante lembrar que nos quintais de antigamente sempre tinha espaço para um galinheiro que supria as famílias com carne de qualidade e baixíssimo custo.

Mas, a população cresceu, os espaços foram urbanizados, os terrenos foram diminuindo de tamanho, as casas se verticalizaram e os espaços foram sumindo e, assim, o modelo de vida em que nós, os experientes de hoje, fomos criados ficou no passado e na memória que espero revitalizar naqueles que lerem a simplória coluna.

A vida é este moto-contínuo que tritura tudo que um dia nos trouxe felicidade e nos permitiu acumular estórias. Nunca, em qualquer época da humanidade, tivemos tanta evolução tecnológica e estivemos tão sós a ponto de transformar, em melhor amigo, o telefone celular e as mídias sociais.

Na Europa desde o século XIX as hortas comunitárias existem e suprem a necessidade das pessoas. Em Paris (2020) foi colocada a disposição do povo a maior horta comunitária da Europa. São organizadas e administradas pelas prefeituras locais. Em Florianópolis existe o Cultiva Floripa que ajuda na organização e na entrega de insumos aos interessados em manter hortas comunitárias.

Com a aproximação das eleições pergunte aos candidatos de sua cidade o que acham da ideia e como fariam para operacionalizá-las. Tão simples quanto eficaz a ideia merece prosperar!

Foto: Freepik

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