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Cobertura cidadã, cuidado com exageros
12 de Setembro de 2011

Cobertura cidadã, cuidado com exageros

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Mais uma vez Santa Catarina é castigada pela chuva. E como o assunto está recorrente, nos deparamos com fenômenos interessantes na comunicação. Primeiro vemos que as notícias dos problemas causados só começam a virar manchete quando o caos já está instalado. Outra impressão que tenho é que as pessoas estão mais preparadas para falar sobre o assunto, sejam cidadãos comuns ou autoridades de órgãos públicos. 

Por fim, a cobertura dos veículos usa as redes sociais com muito mais intensidade tanto para informar como para receber dados das pessoas que estão mais próximas dos acontecimentos. Vemos os apresentadores nas emissoras de rádio e televisão citando o twitter deste ou daquele órgão ou de uma pessoa que mostra a foto ou o vídeo de um local alagado.
 
O Facebook também está sendo usado, desde que os problemas começaram, como uma ferramenta de comunicação entre as pessoas que estão ilhadas mas não perderam o acesso à internet. Os celulares e notebooks conectados permitem essa interação rápida e que tem ajudado até para tranqüilizar familiares que estão longe, em qualquer lugar do mundo.
 
Os próprios veículos de comunicação pedem ajuda da população para enviar informações, imagens e dados que possam contribuir na cobertura.
 
No entanto, por outro lado, essa ansiedade em se fazer a cobertura “jornalística” pode causar problemas. Na via expressa que circunda Blumenau, por exemplo, a televisão mostrou a imagem de dezenas de carros parados com pessoas batendo fotos ou filmando os alagamentos visíveis nos bairros que ficam por ali. O que isso causou? Trânsito lento, pequenos acidentes , enfim, transtornos para quem precisa trabalhar em prol dos prejudicados.
 
É por isso que nem todos podem ser jornalistas. Por isso é que a função de divulgar não pode ser de todos, porque aí viramos todos interlocutores para poucos espectadores. A não ser se estiver vivenciando o fato ou tiver informações importantes a repassar, o melhor é deixar a cobertura oficial para quem tem técnica e meios para isso. Colabore com dados, essa profusão das redes sociais serve muito bem pra isso, mas sem exageros ou “barrigadas” (chamamos no jornalismo “barrigada” uma informação que não foi checada e por ser falsa pode gerar confusão entre os envolvidos com o fato).
 

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