ARTIGO | Crise na Petrobras: entenda o que desencadeou a queda nas ações da estatal

24 de Fevereiro de 2021

O abandono de políticas liberais por parte do governo vem desapontando o mercado

 

por Heber Ricardo Bobeck*
 

Declarações e posições do governo Jair Bolsonaro a respeito da Petrobras e do preço dos combustíveis no fim da semana passada e no início desta semana interromperam um fevereiro que começou com otimismo e com bons resultados e ofuscaram os ganhos no mercado financeiro. Para entendermos direito, vamos retomar os últimos acontecimentos.

No início do mês ventilou-se a hipótese de uma greve dos caminhoneiros, que foi revertida, tanto pelo ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas quanto pelo Governo Federal. Porém, o anúncio do reajuste de aproximadamente 10% na gasolina e 15% no diesel voltou a desagradar o presidente da República, porque uma greve nos moldes da que vivemos em 2018 seria devastadora para o governo, ainda mais nesse momento.

 

Isenção temporária de impostos e troca do presidente da estatal

Imediatamente na quinta (18) Bolsonaro avisou da isenção temporária de impostos federais sobre o diesel e gás de cozinha e que “providências” seriam tomadas com relação à Petrobras. Apenas essa declaração balançou o mercado na sexta-feira (19) pelo temor da volta de políticas intervencionistas. Ao final do dia, o governo anunciou que trocaria o presidente da empresa, indicando o general Silva e Luna para o cargo em detrimento a Roberto Castello Branco, um liberal formado pela Escola de Chicago e homem de confiança de Paulo Guedes, que vinha fazendo boa gestão.

 

Tombo nas ações e queda no Ibovespa

Isso fez com que o Ibovespa despencasse 4,87% na segunda-feira (22), puxado pela queda de 20,2% das ações da Petrobras. Apenas a troca de diretoria não é suficiente para todo esse movimento de baixa, pois o novo nome indicado tem excelentes referências e vinha fazendo ótimo trabalho na Itaipu, mas o medo de que o governo passe a adotar medidas de intervenção, assim como já vivemos em governos anteriores, bastou para que o mercado reagisse de maneira negativa.

 

Expectativa e alta dos preços

Agora, a expectativa do mercado financeiro é de que tal medida tenha sido apenas uma resposta rápida para mostrar para a população que ele também se preocupa com a alta dos preços. A torcida é para que, mesmo com outra diretoria a empresa continue trilhando um caminho de olho nos lucros - o que não beneficia apenas os investidores, mas principalmente o governo federal que recebe a maior parte deste lucro.

 

Abandono de políticas liberais: Petrobras foi estopim

O abandono de políticas liberais por parte do governo vem desapontando o mercado e o episódio da Petrobras funcionou como um estopim. Mas, de fato, muita dessa não aplicação de medidas liberais era, até então, justificada pela indisposição de Rodrigo Maia em pautar tais medidas (muitas delas interessantes caducaram por este motivo).

Agora o cenário é outro. Bolsonaro tem um “aliado” na presidência da Câmara e tem mais condições de avançar nesse aspecto. Já nesta terça (23) o presidente Jair Bolsonaro encaminhou o projeto de privatização da Eletrobras. Arthur Lira sinalizou positivamente e deve colocar a proposta em debate no Congresso. E mais: Lira declarou que apesar de considerar essa uma pauta importante, o foco nesses dois primeiros meses serão as reformas estruturantes.

Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela, com a confiança e a esperança de que continuemos num caminho de crescimento e de reestruturação.

 


*Heber Ricardo Bobeck é graduado em Administração e em Engenharia Civil, Heber Ricardo Bobeck é assessor de investimentos na SIGLO, escritório credenciado XP, é focado em educação financeira e construção de patrimônio, gerenciamento de riscos e planejamento estratégico. Possui Certificação ANCORD 06/2019.

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